Acordo facilita convergência macroeconômica entre países
Um acordo entre a União Européia e o Mercosul vai permitir que funcionários da Comissão Européia, o órgão executivo do bloco europeu, colaborem na preparação da convergência macroeconômica entre os quatro países do Mercosul mais o Chile. Em setembro, um funcionário da Direção Geral de Assuntos Econômicos e Financeiros da Comissão Européia será enviado à Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), em Santiago, no Chile, para ajudar na elaboração do projeto de convergência marcroeconômica do bloco sul americano.
Durante dois anos, o economista Christian Ghymers fará parte de uma equipe de especialistas que estudará a coordenação macroeconômica na região. A análise da Comissão Européia, segundo fontes de Bruxelas, é que as tensões comerciais enfrentadas pelo Mercosul recentemente foram conseqüência de divergências entre membros do bloco, principalmente em relação à política cambial.
Os analistas europeus, de acordo com fontes da Comissão Européia, acreditam que há várias áreas de integração regional em que a experiência da União Européia poderá ser útil para a coordenação macroecômica do Mercosul. Para os europeus, o bloco sul americano poderia adotar, por exemplo, mecanismos multilaterais de vigilância e coordenação das políticas macroeconômicas, principalmente na
área fiscal.
Mercado integrado
Outra experiência que a comissão acredita deverá ser útil para o Mercosul é a liberalização dos movimentos de capitais, como o ritmo adequado da liberalização desses fluxos e o uso de cláusulas de salvaguarda. Os europeus também querem colaborar com a experiência
do bloco na criação de um mercado integrado de produtos financeiros, emprestando a experiência européia sobre a legislação para o setor bancário, de seguros e mercado de capitais, caso o Mercosul queira avançar na criação de um mercado financeiro
único.
Além disso, os europeus pretendem criar um diálogo regular de cooperação entre o Mercosul e a União Européia. Esse intercâmbio já estava previsto no acordo assinado entre os dois blocos em 1995, segundo o qual as duas partes vão promover a troca de informações sobre a evolução de seus respectivos indicadores econômicos.
Para os especialistas da União Européia, os acontecimentos econômicos e financeiros do Mercosul são importantes porque a região integra umas das principais economias da América Latina, cujo desempenho pode afetar a União Européia. Além disso, a situação econômica da região pode provocar impacto em outras economias emergentes, como ocorreu depois da desvalorização do real. O processo de integração monetária europeu será concluído em janeiro de 2001, com a adoção do Euro, a moeda única européia, já adotada virtualmente para transações bancárias desde janeiro de 1999. Antes de permitir a adesão à convergência macroeconômica, a União Européia estabeleceu metas, como limite de endividamento público e de inflação, para que os países pudessem participar da união monetária.
Atualmente, 12 dos 15 membros da União Européia fazem parte da zona do Euro. A Grécia foi o último a aderir, há duas semanas.