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Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Quatro marcas de café da região contém misturas

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Melhorar o conceito do café brasileiro no mercado interno e externo. Com este objetivo foi realizado um encontro em Bauru

A Associação Brasileira da Indústria de Café

(Abic) divulgou ontem as 48 marcas de café produzidas no Estado de São Paulo que apresentam impurezas no produto. Na região de Bauru, quatro marcas são apontadas como impuras. O assunto, abrangendo a qualidade do café brasileiro e o crescimento do mercado interno, esteve em pauta ontem, durante encontro promovido pela Abic e o Sindicafé/SP, no Obeid Plaza Hotel. O evento reuniu o presidente do Sindicafé, Nathan Herszkowicz, o secretário-geral da Associação Brasileira da Indústria de Café, David Nahum Neto, autoridades locais e regionais, representantes do varejo e de

órgãos de defesa do consumidor.

Para o presidente do Sindicafé, Nathan Herszkowicz, as misturas feitas ao café revelam dois objetivos claros: baixar os custos e enganar o consumidor. "O café deve conter 100% de grãos em sua constituição. Algumas marcas que constam da denúncia contêm 80% de milho e apenas 20% de café. Um produto assim não pode ser oferecido ao consumidor como café e nem deve ser pago como café, uma vez que é um produto fraudado. Existem marcas que misturam centeio, ceveda e, muitas delas, usam um subproduto do café que é tóxico e prejudicial

à saúde do consumidor", explicou.

No Estado de São Paulo, as marcas que apresentam irregularidades representam 3% do consumo total de café. "Pouco expressivo, mas como dissemos é uma minoria que faz muito barulho. Elas continuam abalando a credibilidade do produto. Nós queremos que o consumidor tenha um bom conceito sobre o café. Por isso, nós queremos que as marcas se enquadrem. Não queremos que elas desapareçam, mas que produzam um bom café", acrescentou.

A garantia de qualidade do café está no selo de pureza, criado há 11 anos pela Abic, justamente com o objetivo de denunciar as irregularidades. "Através do selo de pureza nas embalagens de café, mostramos para o consumidor qual é o produto em que ele pode confiar". Ainda na opinião de Herszkowicz, o projeto do selo teve a intenção de resgatar credibilidade do produto. "Nos últimos 10 anos, o consumo de café no Brasil quase dobrou. No entanto, temos que continuar denunciando os fraudadores. Hoje, em Bauru, a industria de café volta a público para denunciar as marcas que insistem em fraudar o consumidor", salientou.

De acordo com ele, o programa do selo deve ser complementado a partir do primeiro trimestre do ano 2001. Trata-se de um novo programa que não fala apenas de pureza, mas da qualidade do café como bebida. "O café é uma bebida muito complexa que pode ter vários tipos de qualidade. Hoje, no mundo inteiro, cresce muito o consumo de café gourmet. Há várias qualidades de café, algumas mais baratas e outras, mais caras", exemplifica.

Para o secretário geral da Associação Brasileira da Indústria de Café, David Nahum Neto, as marcas que alteram o café devem ser punidas. "O problema da fraude e da punição é algo que estamos perseguindo já há algum tempo. Nós entendemos que as indústrias que fraudam devem ser punidas ou que corrijam suas falhas. Em última hipótese, que fechem", opinou.

O selo de qualidade do café, segundo Neto, apresenta resultados muito positivos. "O número de fraudes antes do programa era de 30% das marcas; hoje, estão reduzidas a 5%. "Achamos que tem que ser zero, porque a lei não permite a mistura", encerrou.

Na região de Bauru, a marca Dois Córregos, segundo a Abic, possui 23,5% de centeio. A marca Iguatemi, da cidade de Itápolis, contém 3,5% de cascas e paus. A marca Patriarca, de Mineiros do Tietê, contém 5% de cascas e paus, mais 36% centeio e 10% cevada. A Moinho da Serra, da mesma cidade, apresenta 21% de centeio em sua constituição. A marca Ígor, de Pirajuí, contém 4% de cascas e paus.

Novo Programa

A Abic está estruturando e desenvolvendo um novo programa para ser lançado no ano que vem. Trata-se do Programa de Educação do Mercado (PEM) para o consumo do café, que pretende falar das diferentes qualidades do café, ensinando o consumidor o que ele pode ter como benefício a partir das diferentes qualidades do café.

Quando o consumidor for ao supermercado, ilustrou Nathan Herszkowicz, saberá o que cada marca pode lhe oferecer. "O comprador saberá se ela é tradicional, superior ou café gourmet. Os preços serão diferentes, mas com prazeres e qualidades também diferentes", adiantou.

Café brasileiro precisa ser bem conceituado

Na opinião do presidente do Sindicafé, Nathan Herszkowicz, o café brasileiro precisa de marketing e de melhor conceito internacional para recuperar o mercado externo, perdido ao longo dos anos." Precisamos recuperar a capacidade de produção de café que foram muito afetadas pela geadas de 1994. Hoje, nosso parque cafeeiro pode produzir 40 milhões de sacas de café. Há quatro anos atrás não conseguia produzir mais de 25 milhões de sacas. Ou seja, nós recuperamos a capacidade de produzir."

Além da produção, o presidente do sindicato acha que o marketing poderia ajudar o café brasileiro a ganhar espaço no exterior. "Falta esforço de marketing, para tornar o café do Brasil mais conhecido e melhor conceituado internacionalmente. Isso começa a ser feito agora, somando os esforços dos exportadores brasileiros de café."

O Brasil, ao longo do tempo perdeu um pouco de mercado para os concorrentes estrangeiros, principalmente a Colômbia, o Vietnan, o México e outros paises produtores de café da América Central, segundo Herszkowicz. "Nos últimos dois anos tem havido um esforço do agronegócio café, especialmente da cafeicultura e o Brasil está começando a recuperar esses mercados. A nossa participação mundial chegou a 15% há quatro anos atrás. Subiu para 28% das exportações mundiais de café no ano de 99. Isso mostra que nós estamos num processo de recuperação dos mercados."

Preço

Na opinião do secretário geral da Associação Brasileira da Indústria do Café, David Nahum Neto, a geada vai influenciar no preço do café. "Acreditamos que no mercado interno, para o consumidor, há um resguardo na elevação dos preços. Temos sete milhões de sacas de café, estoques públicos do governo, que poderão vir para o mercado amenizar esse aumento caso a geada se consolide como ela está se mostrando."

Ele acha que o preço do café ao consumidor poderá ter uma pequena elevação, mas não substancial.

"Não acompanhará o preço do café crú no mercado internacional, porque nós temos um estoque estratégico que defenderá o consumidor brasileiro."

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