Geral

MST

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

MST começa deixar área em Cabrália

Texto:Tânia Fonseca

O novo acampamento começaria a ser montado pelos sem-terra ainda ontem, em área por eles não divulgada

Cabrália Paulista - Até o início da noite de ontem, os sem-terra que ocupavam a fazenda Novo Estilo, no município de Cabrália Paulista, ainda não haviam definido um local para o novo acampamento já que, por ordem judical, deveriam deixar a área até o final do dia. Um dos locais mais cotados era uma estrada que dá acesso à fazenda Santo Antonio, no município de Piratininga. "Assim ficamos próximos da Santo Antonio, que já foi declarada como improdutiva pelo Governo", disse uma das lideranças do movimento, César de Lima.

A ordem para desocupação da fazenda em Cabrália chegou logo no início da manhã de ontem quando duas oficiais de justiça da Comarca de Duartina, acompanhadas pela Polícia Militar, foram até os portões da fazenda fazer o comunicado aos integrantes do MST.

Num primeiro momento, os sem-terra se recusaram a desocupar a propriedade e fizeram uma pauta de reivindicações que incluía caminhões e ônibus para o transporte e lonas plástica para a montagem dos novos barracos. Durante todo o dia, sem -terra, PM e oficiais de justiça permaneceram parados no local enquanto as reivindicações eram providenciadas. Com o anúncio, no final da tarde, de que o transporte já estava definido, os sem-terra iniciaram o desmanche dos barracos. Toda a mudança deveria ser feita ainda ontem, mas até o começo da noite nenhum veículos transportando pertences dos sem-terra havia deixado a fazenda.

Segundo o capitão PM Messias, uma das exigências dos sem-terra era de que os policiais não acompanhassem o comboio. "Ainda vamos tentar negociar com eles, porque uma das nossas funções é não permitir uma nova invasão de propriedade", explicou o capitão, por volta de 19 horas de ontem.

Os sem-terra ocuparam a fazenda Novo Estilo, em Cabrália Paulista, em abril deste ano. A gleba, localizada no quilômetro 271 da rodovia Engenheiro João Batista Cabral Rennó

(Bauru-Ipaussu), foi sede de uma grande granja na década de 80 e segundo lideranças do MST, estaria abandonada há anos. Nos quase 400 alqueires da fazenda não há cultivo ou criação de gado e as estruturas que antes abrigavam a granja sofrem a degradação do tempo.

Antes de ir para a Novo Estilo, os sem-terra estavam acampados

às margens da rodovia Bauru-Jaú, em Bauru. Eles querem que o Incra vistorie a propriedade e a inclua na lista de terras passíveis de desapropriação.

Apesar da aparência de abandono, o administrador da propriedade, Miguel Ribeiro da Costa, alega que foi contratado há alguns meses justamente para coordenar um trabalho de reforma, que iria desde à recuperação da estrutura física da fazenda ao preparo da terra para o plantio. "A intenção do dono, o senhor Sérgio Yanes, é começar a plantar em setembro", afirma.

Para César de Lima, um dos coordenadores da ocupação, a resposta do administrador é a mesma ouvida a cada invasão.

"É só a gente entrar numa área que o proprietário resolve plantar alguma coisa para despistar. Sempre é assim.

Logo após a invasão da fazenda Novo Estilo, o proprietário Sérgio Yane, que reside em São Pauloentrou na Justiça com pedido de reintegração de posse, o qual foi concedido, culminando com a ordem de desocupação que começou a ser cumprida ontem.

Comentários

Comentários