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Redação
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Turistas de Avaré viram reféns no PA

Dos 15 pescadores que estão sendo mantidos como reféns por índios caiapó, dez são de Avaré e cinco de Novo Progresso

Cerca de 50 índios guerreiros da etnia caiapó mantêm, desde sexta-feira, 15 turistas como reféns na aldeia Baú no município Novo Progresso (sul do Pará, a 600 km de Altamira). Dez deles são empresários e comerciantes de Avaré. Os outros cinco são de Novo Progresso.

Os índios dizem que a reserva vem sendo invadida há muito tempo por madeireiros e pescadores e se dizem cansados de apelar à Funai sem obter qualquer providência. A Polícia Federal em Santarém e Belém foi acionada para negociar com os índios a libertação dos reféns, o que deveria acontecer ontem de manhã, quando um avião pousasse na aldeia com três agentes federais.

O funcionário da fundação Nacional do Índio em Mato Grosso, Francisco Rocha, deslocou-se no início da tarde deanteontem em avião fretado até a aldeia. Ele falou com um rádio-amador de Belém, mas disse que ainda não tinha os nomes dos 15 reféns.

Segundo o administrador da Fundação Nacional do

Índio (Funai) de Colider (MT), Megaron Txucarramãe, os turistas invadiram a terra dos índios pelo rio Curuá, quando iniciavam uma pescaria no local. Os índios estavam fazendo uma inspeção de rotina no território quando encontraram o grupo.

Para libertar os turistas, os caiapós exigem a presença da Polícia Federal, Funai e imprensa no local. Eles reivindicam a demarcação da área indígena Baú, que tem cerca de 1.850 hectares.

"Há 20 anos eles querem a demarcação mas nada aconteceu. Os caiapós estão cansados", disse Megaron. Um funcionário da Funai já está no local e agentes da PF seguiriam ontem até a aldeia.

Apesar de estarem pintados para guerra, Megaron garante que não houve violência física contra ninguém do grupo. O administrador lembra, no entanto, que algumas pessoas de Novo Progresso estariam ameaçando tirar os pescadores do local

à força.

"O que acontece é que ninguém os avisou que eles estavam invadido terra de índio", disse o administrador.

Cerca de 4 mil caiapós vivem em três áreas indígenas já demarcadas que ficam no sul do Pará e norte do Mato Grosso. Segundo Megaron, os políticos locais são contra a demarcação da reserva indígena do Baú.

Comida

Acabou ontem a comida dos 16 turistas mantidos como reféns por índios caiapós no sul do Pará. O grupo está detido desde sexta-feira e as negociações para sua liberação estão paralisadas.

Segundo o administrador da Funai em Colider (MT), cacique Megaron Txucarramãe, duas equipes da Polícia Federal devem chegar hoje ao município de Novo Progresso (sul do Pará), a 60 km da região onde estão os reféns.

Ontem, um funcionário da Funai deveria seguir para a aldeia Baú, perto de onde estão os reféns, levando comida e uma carta do presidente do órgão, Glenio da Costa Alvarez, mas a aeronave quebrou. Os contatos são feitos por mensageiros.

Transporte difícil

"Agora estamos tentando alugar outro avião na região, mas encontramos dificuldade porque a maioria das aeronaves está ocupada", disse Megaron. Na carta, Alvarez garante que o processo de demarcação da terra indígena Baú (de 1,85 milhão de hectares) está avançando, mesmo com as contestações judiciais. Alvarez pede paciência aos índios.

Há cerca de 20 anos, os índios reivindicam a demarcação da área. Os políticos locais, no entanto, contestam.

"Eles querem é ficar com metade do município", disse o prefeito de Novo Progresso, Juscelino Rodrigues (PSDB).

A principal área de tensão está na estrada vicinal que liga a sede do município à reserva. Para os caiapós, os limites da reserva avançam cerca de 30 km da margem direita do rio Curuá. Para os políticos da região, o limite deve ser até a margem esquerda do rio.

Clima tenso

Os turistas haviam feito um acampamento na margem direita do rio para praticar pesca esportiva. "Não entendo essa reação. Há cerca de oito meses nós tivemos uma reunião e eles prometeram não ultrapassar mais os limites do rio", disse o presidente da Câmara Municipal de Novo Progresso, Jovenil Vargas (PSDB).

Megaron contesta o acordo. "A Funai tem laudos de especialistas que atestam que os limites são além do Curuá", disse. Segundo Vargas, há decisões judiciais dando respaldo à posição da Prefeitura e da Câmara.

O clima em Novo Progresso está tenso desde sexta-feira, quando 50 guerreiros caiapós impediram a saída dos turistas. No final de semana, quatro pessoas moradoras do município foram liberadas pelos caiapós depois de uma negociação intermediada por um índio e pelo vereador Rubens Nestor da Silva (PMDB).

Informações desencontradas

Os índios também apreenderam cinco barcos tipo voadeira e cinco motores que seriam usados na pescaria. Há informações desencontradas, em especial aquelas divulgadas por radioamadores da região. Houve boatos de que os índios teriam amarrados os reféns a árvores, mas a Funai negou a história.

Anteontem, um grupo de fazendeiros do município ameaçou tirar à força as pessoas do cativeiro, mas foram detidos. "Tivemos que acalmar os ânimos", disse o presidente da Câmara.

Há cerca de dois anos, os caiapós mantiveram garimpeiros como reféns. No ano passado, segundo Vargas, os índios teriam saqueado propriedades que ficam na margem direita do rio.

Atualmente, cerca de 4 mil caiapós vivem em três reservas já demarcadas no sul do Pará e no norte do Mato Grosso.

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