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Polícia Federal

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

Diretor da PF acha que caso Nicolau é mais um mandado de prisão

Texto: Rita de Cássia Cornélio

O juiz aposentado está sendo procurado em todo o Brasil e no exterior. Todo o efetivo da PF está empenhado na prisão dele

A inauguração da nova sede da Polícia Federal

(PF) de Bauru, na manhã de ontem, contou com a presença de autoridades civis e militares, mas foi o diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho, o alvo das atenções.

É ele quem coordena o trabalho de "caça" ao juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, 72 anos, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Agílio Monteiro Filho foi bombardeado pela Imprensa, especialmente porque um jornal de grande circulação nacional publicou uma entrevista com o procurado.

O juiz aposentado respondeu a 29 perguntas feitas a ele através de um amigo particular. O ex-presidente do TRT de São Paulo disse que pretende apresentar-se à polícia desde que a prisão preventiva dele seja revogada e que seja garantido a sua ampla defesa. A seguir, os principais textos da entrevista com o diretor geral da Polícia Federal.

Imprensa: A publicação de uma entrevista com o ex-presidente do TRT/SP aumenta a pressão para a Polícia Federal, por ainda não ter encontrado o juiz aposentado?

Agílio: Eu não tive conhecimento da reportagem do jornal. A Polícia Federal está trabalhando para cumprir o mandado de prisão.

Imprensa: O juiz aposentado diz que se entrega se a prisão preventiva dele for revogada?

Agílio: Nós não vamos entrar no mérito se a Justiça vai ou não revogar o mandado de prisão. Temos uma ordem judicial para ser cumprida e estamos trabalhando para dar cumprimento à ordem.

Imprensa: A PF tem pistas do paradeiro de Nicolau?

Agílio: A PF está trabalhando diuturnamente para cumprir o mandado de prisão. Não podemos revelar o trabalho que vem sendo feito.

Imprensa: O senhor acredita que ele está no exterior ou em território nacional?

Agílio: Estamos trabalhando com todas as vertentes.

Imprensa: É verdade que o senhor pediu apoio ao FBI ?

Agílio: A PF solicitou apoio a Interpol e a todas as polícias. O juiz aposentado é um procurado internacional.

Imprensa: Onde ele está sendo procurado?

Agílio: Em todos os locais, onde existam indícios. Em todos os países onde há indícios. Não posso revelar quais os paises onde ele está sendo procurado, para não atrapalhar as investigações.

Imprensa: Se for encontrado, o ex-presidente do TRT/SP será preso e algemado?

Agílio: Depende das circunstâncias.

Imprensa: É verdade que os parentes do juiz aposentado, especialmente sua mulher suas filhas, estão sendo seguidos por agentes da PF ?

Agílio: A pena não passa de quem está sendo procurado.

Imprensa: Há alguma possibilidade de revogação da prisão preventiva?

Agílio: Isso é um problema do judiciário. Estamos trabalhando para cumprir a ordem judicial.

Imprensa: Há alguma hipótese de Nicolau dos Santos Neto estar no interior paulista?

Agílio: A PF trabalha com todas as hipóteses, ele está sendo procurado em todos lugares.

Imprensa: Tem algum parente dele ajudando a PF nas investigações?

Agílio: Não sei se tem alguém ajudando.

Imprensa: Quantos homens estão trabalhando no caso?

Agílio: Todo o efetivo da PF está empenhado, obviamente temos uma equipe especializada cuidando exclusivamente do caso.

Imprensa: Quais as dificuldades que a PF está sentido para prender Nicolau dos Santos Neto?

Agílio: São as situações naturais que acontecem quando você procura uma pessoa. Especialmente ele que em razão do seu passado, obviamente deve ter meios de mobilidade, isso não é coisa que vemos como invencível.

Imprensa: Qual o tratamento que será dispensado ao juiz aposentado quando ele for preso?

Agílio: Todas as pessoas quando são presas são tratadas de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro. Ele também terá o tratamento que a Lei determina.

Imprensa: O caso Nicolau tem desmoralizado a PF?

Agílio: Não vejo assim. Este é mais um caso policial que inexplicavelmente estão dando uma conotação política. Este é mais um mandado de prisão que está para ser cumprido. Eu vim agora da sede da Interpol na França e lá existe muitos procurados que a polícia não consegue encontrar. Não é só a PF que não localiza pessoas que estão sendo procuradas pela Justiça. Não há o que se falar em desmoralização da PF. Temos feito excelentes trabalhos para toda a sociedade brasileira. Uma coisa marcante, foi o episódio da CPI do narcotráfico. A PF deu um suporte as ações da CPI. Não há o que se falar em desmoralizar uma instituição que tem um excelente trabalho prestado a toda a sociedade, porque ela não conseguiu cumprir uma mandado de prisão.

Prioridade

O diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro Filho, frisou que a prioridade da atual administração

é o combate ao narcotráfico a nível global. Ele acha que é preciso combater o problema nas origens e que a descriminação da maconha não vai resolver o problema das drogas. A seguir os principais trechos da entrevista.

Imprensa: Qual é a prioridade atual da PF?

Agílio: O combate ao narcotráfico no Brasil. Na região tem problema, mas não é privilégio daqui, trabalhamos de forma global. O combate ao narcotráfico

é uma prioridade na nossa administração. Eu acredito que nós estamos dando uma resposta positiva neste sentido, estamos trabalhando para que possamos aperfeiçoar ainda mais, a nossa atuação.

Imprensa: O Brasil assinou um protocolo de cooperação com a França?

Agílio: É um protocolo que prevê um investimento na ordem de US$ 425 milhões a ser aplicado na PF, especialmente no reaparelhamento, num prazo de seis anos.

Imprensa: Bauru será prestigiada pelos recursos?

Agílio: Este recurso virá para a PF, evidentemente nós vamos elencar as prioridades para o Brasil. E com certeza, Bauru dada a sua importância, será assistida através da direção da PF. A cidade já está sendo assistida, tanto é que nos próximos meses nós estaremos aqui para iniciar a construção da nova sede da delegacia, definitiva, em terreno doado pela prefeitura.

Imprensa: A direção da PF pretende investir na inteligêncial policial, no combate ao narcotráfico?

Agílio: Este recurso é destinado a aquisição de material que vai ser empregado no campo das investigações, especialmente no aspecto da inteligência policial. Independente deste recurso, estamos adquirindo viaturas novas e Bauru vai receber algumas delas. O efetivo será reforçado. Este ano vamos ter concurso para ingresso a PF.

Imprensa: A PF pretende desenvolver algum trabalho para conter o uso de drogas na Zona Rural?

Agílio: Não. A PF trabalha a nível Brasil. Procuramos investir naquilo que chamados de corredores, porque é muito mais eficaz você atuar na origem do problema do que na causa.

Imprensa: A descriminação da maconha pode ajudar no combate ao tráfico?

Agílio: Eu não tenho notícias de que nos locais onde as drogas foram liberadas,o problema foi resolvido.

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