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Inquérito

Adriana Rota
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Inquérito aponta negligência médica

Texto: Adriana Rota

Três médicos foram apontados como imprudentes e negligentes no caso da amputação da perna do cobrador José Marciano

Três médicos foram apontados como imprudentes, imperitos e negligentes no inquérito concluído ontem pelo delegado Dinair José da Silva, do 3.º Distrito Policial, que investigava o atendimento dispensado ao cobrador de ônibus José Vanderley Marciano, 40 anos, que no início de junho deste ano teve de amputar a perna direita em decorrência de uma trombose arterial. Eles foram responsabilizados por lesão corporal culposa.

O delegado responsável pelo caso afirmou que não se trata de omissão de socorro, mas de avaliações superficiais feitas pelos médicos, que mantiveram o posicionamento de o problema ter sido de coluna, irradiado para as costas. O resultado dos exames feitos pelo Instituto Médico Lega

(IML), no entanto, não deixariam dúvidas sobre a grave lesão causada pela trombose arterial.

De 15 a 20 pessoas foram ouvidas durante o inquérito, dentre médicos, familiares, testemunhas e a própria vítima. Depoimentos de especialistas no assunto, leituras científicas que versam sobre a matéria e na área de ética médica deram o embasamento considerado necessário pelo delegado para o entendimento do acontecido.

Como o crime de lesão corporal culposa (sem intenção de dolo) tem pena inferior a um ano, os médicos foram responsabilizados, não indiciados. Silva optou por não divulgar os nomes dos médicos por tratar-se de uma avaliação preliminar, ou seja, a Promotoria Pública ainda tem de analisar se vai ou não apresentar a denúncia. "Nesse caso específico, não existem provas materiais", disse.

Afirmar com segurança que a amputação era evitável, segundo o delegado, não é possível. Mas, no seu entender, não há dúvidas de que os procedimentos dos três médicos foram ineficientes.

"O certo seria ter pedido a internação, feito os exames e a cirurgia para desobstrução arterial".

Silva lembrou que, além das sanções penais, os responsáveis podem responder no âmbito cível, obrigando-os a indenização por danos físicos e morais. Paralelamente, a apuração instaurada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) pode resultar num processo disciplinar, em que os médicos envolvidos poderão ser punidos com advertência confidencial, censura individual, censura pública, suspensão do exercício por até 30 dias ou cassação do direito profissional. Devido à quantidade de processos analisados, a solução para o caso de Marciano pode demorar anos.

Entenda o caso

Marciano procurou o Pronto-Socorro Central em 15 de maio, porque sentia fortes dores na perna. Um médico vascular fez o atendimento prévio e o encaminhou para o Setor de Ortopedia do Hospital de Base, onde foi radiografado.

No dia seguinte, retornando ao PS Central, foi engessado da virilha até o ombro, sendo informado por um segundo médico

(o especializado em cirurgia plástica) que o problema não estaria na perna, mas nas costas. Na ocasião, a perna já estaria vermelha e sem sensibilidade.

Dois dias depois, com a perna arroxeada, o paciente foi até o PS Mary Dota onde um médico ortopedista diagnosticou o caso como trombose arterial. As células já estariam necrosadas.

Um quarto médico, do Hospital de Base, após análise detalhada constatou que a situação era irreversível e que a não-amputação representava risco de morte ao cobrador. A família registrou boletim de ocorrência, depois de ouvir diversas opiniões de especialistas que classificaram os primeiros atendimentos como inadequados.

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