Começa internação de meninos de rua
Texto: Ieda Rodrigues
A partir de agora, policiais militares e civis vão abordar as crianças e adolescentes que estiverem guardando carro, pedindo dinheiro nos cruzamentos ou cheirando cola e adverti-los para retornarem para suas casas. Na reincidência, os policiais devem encaminhar esses meninos para o Conselho Tutelar, que vai acionar suas famílias ou interná-los na Gilgal - Centro de Recuperação e Reintegração de Menores, caso não tenham famílias.
A nova estratégia de trabalho, para retirar das ruas de Bauru crianças e adolescentes, foi definida pelo Conselho Tutelar e Vara da Infância e Juventude, e discutida na reunião de anteontem à noite do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Sul/Centro. Até ontem, quatro menores de rua já haviam sido internados na Gilgal, dentro do convênio firmado recentemente entre Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) e a entidade para a internação de até 20 menores de rua simultaneamente.
O abrigo dos menores é classificado como medida de proteção e o tratamento será pago pelo Conselho da Criança e do Adolescente, que vai desembolsar R$ 10,00 por dia por menor internado. A Sebes, por sua vez, vai empregar R$ 7 mil por mês para pagar funcionários e, assim, aumentar o quadro de profissionais da Gilgal. Dos internados, um deles fugiu quando visitava a família.
A presidente do Conselho Tutelar de Bauru, Débora Cristina Fonseca, explicou que a estratégia de abordagem dos meninos foi adotada porque agora Bauru tem onde interná-los. Ela contou, que no final de semana passado, conselheiras tutelares acompanhadas do juiz da Vara da Infância de Juventude, Ubirajara Maintinguer e de dois ex-meninos de rua, saíram pela cidade
à procura de menores que moram na rua, para convencê-los a ir para o abrigo da Gilgal.
No entanto, não se sabe se por causa do frio ou porque os meninos já estavam esperando a ação do Conselho Tutelar, poucos foram encontrados. Apenas quatro dos meninos localizados aceitaram ir para o abrigo, o que levou o Conselho Tutelar e Vara da Infância de Juventude a solicitar que os policiais, durante o trabalho diário de patrulhamento, façam a abordagem desses menores que estejam na rua.
A pesquisa feita pela Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE) a pedido do Conselho Tutelar revelou que Bauru tem 67 crianças na rua, sendo 12 que realmente não têm famílias - as demais ficam na rua durante o dia e retornam para suas casas à noite. Débora explicou que os pais dos menores de rua abordados pelos policiais serão acionados pelo Conselho Tutelar e, na primeira vez, advertidos a não permitir que seus filhos fiquem na rua.
Se houver reincidência, os pais serão indiciados por abandono material e intelectual - se o menor estiver fora da escola. O tenente João da Costa Duarte, comandante da Base Comunitária Sul, disse que já está orientando os policiais sob seu comando a fazer as abordagens. Se o menino de rua abordado oferecer resistência, o Conselho Tutelar deve ser acionado, para que o acompanhe a ação da polícia. Hoje, às 18h30, as estratégias para retirada dos menores de rua vão ser discutidas novamente numa reunião aberta à população no Sesi.
Serviço
O telefone do Conselho Tutelar é 234-1281 e da Polícia Militar é 190.
População não deve dar dinheiro a menores de rua
Paralelamente às abordagens que serão feitas pelas polícias Militar e Civil, a orientação para a população é não dar dinheiro a menores que se propõem a guardar carros ou pedem nos cruzamentos. Conforme explicou a presidente do Conselho Tutelar, Débora Cristina Fonseca, se o cidadão sentir-se coagido a dar dinheiro a menores de rua, se for no horário comercial, deve ligar para o Conselho Tutelar.
Nos demais horários, a população deve acionar a Polícia Militar. Ela ressaltou que quem quiser ajudar os menores de rua devem procurar o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente para fazer a doação, já que dar dinheiro para eles na rua não ajuda na recuperação deles. Ela lembrou que o dinheiro do Fundo será utilizado para custear o abrigo e para implantar programas para as famílias desses menores.