Não repor aula pode acarretar reprovação
Texto: Ieda Rodrigues
Começou ontem a reposição de aulas nas escolas estaduais de Bauru em função da greve dos professores iniciada em 4 de maio e que terminou, oficialmente, no dia 14 de junho. De acordo com a Diretoria de Ensino de Bauru, que alerta os alunos para o risco de reprovação por faltas, as aulas foram dadas normalmente - professores e alunos compareceram.
O aluno pode faltar até 25% do total de dias letivos, mas se exceder esse percentual é retido de ano por faltas, explicou a dirigente regional de Ensino, Edinéa Sita Cucci. Portanto, o aluno que já tem várias faltas e não repuser as aulas, corre o risco de ser reprovado e ter que fazer a mesma série no próximo ano. A recuperação de final de ano, segundo Edinéa, é apenas de conteúdo programático. Portanto, mesmo obtendo notas mínimas exigidas, o aluno pode ser reprovado se exceder em faltas.
Na escola Ernesto Monte, o primeiro dia de reposição de aula saiu da rotina. O professor de Geografia Roberto Fantatto deu aula para a turma da 6.ª série no pátio da escola. Segundo ele, a mudança de ambiente aumenta em até 70% o rendimento dos alunos, que prestam mais atenção
à aula.
Os alunos gostaram da idéia porque estava frio e no pátio havia sol. No entanto, a estudante Célia Regina Gonçalves, 13 anos, que assistia à aula, não concorda com a reposição. Ela disse que não os alunos não deveriam ter que repor aulas porque foram os professores que fizeram a greve.
A grande maioria dos professores, apesar da orientação da Apeoesp e do Centro do Professorado Paulista (CPP) para não fazer a reposição de aulas, está trabalhando normalmente. Apenas alguns profissionais comunicaram, com antecedência, os diretores de suas escolas que não iriam dar aula durante o recesso de julho - quase todos disseram que já haviam assumido compromissos, como viagens e até passar por cirurgias no recesso.
Nesses casos, os diretores contrataram professores eventuais para ministrar as aulas. O número de dias a repor varia de escola para escola, dependendo de quanto tempo ficou de greve. A escola com mais dias a repor em Bauru é a Edson Bastos Gasparini
(30 dias). Já as escolas Antônio Xavier de Mendonça, Luiz Braga, Luiz Carlos Gomes e João Pedro Fernandes são as que tem menos dias de aula a repor, nove cada uma.
Sem férias
A reposição no recesso de julho vai até o dia 28 (10 dias) e para as escolas que precisarem segue no recesso de dezembro (de 17 a 21 e de 24 a 28) e nas férias de janeiro
(de 2 a 5; de 8 a 12; de 15 a 19 e de 22 a 26). O diretor e coordenador da Apeoesp, Duílio Duka de Souza, disse que não houve manifesto e nenhum outro ato, ontem, contra a reposição.
A Apeoesp e o CPP são contrários à reposição de aulas porque a Secretaria Estadual de Educação descontou dos salários dos professores os dias parados durante a greve e vai pagar apenas pelas aulas dadas - os professores não vão receber pelos sábados, domingos e feriados. A maioria dos professores, apesar de não concordar com o desconto dos dias parados, decidiu fazer a reposição de aulas porque estão passando por dificuldades financeiras.
Muitos deles já recorreram a empréstimos bancários porque receberam menos de 10% de seus salários neste mês e, apesar de considerado pouco, o valor pago pelas aulas que serão repostas, é bem-vindo. Os professores fizeram greve pedido 54% de reajuste salarial, mas só conseguiram um abono salarial, que varia de R$ 48,00 a R$ 80,00 - dependendo da carga horária de cada um.