Bauru é 17.º em incidência de aids no País
Texto: Ieda Rodrigues
Bauru tem 919 casos notificados de aids e ocupa o 17.º lugar no Brasil no ranking das cidades com maior incidência da doença, de acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, relativo a novembro do ano passado, e divulgado ontem pela Secretaria Municipal de Saúde. O índice de incidência é o número de casos para cada grupo de 100 mil habitantes, que em Bauru é de 379.
Apesar de Bauru ter caído uma posição em relação ao último boletim do Ministério da Saúde - ocupava a 16.ª posição no ranking de incidência -, não significa que houve redução no número de novas notificações de aids, segundo explicou a coordenadora municipal do programa DST/Aids da Secretaria de Saúde, Eliane Monteiro.
Ela ressaltou que a alteração na classificação de Bauru é decorrente de outras cidades, que até então não informavam os casos de aids ao Ministério da Saúde, como Ribeirão Preto, Catanduva e Barretos, passarem a figurar no boletim epidemiológico. Por isso, conforme explicou Eliane, as campanhas de prevenção
à aids e os programas de DST/Aids precisam continuar. Ao mesmo tempo, Bauru tem índice maior que São Paulo, com 358,7; Rio de Janeiro, com 297,5 e Campinas, com 264,7.
Em números absolutos de casos, Bauru ocupa a 29.ª posição no Brasil, depois de São Paulo (39.569 casos) e outras capitais, como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Salvador, Brasília, Recife e Fortaleza, além de cidades grandes como Santos, Campinas, Nova Iguaçu, Sorocaba, São Bernardo do Campo e Juiz de Fora.
O número de casos de aids notificados em Bauru - 919 - representa 0,5% dos casos da doença em todo o Brasil, 179.541 casos, até a data da elaboração do boletim. De acordo com Eliane Monteiro, em Bauru continua a proporção de dois homens para cada mulher infectada com o vírus da aids, mas ela acha que pode haver uma alteração desses números já no próximo boletim, já que a tendência nacional é um aumento no número de mulheres com a doença.
Desemprego
Com o uso do coquetel de medicamentos, a sobrevida das pessoas HIV positivo está sendo mais longa e melhor. O maior problema dos portadores da doença, na avaliação da presidente da Sociedade de Apoio a Pessoas com Aids de Bauru (Sapab), Mafalda Sparapan, é o desemprego.
Se para as pessoas sadias está difícil conseguir emprego, a situação é muito pior para quem tem uma doença grave, como a aids e que ainda é alvo de preconceito.
Relação sexual ainda é maior transmissor
Cinqüenta por cento dos casos de aids notificados em Bauru, assim como em todo o País, foram transmitidos sexualmente, segundo Eliane Monteiro, coordenadora do programa DST/Aids da Secretaria Municipal de Saúde. Portanto, as campanhas pelo uso e a distribuição de preservativos continuam muito importantes.
Em segundo lugar de meio de transmissão, está o uso compartilhado de seringas, com 22%. Eliane ressaltou que a transmissão da aids por via sexual torna-se mais multiplicadora quando a pessoa é usuária de droga injetável. Cerca de 36% dos casos de aids em mulheres tiveram origem no uso de drogas injetáveis, por usuárias e seus parceiros.
A procura por preservativos nos núcleos de saúde tem aumentado, de acordo com Eliane. O perfil das pessoas que mais buscam os preservativos está na faixa etária dos 15 aos 49 anos, mostrando que adolescentes, jovens e adultos estão preocupados com a transmissão da doença.
A coordenadora do programa municipal do DST/Aids divulgou, também, nota oficial do Ministério de Saúde sobre a repressão da Igreja Católica ao padre Valeriano Paitoni, de São Paulo, que defende o uso de preservativos. O coordenador nacional do DST/Aids, Paulo Roberto Teixeira, lamenta a atitude do arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, e afirma que esse posicionamento "põe em risco a saúde da população e os esforços do Programa Nacional de Aids do Ministério da Saúde. (IR)
Estimativa é que 60% das pessoas com aids já morreram
A estimativa da Secretaria Municipal de Saúde é que cerca de 60% dos 919 das pessoas notificadas com aids em Bauru já morreram. Eliane Monteiro, coordenadora do programa DST/Aids da Secretaria de Saúde, explicou que, atualmente, estão em tratamento oferecido pela rede pública de saúde 278 portadores do vírus HIV.
Como o número de pacientes em clínicas particulares não é alto, os restante, que não está buscando assistência, já deve ter morrido. Conforme contou Eliane, mais de 60% das pessoas HIV positivo no Estado de São Paulo estão fazendo uso do coquetel de remédios distribuídos pelo Ministério da Saúde.
Ela contou que está sendo esperada, para logo, um novo medicamento para fazer parte do coquetel. A expectativa é que esse novo medicamento eleve a porcentagem do efeito esperado do coquetel, a redução da carga viral. Eliane ressaltou, no entanto, que o problema são os casos não notificados, das pessoas ainda não descobriram que são HIV positivo.
A orientação é, ao ter tido um comportamento de risco de transmissão da doença, fazer o teste para a aids. O exame é gratuito, feito no Centro de Orientação e Apoio ao Sorológico (Coas), que fica no Núcleo de Saúde Centro. (IR)
Casa de Apoio da Sapab abriga 13 doentes
Treze pessoas HIV positivo, sendo sete adultos e seis crianças, estão abrigadas na Casa de Apoio da Sociedade de Apoio
às Pessoas com Aids de Bauru (Sapab). Mafalda Saparapan, presidente da entidade, disse que 13 é a lotação da casa e que recebe muitas solicitações de vagas, inclusive de pessoas da região.
A Sapab está construindo um novo alojamento, ao lado da Casa de Apoio, mas por falta de dinheiro, as obras est ão paradas. Mafalda contou que, até agora, o prédio foi erguido com mão-de-obra voluntária, que agora está escassa. O alojamento abrirá cerca de 20 novas vagas, para homens, mulheres, crianças e bebês.
Além dos abrigados, a Sapab atende 70 pessoas com aids em suas casas, distribuindo cestas básicas, remédios e assistência médica e psicológica. O número de doentes que solicitam a ajuda é maior, mas a entidade prioriza os pacientes que mais precisam por limitação financeira.
As cestas básicas e remédios são compradas pela Sapab apenas com colaborações da comunidade
- clubes de serviço, Lions, Rotarys, funcionários de empresas e pessoas em geral - e com a renda de eventos, como pasteladas, jantares e festas. A Sapab aceita mão-de-obra para a construção, contribuições em produtos e dinheiro. O telefone da entidade é 238-4071.
(IR)