Preso da PI é morto em resgate
Texto: Rita de Cássia Cornélio
Quatro presos da Penitenciária I de Bauru tentaram fugir na madrugada de ontem. Um deles morreu, outro está gravemente ferido e os outros dois nem conseguiram sair do presídio. O grupo seria resgatado por uma quadrilha que os aguardava a cerca de 500 metros do presídio. No momento da tentativa de fuga e resgate, toda a área da penitenciária ficou sem energia.
A tentativa de resgate aconteceu por volta das 2 horas da madrugada de ontem. Os presos serraram as grades das celas 115 e 117, pularam o alambrado e ficaram encurralados próximo ao segundo alambrado, de onde trocaram tiros com os policiais militares que estavam nas torres e fazem a vigilância externa do presídio.
Também houve troca de tiros entre os policiais e o grupo que iria fazer o resgate. No local foi encontrado uma ferramenta conhecida como chave turquesa, própria para cortar arames. Segundo o diretor da PI, Wilson Elorza Jr., quando os presos deixaram a cela foram vistos por um agente penitenciário, que usou o apito para alertar a guarda sobre a fuga.
"O funcionário pediu para eles (presos) retornarem porque os policiais estavam alertas. Mas, eles não atenderam ao pedido e tentaram a fuga", contou. O preso José Augusto Pereira da Silva, 30 anos, foi ferido com dois tiros no tórax. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu. Com ele, os policiais encontraram um aparelho de telefone celular.
O preso Antônio Nunes Caetano, 26 anos, recebeu três tiros. Um dos disparos atingiu sua cabeça e dois atingiram as pernas. Até ontem à tarde, ele estava internado em estado grave. Os outros dois presos que tentaram a fuga são: Márcio Duarte Vieira, 23 anos, e Flávio Julião Araújo, 29 anos. Eles sofreram ferimentos leves provocados por arame farpado e ouriço. Os dois foram medicados e recolhidos para as celas novamente.
A polícia suspeita que o grupo que iria fazer o resgate
é o mesmo que resgatou o preso Antonio Nunes Caetano do presídio de Mirandópolis. Caetano foi resgatado e passou a agir na região de Jaú, até ser preso novamente. No último assalto, ele foi preso com dois fuzis AR-15.
No meio do mato
Na manhã de ontem, policiais militares que fazem a guarda das penitenciárias encontraram, a cerca de 500 metros da PI, no meio do mato, um carregador e cápsulas de AR-15 e várias cápsulas de AK-47, tipo fuzil, arma potente de grosso calibre, além de cápsulas de pistola calibre 380. A apreensão da munição comprova a presença nas imediações da PI de um grupo que pretendia fazer o resgate.
A polícia não encontrou armas com os presos que foram recapturados dentro do presídio. Há suspeitas que outro preso, de outra cela, estivesse dando cobertura para a fuga dos companheiros.
Fugitivo já havia sido resgatado
Antônio Nunes Caetano, 26 anos, conhecido por "Toninho Sharp", ferido durante a tentativa de fuga da Penitenciária I de Bauru na madrugada de ontem, já foi resgatado de presídio uma vez. Ele cumpria pena na Penitenciária de Hortolândia, quando foi resgatado por um grupo, no dia 9 de janeiro deste ano.
Caetano foi preso, novamente, no dia 5 de maio, pela Polícia Civil de Jaú, junto com outros quatro rapazes. O grupo estava escondido numa chácara do condomínio Chácara Floresta, entre Jaú e Dois Córregos, e portava armamento pesado, incluindo dois fuzis e vasta munição. Os cinco foram acusados de formação de quadrilha e porte ilegal de armas.
Ficha dos presos fujões
José Augusto Pereira da Silva, 30 anos (morreu na tentativa de fuga) - assaltante da região Adamantina que cumpria pena de 19 anos.
* Antonio Nunes Caetano, assaltante de São Paulo - (ferido em estado grave)
* Márcio Duarte Vieira, 23 anos - assaltante da região de Araçatuba e cumpre pena de 16 anos.
* Flávio Julião Araújo, 29 anos - assaltante de Recife que cumpre pena de 8 anos.
Sincronismo impede fugas
O comandante do Pelotão de Guarda e Canil, José Luiz Fermino Neto, garante que o sincronismo entre a Polícia Militar e os diretores das penitenciárias conseguiu reduzir as fugas. "Estudamos e aplicamos várias medidas que coibiram as fugas", disse.
Fermino explicou que o sistema de burrifação de cal na linha de tiro, adotado recentemente, facilitou a visualização do sentenciado em fuga. "Capinamos e burrifamos cal para melhorar a visualização dos presos que tentam fugir", contou.
As câmeras externas, danificadas na última rebelião registrada na PII, estão sendo recuperadas para auxiliar a guarda. "Estamos recuperando, gradativamente, as câmaras para auxiliar na guarda". Outra providência tomada pelos diretores das penitenciárias de Bauru e PM foi solicitar
à Justiça que as oitivas fossem feitas nas penitenciárias.
"As oitivas são feitas no presídio. Os juízes se deslocam até aqui. É mais seguro para a sociedade, além de deixar livre os policiais que faziam a escolta ao Fórum. Esses policiais são reaproveitados na guarda, onde foi implantado a ronda de viaturas e do Canil", explicou Fermino.
O remanejamento da escala dos policiais permitiu que durante um período maior os policiais permanecessem nas torres. "Estamos adotando medidas que não permitam as fugas, para não colocar a sociedade em risco. Nos últimos oito meses, houve uma fuga", lembrou. (RCC)