Geral

Estresse

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Reações aparecem em três fases

Texto: Sabrina Magalhães

O esgotamento abre caminho para o aparecimento de doenças e para o desenvolvimento de outros distúrbios emocionais, como a depressão

De acordo com Geraldo Ballone (www.psiqweb.med.br), na década de 30, o estudioso canadense Hans Selye chamou o conjunto de alterações provocado pelo estresse de Síndrome Geral de Adaptação

(SGA). Ele mostrou que estes sintomas aparecem em três fases bastante distintas e que quando o indivíduo chega à terceira fase, as conseqüências do estresse podem ser até incapacitantes.

A primeira etapa do estresse é a Reação de Alarme, quando todo o corpo é mobilizado num estado de alerta, pronto para abater o inimigo ou simplesmente fugir dele. São as alterações fisiológicas. Neste momento, é o Sistema Nervoso Autônomo que está funcionando. Cabe a ele controlar o trabalho de todo o organismo, ativando ou inibindo o funcionamento de sistemas, vísceras e glândulas.

Tudo isso é controlado por uma cadeia de alterações hormonais, como explica a endocrinologista Telma Regina Gobbi. Uma delas é a descarga de adrenalina e noradrenalina, responsáveis pelos sintomas de ansiedade e irritabilidade. Há também uma alteração na glândula supra-renal, que produz o cortisol - hormônio do bom humor. "O indivíduo tende a ter mau humor, insônia e irritabilidade", afirma.

A produção de endorfinas (hormônio do prazer)

é modificada, alterando o limiar da dor. Da mesma forma, o hormônio da tireóide (TSH), que é responsável pelo metabolismo orgânico. O nível destes hormônios pode ser alterado para mais ou para menos, podendo, por exemplo, causar tanto a insônia como a letargia; tanto a euforia como a depressão, e assim por diante.

Em geral, desaparecendo os estímulos estressores, todas essas alterações tendem a se interromper e regredir, voltando ao equilíbrio inicial.

Fase de Resistência

A segunda fase é quando a tensão se acumula, ou seja, algumas vezes, o estímulo estressor persiste, obrigando o organismo a manter seu esforço de adaptação por um tempo maior. O organismo acostuma-se com os estímulos estressores e começa a adaptar suas reações e seu metabolismo para suportar o estresse por um certo período de tempo.

Quando isso acontece, a reação pode ser canalizada para um órgão ou sistema específico e a pessoa pode ter um problema de pele, uma úlcera ou dores musculares, por exemplo.

Com o tempo, se os estímulos continuam, tornando-se crônicos e repetitivos, a resposta do organismo começa a diminuir, podendo haver uma antecipação delas. "Imagine uma pessoa que se depara com uma cobra no meio da sala quase todas as vezes que entra em casa. Com o tempo, a reação dela ao ver a cobra diminui, mesmo que ela continue tomando cuidado. Vai chegar um momento em que, mesmo não vendo a cobra, ela vai ficar estressada", exemplifica Ballone. Como a energia usada para tais alterações não é ilimitada, se o estresse continuar, o corpo entra na terceira fase.

Exaustão

É quando os mecanismos de adaptação começam a falhar e a pessoa perde a capacidade de reagir. É a fase grave do estresse, quando pode haver uma "pane" no organismo. Ele já não é capaz de manter seu equilíbrio e passa da reação à apatia. A pessoa entre em estado de esgotamento.

Nesta fase, predominam os sintomas somáticos e psicossomáticos, ou seja, o mesmo mecanismo que surpreende as pessoas pela enorme capacidade de adaptação que oferece, também surpreende por favorecer o desenvolvimento de vários transtornos emocionais e físicos. "Talvez o ser humano, dito civilizado, tenha começado a padecer com a Síndrome Geral de Adaptação quando seus objetivos, inicialmente colocados

à disposição de sua sobrevivência física, foram deslocados para sua sobrevivência social e afetiva", ressalta Ballone.

Ele observa que se no tempo das cavernas o estresse era um mecanismo de sobrevivência, hoje o homem se utiliza dele para se destacar social, profissional, familiar e economicamente. Antes, a necessidade de adaptação se restringia ao aqui e agora. Hoje, o homem tem que estar em constante adaptação ao seu passado, ao seu presente e ao seu futuro e o imediato é apenas uma pequena parte do esforço adaptativo do ser humano. O estresse hoje já não está mais ligado somente

à sobrevivência.

Reações de alarme

Alterações

1. Aumento da freqüência cardíaca e pressão arterial

2. Contração do baço

3. O fígado libera glicose

4. Redistribuição sangüínea

5. Aumento da freqüência respiratória e dilatação dos brônquios

6. Dilatação das pupilas

7. Aumento do número de linfócitos na corrente sangüínea

Objetivos

1. O sangue circulando mais rápido melhora a atividade muscular esquelética e cerebral, facilitando a ação e o movimento

2. Levar mais glóbulos vermelhos à corrente sangüínea e melhorar a oxigenação do organismo e de áreas estratégicas (como os músculos)

3. Para ser utilizado como alimento e energia para os músculos e cérebro

4. Diminui o sangue dirigido à pele e vísceras, aumentando para músculos e cérebro

5. Favorece a captação de mais oxigênio

6. Para aumentar a eficiência visual

7. Preparar os tecidos para possíveis danos por agentes externos agressores

Fonte: Psiquiatria na Internet: www.psiqweb.med.br

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