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Energia elétrica

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 5 min

Seguro por "danos elétricos" será substituído

Texto: Josefa Cunha

A ACE e a Cigma, seguradoras que operam em parceria com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), estão estudando a oferta de um novo produto para substituir o seguro contra danos elétricos aos usuários que optaram pelo contrato em conta. A medida objetiva atender à determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que anteontem anunciou a proibição definitiva da comercialização desse seguro, considerando que o ressarcimento por danos decorrentes de problemas elétricos

é de única e exclusiva responsabilidade das empresas energéticas, independente de pagamento por tal cobertura.

A assessoria das seguradoras informou que a decisão da Aneel será integralmente acatada, tanto que as novas adesões foram suspensas até que um novo produto seja incluído no lugar do seguro contra danos elétricos. A previsão

é de que isso ocorra na segunda quinzena de agosto. Por conta disso, as seguradoras ainda não sabem como procederão em relação ao ressarcimento àqueles que vinham pagando desde março último.

A CPFL ganha uma porcentagem sobre os contratos de cobertura, mas, até o momento, não se teria calculado qual a cota que o seguro contra danos elétricos - ou seja, de responsabilidade da Companhia - representa. Ontem, a Assessoria de Imprensa da CPFL, em Campinas, informou que o esquema de devolução ainda não foi discutido pela empresa. "Não temos nada a dizer sobre esse assunto por enquanto, mesmo porque a Aneel não nos comunicou oficialmente sobre a decisão. Em relação aos contratos de seguro, também não podemos nos manifestar. Esse é um negócio que diz respeito apenas às empresas seguradoras e aos clientes que optaram por fazê-lo", declarou um dos assessores.

Indefinições à parte, o certo é que a ACE e a Cigma continuarão trabalhando com a oferta de seguros aos clientes da CPFL. Atualmente, 125 mil pessoas já teriam aderido ao sistema no Estado de São Paulo. Fora o seguro contra danos elétricos, que permanece com cobertura até que ocorra a pretendida substituição, o contrato prevê seguro em caso de queda de raio, incêndio e explosão, além de disponibilizar assistência 24 horas para emergências com encanamento, rede elétrica e chaves. Vale salientar que o questionado seguro contra danos elétricos vinha sendo operado com franquia de R$ 100,00

(leia testemunho de caso nesta página).

Os segurados também possuem cobertura financeira em caso de desemprego, morte e invalidez. Segundo a assessoria da Cigma, responsável por esse ramo de seguros, o contrato garante pagamento de quatro meses de conta de energia aos clientes que comprovarem dispensa após 12 meses de trabalho ininterrupto e jornada de pelo menos 30 horas semanais. No caso de morte ou invalidez do titular, o tempo de cobertura das contas de energia

é estendido para 12 meses.

Apesar do aparente benefício do seguro cobrado através das contas de energia, o assunto merece um comentário pontual e crítico. Nem CPFL nem seguradoras se preocuparam ou se interessaram em anunciar a instituição do seguro

à grande massa de usuários. A adesão "voluntária" veio por meio de uma capciosa segunda conta, a qual trouxe dúvidas sobre sua obrigatoriedade ou não de pagamento. Sem saber ao certo do que se tratava, muita gente acabou pagando e, automaticamente, formalizando um contrato tido como bilateral. E mais: em nenhum um momento se declinaram a detalhar à clientela o produto pelo qual estavam cobrando.

Serviço

Clientes da CPFL interessados em saber mais sobre o seguro em conta ou dispostos a pedir seu cancelamento devem entrar em contato direto com as seguradoras pelo fone 0800-558805. Para tirar dúvidas com a CPFL, o fone é o 0800-101010. Para ambos os números, a ligação é gratuita.

Seguro não cobriu o conserto

O servidor público municipal Onísio Ludgero da Silva não teve boa experiência com o seguro em conta da CPFL. Beneficiário do contrato desde março último, Silva deparou-se há pouco mais de um mês com a necessidade de acionar o serviço pelo qual vinha pagando.

No início de junho, sua residência, no Jardim Vânia Maria, foi atingida por um curto-circuito decorrente de pane na rede elétrica externa. De saldo do incidente, um videocassete com transformador de força, fonte retificadora e capacitores eletrônicos danificados.

Silva contou que comunicou o fato à CPFL pelo 0800 e foi informado sobre a visita de um técnico para a constatação da origem do problema. A resposta foi imediata e, no dia seguinte, o funcionário da Companhia verificou que a falha realmente era de responsabilidade da energética. "Recebi vários papéis, preenchi tudo certinho e fui, conforme orientação do técnico, fazer um orçamento para o conserto do aparelho. O reparo iria ficar em R$ 115,00 e a CPFL o autorizou, depois, é claro, de eu ter apresentado xérox de três contas para provar o pagamento do seguro. Eles se comprometeram em reembolsar o dinheiro em 10 dias, mas, para garantir, paguei com um cheque para 30 dias", relatou.

Transcorrido o período prometido para o reembolso, Silva notou que o dinheiro não havia sido depositado. "Voltei a procurar o atendimento em Bauru, mas daí o negócio já não podia mais ser tratado aqui. Me mandaram entrar em contato com a seguradora em São Paulo, que alegou ter feito um depósito de R$ 15,00. Só aí fui saber que existia uma franquia de R$ 100,00 e que eu amargaria a maior parte do prejuízo. Não tive dúvidas em acionar o Procon, mas ainda não obtive resposta. Se eles não resolverem, vou procurar a Justiça. De qualquer forma, vou pedir o cancelamento do seguro", avisou, insatisfeito.

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