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Penitenciária

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Preso agride companheiro de cela com tesoura

Texto: Rita de Cássia Cornélio

João Cardoso, o preso ferido, foi um marginal cruel. Ele chegou a cortar os bicos do seio de uma de suas vítimas e queimou a vagina dela com cigarro

Uma briga entre dois presos da Penitenciária II de Bauru causou ferimentos graves em João Cardoso, 42 anos, criminoso que aterrorizou os bauruenses na década de 70. Até o início da noite de ontem, ele estava internado no Hospital de Base, em estado regular.

A briga entre os dois presos que ocupavam a cela 37 do raio I aconteceu no início da noite de terça-feira. Segundo a polícia, os agentes penitenciários ouviram gritos que partiam da cela 37 e quando lá chegaram depararam com o preso João Cardoso ferido.

Cardoso recebeu golpes de tesoura supostamente desferidos pelo preso Ronaldo Demétrio de Oliveira. Os golpes atingiram a vítima no rosto, perna e braços. Cardoso foi socorrido ao Pronto-Socorro Municipal, onde permaneceu até ser transferido para o Hospital de Base.

O motivo da agressão, segundo o diretor de segurança e disciplina Carlos Alberto Pinto, será apurado em uma sindicância. O diretor não soube informar a gravidade dos ferimentos. Extra-oficialmente, o JC recebeu a informação de que o preso teve um de seus olhos furados. Pinto explicou que o preso Ronaldo Oliveira trabalha na barbearia e que, em função disso, tem acesso a tesouras.

Terror na década de 70

João Cardoso tem 42 anos e foi preso na década de 80. Os dez anos de vida marginal garantiram a ele uma pena longa, pelo grande número de crimes praticados. Ele cumpre pena por vários furtos, roubos, estupro, lesão corporal, porte e uso de entorpecente, receptação de armas, entre outros crimes.

De acordo com o delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), Cardoso foi um terror na década de 70 em Bauru. "Antigamente haviam menos marginais, mas de alta periculosidade. Cardoso era um deles. Na década de 70 ele e seu grupo aterrorizaram a cidade. Eles praticaram inúmeros crimes e quando eram cercados pela polícia, trocavam tiros", disse.

Do grupo que atuava com Cardoso, segundo o delegado, restam poucos.

"A maioria já morreu. Ele só não morreu porque foi preso. Ele era odiado por muita gente", contou. Em 1981 ele foi pego com dois quilos de maconha e três revólveres na cidade de Ibitinga", lembrou Cardia.

A especialidade de Cardoso era assalto à mão armada, especialmente contra casais de namorados. Um dos últimos crimes cometidos por ele foi o mais grave e pior de toda a sua carreira marginal. "Ele assaltou um casal de namorados. Barbarizou o rapaz e a moça. Chegou a queimar a vagina dela com cigarro e cortou os bicos de seus seios", contou o delegado.

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