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Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 8 min

Candidatos falam em educar motorista, mas radar

é tabu

Texto: Nélson Gonçalves

A instalação de radares e lombadas eletrônicas como forma de controle do trânsito em Bauru foi abordada pelos sete candidatos a prefeito, ontem, na série de reportagens da eleição 2000 do "Compromisso de Campanha". O ponto em comum entre a grande maioria dos candidatos, exceto Nilson Costa (PPS) e Thomaz Zamonaro (PRN), foi que o controle de velocidade no trânsito deve ser feito de maneira educativa e não punitiva sob o aspecto financeiro. Cinco candidatos falam que vão rever o sistema atual. Apesar disso, apenas Thomaz Zamonaro assume que retiraria os radares e lombadas eletrônicas instalados na cidade se fosse eleito prefeito.

O tema é bastante polêmico e também um chamariz para os discursos apelativos no período eleitoral. Menos Nilson Costa (PPS), atual prefeito e autor da instalação dos equipamentos, os demais consideram um absurdo as multas aplicadas contra os usuários infratores. O tema, assim, fica entre dois pólos polêmicos: de um lado a necessidade de políticas de gerenciamento de trânsito que coíbam infrações por velocidade e, de outro, a indigesta e negativa reação de quem foi multado.

O prefeito Nilson Costa, alvo principal do assunto, argumentou que "Bauru não pode ser uma cidade imune ao que determina o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Nosso intuito não é multar, mas garantir vidas. Para isso, a cidade não pode ficar parada no tempo, com o controle manual do tráfego". Nilson Costa comentou que "em todas as cidades onde os equipamentos eletrônicos foram implantados houve redução nos índices de acidentes e da velocidade. Em pouco tempo, os motoristas infratores passaram a se disciplinar. A grande e imensa maioria respeita a legislação de trânsito, para quem os equipamentos são um benefício e não uma preocupação, porque estamos ajudando a garantir vidas humanas".

O prefeito-candidato apontou que quer "deixar nítido que não foi o prefeito ou o presidente da Emdurb que inventou a multa. Isso decorre de dispositivos do Código de Trânsito. Se tenta criar a idéia de que nunca houve aplicação de infração e que a Prefeitura impõe sacrifício para a população. A Prefeitura e a Polícia Militar, independente das lombadas continua fazendo o que sempre fez, fiscalizando, gerenciando o trânsito urbano, coibindo o estacionamento irregular, o uso de celular ao dirigir um veículo, etc.".

Nilson Costa comentou, ainda, que as infrações com lombadas caíram de 27 por dia para 11, em maio deste ano. No radar, disse, a queda foi de 159 infrações para 65 ao dia, totalizando 60% de redução nas multas aplicadas. "As multas atingem 0,037% dos usuários de veículos. A cada 2.716 motoristas que passam por radares e lombadas apenas 1 é multado. Se for por uma questão eleitoral, eu prefiro não contar com o voto de um único infrator contra 2.716 que obedecem a legislação e não são multados", afirmou.

Já para Thomaz Zamonaro (PRN) os equipamentos eletrônicos devem ser retirados da cidade. "Além da avaliação financeira sobre o Município, meu primeiro ato será retirar radares e lombadas de funcionamento. É um absurdo a aplicação de multas com valores estratosféricos, que não educam e punem o cidadão, retirando de seu bolso o pouco de dinheiro que ainda resta, quando ele tem. Os radares não educam, punem. O caminho é a conscientização do cidadão, exigindo mais ação da Polícia Militar contra os abusos. A própria Emdurb afirma que as multas atingem pouca gente, então vamos educar essa minoria e não puni-los com multas abusivas, de mais de R$ 500,00", disse.

O candidato da coligação Viva Bauru, Pedro Tobias

(PDT), afirmou que vai acabar com a "indústria de multas". Para ele, "Bauru está na contramão do que existe de mais moderno em termos de trânsito. Todas as cidades modelo nesta área estão investindo maciçamente na educação para o trânsito de sua população, principalmente de seus jovens. Em nossa cidade, contrariando esta postura, o atual governo aposta na punição financeira de seus moradores".

Tobias ironizou, que "a cidade perdeu muitas indústrias nos últimos 18 anos, na maioria dos casos por incompetência dos prefeitos anteriores. Talvez para compensar estas perdas é que o prefeito Nilson Costa tenha partido para a criação desta indústria das multas que está instalada em nossa cidade. Mas não é deste tipo de indústria que nossa cidade precisar, senhor prefeito. O prefeito de Marília foi humilde ao reconhecer que os radares escondidos não surtiram qualquer efeito positivo para o trânsito local e teve a coragem política de mandar retirar toda esta parafernália das ruas".

O candidato do PDT promete "priorizar a educação para o trânsito. Técnicos da área de trânsito que integram nossa campanha estão preparando nosso plano de governo para este setor. Queremos que Bauru seja modelo nacional na área do trânsito, através de campanha criativas e medidas mais eficazes. Nosso objetivo é fazer com que em um primeiro momento estas ações educativas substituam as atuais multas de elevado valor financeiro. A obrigatoriedade de frequentar cursos educativos ou mesmo prestar serviços para a comunidade teriam muito mais valor do que simplesmente punir com elevadas multas nossos motoristas", defendeu Tobias.

Já Tidei de Lima (PMDB) citou que "a questão do controle da velocidade nas vias urbanas, mesmo nas chamadas transmunicipais, é muito importante e um fator de acidentes. Mas o processo tem que ser educativo e não punitivo. Vamos alterar isso. Hoje o Código de Trânsito Brasileiro não contempla radares e lombadas sem as devidas placas de sinalização e a pelo menos 300 metros de distância. Os radares e lombadas não ficarão da forma atual".

Tidei de Lima afirmou que "essa forma eu não vou manter, com a empresa recebendo por uma espécie de produção por multas. Vamos riscar essa forma de nosso programa e atuar na educação do trânsito, sem punir o motorista pela sua maior dificuldade que é o bolso".

Carlos Sandrin (PT do B) entendeu que "os radares e lombadas devem ser usados só para advertir e não para multar. Quem tem um Fusca ano 80, por exemplo, perde o veículo se for pego sem atenção por duas vezes, porque a multa é de R$ 596,00. Ainda que fosse se cobrar a multa, o valor deveria ser economicamente viável, no sentido de advertência e não de arrecadação. A multa não vai salvar quem morre pela velocidade, mas sim a educação para o trânsito, a conscientização.

É um absurdo o motorista ser multado em valores tão altos por um descuido".

Para Tuga Angerami (PSB), o controle de velocidade no trânsito também passa pela educação. "A idéia que defendemos é que está faltando na Emdurb uma equipe especializada de engenharia de tráfego, para cuidar dessas e outras questões da área. Vamos aproveitar os quadros atuais e treinar um pessoal especializado. Não

é possível o Município contratar uma empresa de fora para controlar a velocidade dos veículos nas vias urbanas. Isso tem que ser feito através de um esforço pedagógico-educativo, inclusive a partir das escolas, para as crianças".

Tuga disse que não concorda "com a implantação de radar e lombada com proposta de receita. São equipamentos que podem ser incorporados, não como maneira punitiva, agressiva. Hoje o controle é agressivo e punitivo. Os dados mostram que 30% do que se arrecada com multas vai para a empresa de Florianópolis (SC). A empresa não pode instalar radar sem falar em arrecadar, é da economia privada, vem de longe para obter lucro, vantagem. Do jeito que está, a equipagem eletrônica é para fazer receita a mais com o uso do motorista, mesmo que seja o infrator", concluiu.

Por sua vez, Estela Almagro (PT) comentou que "para fazer uma política para o trânsito em nossa cidade é preciso avaliar vários pontos do tema, toda uma engenharia. E há muita gente da região que visita a cidade como consumidor. Precisamos ter um programa específico para as nossas vias. Isso implica na definição de velocidade conforme essas demandas. Agora, nós vemos a questão do excesso da velocidade como parte de um processo de educação do trânsito".

Conforme Estela, "todo mês a cidade forma novos 1000 motoristas. Eles estão sendo habilitados sem o processo desejado para que se torne um motorista conscientizado. Não há compromisso para que esse motorista seja formado. Eu vejo que as escolas, desde o ensino fundamental, precisa dar aula sobre trânsito para essas crianças. É preciso educar desde cedo". Para a candidata do PT, o equipamento eletrônico isolado não resolve nada. "As lombadas e radares eletrônicos são punitivos e punem aquele que, na maioria, não foi educado. É preciso um processo global que permita a educação, antes de multar. O motorista punido não muda seu hábito se não for educado. A lombada eletrônica é injusta".

Estela Almagro concluiu que "a lombada eletrônica inclusive tem aspectos discutíveis, porque chuva, vento, o estado da pista e do veículos podem alterar a velocidade registrada. Isso importa em erros. Foi aprovada na Assembléia de São Paulo uma lei, há dois meses, que obriga a administração a apresentar, além da foto da multa, um laudo comprovando que o equipamento está funcionando bem. A multa não

é o melhor método para educar e a insatisfação

é geral, criando um clima de revolta nos motoristas. Vamos rever todos os postos implantados".

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