Geral

500 anos do Brasil

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 3 min

Um grito sufocado

Texto: Ricardo Polettini

Projeto propõe reflexão sobre os 500 anos de Brasil com audiodocumentário, fotos e debates, na praça Rui Barbosa

Dispostos a percorrer os quase 2 mil quilômetros que separam Bauru da costa baiana, 16 universitários saíram da cidade em abril com o objetivo de registrar as manifestações sobre os 500 anos de Brasil naquele estado. Com a boa vontade de caminhoneiros e turistas, os caroneiros chegaram ao seu destino.

O resultado foram muitas fotos, 22 horas de gravação sonora com depoimentos e rituais e, o mais importante, a experiência de terem participado de um dos momentos marcantes da história brasileira. Todo esse material vai estar exposto na Praça Rui Barbosa a partir de amanhã, às 10 horas, com uma apresentação de índios guarani da aldeia Nimuendaju, que fica próxima a Bauru.

A proposta do projeto "O Grito de Coroa Vermelha" é justamente dar voz aos acontecimentos ocorridos durante a Marcha Indígena, Negra e Popular e a Conferência Indígena 2000, em Santa Cruz Cabrália (BA) e que, segundo eles, não chegaram por esses lados. Fatos como a violenta repressão policial, sob o auspício dos governos federal e estadual da Bahia, relatados amplamente pela imprensa internacional.

"Estávamos lá e vimos tudo de perto, eu mesmo cheguei a ser preso junto com muitas pessoas. Eles iam prendendo sem perguntar nada", lembra Roberto Della Santa, 19 anos, estudante de jornalismo.

Instalação

Uma enorme tenda de bambu abrigará as dezenas de fotos e textos que ficarão expostos na praça Rui Barbosa de amanhã a terça-feira, 24 horas por dia, em esquema de vigília. Como pano de fundo, um audiodocumentário de cerca de 40 minutos com rituais indígenas, depoimentos e sons da violência registrada no local.

O documentário será mostrado na íntegra em sessões agendadas para os três dias, às 11 e 15 horas e às 16h30. Fora das sessões, servirá como ambiência sonora da exposição.

Além disso, os estudantes que participaram da viagem vão ficar de plantão no local e irão promover debates sobre cidadania, a questão das minorias raciais no País e outros temas relativos aos 500 anos de Brasil. A data também foi escolhida por coincidir com as comemorações dos 104 anos de Bauru.

A praça Rui Barbosa não foi escolhida por acaso. Lá, o marco inicial da cidade traz um texto assinado pelo historiador Gabriel Ruiz Pelegrina, inscrito sobre o bronze, que relata, entre outros pontos, o confronto dos pioneiros bauruenses com os índios caigangue. É sobre esse marco que será erguida a tenda.

Programação

Além da apresentação dos índios guarani, amanhã de manhã, na segunda-feira, encerrando os debates do dia, haverá uma apresentação de capoeira com os Angoleiros do Sertão. Na terça, a Cia de Dramas & Folias apresenta a esquete teatral "Auto da Nau de Cabral".

"Esse é um trabalho totalmente desvinculado de interesses políticos e institucionais ideológicos, que vem transmitir informações e experiências num momento de intenso movimento social", esclarece o estudante de jornalismo Marcelo Barbosa Spaolonse, 22, da equipe que viajou

à Bahia.

Segundo ele, o audiodocumentário será distribuído a rádios comunitárias e o projeto ainda terá caráter itinerante, percorrendo outras cidades.

Serviço

"O Grito de Coroa Vermelha", abertura a amanhã, 10h, com apresentação indígena; projeto segue na segunda, com capoeira Angola e terça, com performance teatral. Grátis, na praça Rui Barbosa. Instalação permanente nos três dias.

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