Poupança é única opção do trabalhador
Texto: Josefa Cunha
Apesar de a inflação estar prometendo engolir os já sofríveis rendimentos da Caderneta de Poupança a partir desde semestre, ela é ainda a única alternativa para os trabalhadores. Quem não dispõe de R$ 1 mil ou mais para investir no mercado financeiro, ou seja, a grande maioria das pessoas, mas deseja fazer uma reserva a título de segurança ou para compras futuras, deve continuar lançando mão dessa antiga e confiável modalidade.
Atualmente, o mercado possui linhas e mais linhas para garantir rentabilidade aos investidores, mas todas estão longe de atender os "micropoupadores". Para se ter uma idéia, aplicações de até R$ 5 mil em CDBs e Depósitos Interbancários são classificadas como "pequenas", com projeções de rendimento desanimadoras. Isso, conforme explica o economista Reinaldo César Cafeo, porque o lucro líquido praticamente se iguala à rentabilidade da Poupança após os descontos do Imposto de Renda e CPMF.
Para os poupadores classificados como "médios", isto é, aqueles que têm entre R$ 5 mil e R$ 50 mil para aplicar, a lucratividade é um pouco maior em função de conseqüentes melhores taxas de juros. "No mercado, os rendimentos são moldados sobre o volume investido. Quem tem mais, ganha mais", equaciona Cafeo.
Bom mesmo, como sempre e em tudo, é para quem tem muito dinheiro. Para os grandes investidores, que dispõem de quantias acima de R$ 50 mil para aplicações, o mercado garante até 99% das taxas de juros. Esses, são agraciados com os mais altos índices pagos no mercado e nem mesmo os descontos com CPMF e IR parecem ser motivo de preocupação. Como fica claro deduzir, aos trabalhadores só resta mesmo apelar para a Caderneta de Poupança, que, apesar de pouco rentosa, ainda mantém a vantagem da isenção da CPMF.
Mesmo assim, a procura pela Poupança tem sido declinante, o que já estimula projeções de mudanças no mercado consumidor a partir de agora. Os baixos rendimentos desestimulam os micropoupadores a guardar dinheiro e, por conseqüência, refletem imediatamente no aumento do consumo. "Se o trabalhador não tem incentivos para poupar, certamente irá gastar o pouco que sobrou. Temos vários indícios de que a economia se aquecerá nos próximos meses. Se aumenta a compra, aumenta o emprego e a economia anda", analisou o economista. Nessa realidade prevista, o aspecto negativo seria a baixa da reserva de recursos para financiamentos sociais, a exemplo dos firmados para a construção de núcleos habitacionais. Mais uma vez, é quem tem pouco dinheiro que sai perdendo.