Alimentos começam a ficar mais caros para o consumidor
Texto: Patrícia Zamboni
Depois do aumento do leite, o consumidor já está comprando feijão com cerca de 25% a 30% de aumento. Derivados do trigo e carnes devem seguir este caminho
Em função das geadas e período de entre-safra, alguns produtos básicos da alimentação do brasileiro estão ficando mais caros, como o feijão. Outros, segundo especialistas do setor supermercadista, terão alta em breve, como carnes e derivados do trigo. Após uma consulta feita em diversos supermercados da cidade, foi possível constatar um aumento médio entre 25% a 30% no preço de venda do feijão ao consumidor final. O leite já está mais caro desde junho. O aumento girou em torno de 20%.
Na opinião de Marcos Renato Lourenção, comprador de um supermercado da cidade, o aumento nos preços da carne começarão a mexer no bolso da população dentro de 20 dias. "Eu acho que os preços da carne devem começar a mudar daqui a uns 20 dias, porque por enquanto, a maioria dos fornecedores ainda tem gado para corte e, por isso, nós ainda não compramos carne com novos preços. Além disso, os frigoríficos também têm trazido carne do Paraguai, que á mais barata do que a carne comprada no Estado de São Paulo", observa Lourenção.
De acordo com ele, a queda na safra do trigo, devido às geadas, já está mudando o preço de compra para o supermercado. Segundo a sua previsão, dentro de aproximadamente 15 dias os consumidores começarão a perceber o repasse gradativo dos preços da farinha. "Os moinhos já anunciaram o aumento de preço da farinha devido às geadas que prejudicaram a safra. Dentro de uns 15 dias, acredito que os preços vão começar a subir, gradativamente. Por enquanto, a maioria dos supermercados ainda tem o produto em estoque, comprado pelo preço antigo", diz Lourenção.
Em outro supermercado, o gerente operacional Reinaldo Aparecido Mastrângelo confirma os novos preços do feijão. Para se ter uma idéia, o pacote de dois quilos do feijão Pedretti teve alta de 20,4% no preço, sendo que era comercializado, até a semana passada, a R$ 2,89 e passou para R$ 3,48. O pacote, com essa mesma quantidade, do feijão Ubirama, passou de R$ 2,89 para R$ 3,58 (alta de 23,8%). Segundo Mastrângelo, a carne e os derivados de trigo ainda não sofreram alta.
Em outro estabelecimento, o gerente de compras Paulo Sanches informa o aumento de cerca de 30% no feijão. Na sua avaliação, a situação de entre-safra ainda pode resultar em novo aumento. Segundo ele, o aumento do trigo também já está sendo anunciado aos compradores. Portanto, em breve os preços devem mudar para o consumidor final. Porém, ainda não se sabe qual será o percentual de aumento.
Em relação à carne, Sanches acredita que já no início de agosto os preços devem estar mais altos. "Por enquanto, os frigoríficos estão conseguindo segurar os preços porque a exportação está boa. Mas, acredito que já no início de agosto, o reajuste para a carne será efetivado", analisa Paulo Sanches.