Geral

Tiroteio

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Família quer apuração da morte do pintor

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Testemunha-chave depõe e afirma que o pintor atirou primeiro contra a polícia

A família do pintor de paredes José Wesley Ferreira Rodrigues, 21 anos, morto anteontem em confronto com policiais do serviço reservado no Parque Alto Jaraguá, clama por Justiça. A mãe questiona os fatos, afirmando que Rodrigues não tinha passagens pela polícia e que levou sete tiros (a Polícia Ténica ainda não divulgou o laudo sobre o número de tiros). "Meu filho era bom. Não tinha passagens pela polícia", afirmou.

Maria Aparecida da Silva Rodrigues não se conforma com a morte do filho. "O que eu vou fazer agora?", questiona. A mãe diz que o filho tinha uma arma, mas não soube responder para quê. "Ele tinha essa arma já há algum tempo", contou.

A mãe garante que o tiro que o filho levou no peito foi

à queima roupa. "Tem até a marca da pólvora. Deram sete tiros nele. Não havia necessidade de tanto", acredita. Segundo ela, o filho foi arrastado depois de morto.

"Eles arrastaram meu filho pelo chão. A boca dele estava toda suja de terra. Morreu feito um indigente", disse.

Ela pede Justiça. "Eu quero que se faça Justiça. Os culpados devem pagar pela morte dele", afirmou. A mãe alega que o filho não tinha envolvimento com entorpecentes e nem furtos ou roubos.

Um adolescente de 15 anos se apresentou ontem no 1.º Distrito Policial, onde a morte foi registrada, dizendo que presenciou a morte de Rodrigues. Ouvido como testemunha, ele contou que a vítima pretendia acertar as contas com um terceiro, que ele não sabe quem é, e no caminho encontrou os policiais.

De acordo com o depoimento do menor (seu nome é mantido em sigilo) José Wesley Rodrigues saiu do Núcleo Fortunato Rocha Lima, onde morava com um amigo, em direção ao Parque Jaraguá. "Eu estava com ele quando ele deixou o núcleo. Percebi que ele estava armado e tentei saber o porquê. Ele contou que uma pessoa havia atirado contra ele e que iria acertar as contas com essa pessoa. Ele não falou quem era", contou a testemunha.

O adolescente teria tentado fazer com que José Wesley Rodrigues desistisse da idéia. "Eu insisti com ele, mas ele não desistiu. Estava muito nervoso, alterado. Ele disparou dois tiros para cima a fim de fazer com que eu desistisse de acompanhá-lo. Ele dizia para eu sair fora porque iria me envolver. Insisti para saber com quem ele iria brigar. Ele me respondeu que eu só saberia na hora certa", disse o adolescente à polícia.

Segundo o menor, após passarem por um trilho, para chegar mais rápido ao Jaraguá, os dois depararam com o carro ocupado pelos policias do serviço reservado. "O carro chegou rápido e o acompanhante abriu a porta e foi pedindo para o José Wesley parar porque eles eram policiais. Eu parei e assisti de uns 60 metros tudo o que aconteceu", disse.

O adolescente lembra que Rodrigues continuou andando rápido e não obedeceu os policiais. "O carro fechou ele e ele atirou contra o veículo. Acho que o tiro não acertou", disse. O policial que ocupava o banco do passageiro teria revidado o tiro e recebeu outro disparo, provavelmente aquele que o atingiu.

A testemunha conta que o policial caiu e ficou parado. O motorista do carro, o outro policial, teria pedido várias vezes para José Wesley Rodrigues soltar a arma e se entregar. "Ele dizia que não era para o policial chegar perto porque ele atiraria. Quando José Wesley tentou abaixar a arma para continuar andando ou correndo, o motorista da viatura atirou. Ele caiu debruços", contou a testemunha. O rapaz teria tentado levantar-se. "Ele estava caído quando o motorista da viatura fria colocou o pé sobre o peito dele e atirou. Aí ele não se mexeu mais", disse.

Inquérito

O delegado titular do 1.º Distrito Policial de Bauru, Marcelo Naggib Haddad, ouviu ontem um adolescente, considerado testemunha-chave do caso, e abriu inquérito para apurar a morte e a situação em que os fatos ocorreram.

De acordo com ele, a arma foi apreendida e encaminhada para exame de balística. "Vamos aguardar o laudo da Polícia Técnica para definir o número de tiros que atingiu a vítima. Algumas perfurações podem ser a saída da bala. Não há tiro na cabeça e nem nas costas. Nas costas, há um orifício de saída de bala", disse.

Investigação e levantamento

A Constituição Federal é clara quando diz que compete à Polícia Civil o trabalho investigativo dos crimes ocorridos na área de sua competência. Baseado no artigo 144 da Constituição Federal, o trabalho de polícia sem farda estaria a cargo da Civil. Porém, segundo o comandante interino do 4.º Batalhão da Polícia Militar, capitão Manoel Messias Mello, o trabalho dos policias militares do serviço reservado não seria de investigação, mas sim de levantamento.

O capitão enfatiza que os policiais sem farda fazem o levantamento das áreas de maior criminalidade da cidade, para que o setor de planejamento operacional possa direcionar o pessoal.

"Mesmo sem farda, eles têm o dever de deter uma pessoa armada", ressaltou Messias.

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