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Recursos Humanos

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Funcionário saudável é sinônimo de aumento de produtividade

Texto: Gustavo Cândido

Empresas que criaram programas de melhoria na qualidade de vida dos seus funcionários têm tido motivos para comemorar essa decisão. Investir na saúde dos empregados, comprovadamente, reduz os gastos com doenças ( e, conseqüentemente, com os planos de saúde), com o treinamento e aumenta a produtividade.

A criação de programas que visam a busca da qualidade de vida e melhoria da saúde dos funcionários é um expediente já comum em empresas na Europa e nos Estados Unidos, que ainda está começando no Brasil, onde apenas alguns grandes grupos, na maioria multinacionais, adotaram a filosofia. Entre eles estão a DuPont, a Xerox, a Pfizer, a Avon, a Natura, o Grupo Pão de Açúcar e a empresa de transportes São Geraldo.

A idéia e fazer com que os funcionários possam, sem sair da empresa, fazer exercícios físicos como forma de relaxamento e estímulo. É a chamada ginástica laboral - exercícios físicos feitos no local de trabalho para corrigir vícios posturais e prevenir doenças ocupacionais. A maioria das empresas que possuem esses programas também realizam avaliações físicas e mantém um acompanhamento médico para os funcionários, mas algumas vão além e incluem também profissionais para realizar massagens, controle de estresse e recreação.

As vantagens (leia no boxe), não demoraram a surgir. Além da redução do número de faltas por doenças evitáveis e gastos com o convênio médico, as empresas puderam constatar um aumento na produtividade, causado pela motivação dos funcionários que cresceu. Na São Geraldo, o número de acidentes evitáveis caiu em 40% em um ano e na ACS Call Center, os afastamentos médicos diminuíram em 80% desde a instalação do programa, por exemplo. Outra vantagem das empresas é a queda de rotatividade, já que os funcionários satisfeitos não pensam em trocar de emprego.

Para as pequenas também

Na opinião do administrador de empresas e consultor organizacional Paulo Henrique de Araújo, autor do livro "Motivando o Talento Humano", o fato da maioria das empresas que desenvolvem projetos de qualidade para os seus funcionários serem multinacionais não significa que as empresas brasileiras estejam atrasadas nesse aspecto. Segundo Araújo é um processo natural que está chegando ao País gradualmente. O mesmo se aplica ao tamanho das companhias. De acordo com o consultor, além dos grandes grupos, empresas médias e pequenas já desenvolvem programas para melhorar o ambiente de trabalho que são equivalentes. "Muitas empresas criam espaços destinados a diminuir o estresse dos funcionários sem gastar muito. São espaços com plantas, com pinturas em cores alegres, que descontraem. Tudo isso colabora da mesma maneira com a motivação, a diminuição de acidentes e doenças e a queda da rotatividade", diz Araújo,

"isso porque, melhorar a qualidade do ambiente para o funcionário

é vantagem para todos os tipos de empresas, eu conheço uma retífica com plantas, extremamente limpa...", completa.

Segundo Araújo a falta de dinheiro não deve ser uma desculpa para que as empresas menores não considerem a possibilidade de investir em seus funcionários, já que mudar e melhorar o ambiente não custa muito, "existem empresas que não podem fazer uma sala de musculação para os seus funcionários, mas podem muito bem fazer um convênio com uma academia, pagando uma porcentagem das aulas de ginástica ou natação", afirma. Outra possibilidade, é a contratação de um personal trainner para orientar os funcionários na própria empresa, o importante é que a atividade seja adequada ao trabalho desenvolvido pelos funcionários.

Os números do prejuízo

As empresas brasileiras gastam R$ 12,5 bilhões por ano, com acidentes de trabalho e doenças relativas à profissão que são evitáveis.

Os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho

(Dort) e Lesão do Esforço Repetitivo (LER), são a segunda maior causa de afastamento de trabalhadores no Brasil. Segundo dados do INSS, nos últimos cinco anos foram registrados 532.434 afastamentos, sem contar os casos que ainda estão na Justiça. A maioria dos funcionários que pedem afastamento estão no auge da vida produtiva, ou seja, entre 30 e 40 anos. As profissões que mais apresentam casos de Dort e LER são: bancários, operadores de linha de montagem, operadores de telemarketing, digitadores, jornalistas e secretárias.

Vantagens para todos

As empresas que já adotaram programas de qualidade de vida para os seus funcionários já puderam verificar, com dados seguros, as vantagens dessa empreitada. Veja os resultados:

* Diminuição dos casos de doenças ocupacionais

* Redução nos gastos com convênios

* Redução do número de funcionários que solicitam afastamento médico e também do tempo de duração das licenças

* Maior satisfação dos funcionários, que não pensam em mudar de emprego

* Aumento de produtividade. O profissional fica com a estima elevada e trabalha melhor

* A imagem da empresa melhora perante a sociedade

* Maior facilidade de contratação, já que os programas de qualidade e saúde são atraentes

Para os funcionários os ganhos também são muitos:

* Mais motivação para o trabalho e para cuidar de si próprio

* Oportunidade de exercitar o corpo, perder quilos em excesso e alimentar-se de modo mais saudável, aumentando a sensação de bem-estar e reduzindo as chances de adquirir alguma doença

* Melhor integração no ambiente de trabalho e maior proximidade dos colegas

* Ganho de tempo e dinheiro porque não precisa sair do trabalho para fazer ginástica, nem pagar por isso

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