Agudos completa hoje os 102 anos
O cantor Jair Rodrigues é uma das atrações da festa de comemoração aos 102 anos de emancipação político-administrativa
Agudos - Hoje, dia 27, Agudos completa 102 anos de emancipação político-administrativa, mas a principal atração das comemorações programadas pela Prefeitura do Município está agendada para o domingo, 30. O cantor e compositor Jair Rodrigues, lançado no mundo da MPB no festival da TV Record, vai realizar um show na cidade. O evento acontecerá ao ar livre, na Praça Tiradentes, localizada no centro de Agudos, a partir das 20 horas. Para quinta-feira, está programado o desfile cívico-militar, uma tradição na cidade.
Conhecida nacionalmente por abrigar em suas terras a Cervejaria Brahma/Skol, Agudos, a exemplo da maioria dos municípios do Interior do Estado, foi fundada por cafeicultores que expandiam suas plantações na região. Seus primeiros sinais de povoamento foram registrados por volta de 1855, ano em que Faustino Ribeiro da Silva adquire propriedades rurais de posseiros nas imediações da Serra dos Agudos. Mas a lei que criou o Município de São Paulo dos Agudos só foi promulgada 43 anos depois, no dia 27 de julho de 1898, pelo então vice-presidente do Estado de São Paulo, Francisco Assis Peixoto Gomide.
Arquivos históricos da Biblioteca Nacional revelam que Agudos era para ter sido o ponto de partida dos trilhos da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Na efervescência da discussão da ligação ferroviária São Paulo-Mato Grosso, no começo deste século, promovida pelo Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, a recomendação da entidade era de que o início da construção da Noroeste do Brasil se desse no ponto final dos trilhos da então Estrada de Ferro Sorocabana. A ferrovia fincou seus dormentes em Agudos no dia 25 de setembro de 1903.
Mas a burocracia para formar o capital e legalizar a companhia que iria explorar a Noroeste consumiu mais um ano de discussões, tempo suficiente para os trilhos da Sorocabana avançarem mais 15 quilômetros, chegando, então, a Bauru, onde finalmente se deu o início da construção daquela estrada de ferro. Em outras palavras, o progresso vultuoso alcançado por Bauru em consequência das ferrovias era, na verdade, uma sina de Agudos, que por ironia do destino não se confirmou por causa da burocracia estatal. Significado e origem do nome de Agudos
Agudos, serra de São Paulo, Brasil. Grande serra entre os rios Tietê e Paranapanema são referência de dicionários a Agudos. João Mendes de Almeida, que durante anos dedicou-se à interpretação dos nomes dados pelos indígenas às localidades brasileiras e acidentes topográficos, no dicionário geográfico de sua autoria, cita vários morros e serras existentes no Estado de São Paulo com a mesma designação
(Agudo e Agudos) e conclui que "todos esses morros e serras têm as encostas íngremes ou a pique, formando extensos e alcantilados paredões".
Inicialmente, Agudos chamava-se São Paulo dos Agudos, por São Paulo ser o padroeiro da cidade e situar-se o município na serra do mesmo nome. Agudos também é conhecida por Princesa Industrial, Açucena da Serra e Terra da Cerveja. Pontos turísticos e históricos Seminário Santo Antonio
O início da construção do Seminário Santo Antônio de Agudos já completou mais de meio século. Foi por volta de 1947 que a Ordem dos Fransciscanos chegou a cidade. Os freis vieram da localidade de Rio Negro, uma cidade encravada na divisa dos Estados do Paraná e Santa Catarina, em busca de um local que suportasse o grande interesse pelo sacerdócio no País. Na época, eles já haviam se mudado para Blumenau-SC em busca de um clima melhor.
O local onde está instalado o seminário foi adquirido da fazenda Santo Antônio, de propriedade de Maria Ornellas de Barros, ao custo de 2 milhões de cruzeiros. Para levantar o prédio foi chamado o construtor Armando Carrara, de grande reputação na época. Ele acompanhou a obra do seminário por quase 15 anos, ausentando-se apenas no
último ano, por motivos de saúde. Carrara morreu em 1962.
Dois grandes nomes da Igreja Católica passaram pelo seminário. O teólogo Leonardo Boff, defensor da Teologia da Libertação, frequentou o local como aluno. Dom Paulo Evaristo Arns, ex-arcebispo metropolitano de São Paulo, foi professor e orientador do seminário entre 1953 e 1956.
Theatro São Paulo
O Theatro São Paulo foi construído em 1910 pela dinâmica comerciante Carolina de Oliveira Rocha, filha do coronel Delfino Alexandrino de Oliveira Machado, um dos fundadores da cidade. Até 1926, o teatro foi arrendado para o italiano Fortunato Andreotti. Em 1926, é vendido por Carolina para o construtor de obras Arcângelo Napoleone.
Em 25 de janeiro de 1927, após passar por uma reforma, o Theatro São Paulo foi reinaugurado. Até 1931, administrado pela família Napoleone, o local era palco para a exibição de filmes e apresentação de grandes companhias de teatro. Em 1931, o prédio é arrendado a João Bigarelli, descendente de imigrantes italianos. Em 1936, associado ao irmão, Jerônimo, João compra um moderno projetor de filmes.
Em 1944, a sociedade é desfeita e Jerônimo passa a gerenciar o Cine Theatro. Em 1953, assume a administração do local Angelo Zonta. Com a concorrência da televisão, começam a ser feitas reformas no prédio, que acabariam por descaracterizar a construção interna original. Em meados dos anos 80, o prédio é comprado da família Napoleone pelo Banco do Brasil.
O Theatro São Paulo permaneceu abandonado e em deterioração até 1995, quando foi adquirido pela Prefeitura e transformado em patrimônio histórico da cidade. Atualmente funciona nele a Biblioteca Municipal. Fazendas centenárias exploram turismo rural
O Município de Agudos é privilegiado por uma paisagem exuberante formado pela serra do mesmo nome. As nascentes do rio Batalha estão em suas terras. Quedas d'água, riachos e sedes de fazendas centenárias começam a ser explorados pelo turismo rural, uma atividade comercial que deverá dar um novo impulso a cidade.
As fazendas São Benedito e São João e mais o sítio Sinhá Moça oferecem estrutura para hospedagem, como piscina, cavalos e muito verde para quem quer sentir o prazer de uma vida mais tranquila junto a natureza.
Comércio Agudos produz 3% da cerveja brasileira
Três por cento da bebida alcoólica mais popular do País, a cerveja, é produzida em Agudos pela Companhia Cervejaria Brahma/Skol. A história da cervejaria remonta a setembro de 1951, quando a Companhia Paulista de Cervejas Vienense, com tecnologia e capital austríaco, instalou-se na cidade.
Três anos depois, em 1954, a Cia. Cervejaria Brahma assume o controle acionário da empresa. De fama nacional, a cerveja de Agudos é disputada em pontos de venda de todo o País. O segredo do produto está no manancial de água utilizado na sua fabricação, de excelente qualidade.
No ano passado, a Brahma/Skol investiu R$ 14 milhões na fábrica de Agudos para atender ao projeto de dobrar sua capacidade de produção até o ano 2000. Uma floresta de 30 milhões de pinus
Em agosto de 1957, a Sociedade Agroflorestal Monte Alegre chegou a Agudos para transformar a região numa das maiores florestas de pinus do País. Um ano depois, em 1958, foi plantada a primeira quadra, com 87 mil pés da árvore, dando origem a atividade industrial do Grupo Freudenberg, de origem alemã.
Em 1988, a empresa é adquirida pelo Grupo Duratex S/A, proprietário hoje de uma das mais modernas fábricas de chapas de madeira do tipo MDF-Madefibra, especial para a utilização na indústria moveleira. Atualmente, a Duratex explora uma
área industrial de 350.000 metros quadrados e uma área florestal de 13 mil hectares com cerca de 30 milhões de
árvores do tipo pinus.