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Barra Bonita

Adilson Camarg
| Tempo de leitura: 6 min

Infra-estrutura melhor favorece Barra Bonita

Texto: Adilson Camargo

As cidades vivem uma situação única na região. Separadas apenas pelo Tietê as duas comunidades acabam formando uma só

Separadas apenas pelo rio Tietê numa extensão que não deve ultrapassar 200 metros, Barra Bonita e Igaraçu do Tietê são duas cidades tão ligadas uma a outra, geográfica e socialmente, que chega a lembrar os grandes centros urbanos existentes no Brasil. É como se elas fizessem parte, por exemplo, da região metropolitana de São Paulo. A situação vivida pela população das duas cidades pode ser comparada, guardada as devidas proporções,

àquela vivida pela população, por exemplo, de Santo André e de São Paulo. É um caso

único na região de Bauru.

Mas não é apenas o rio Tietê que separa as duas cidades. Há obstáculos que não são superados apenas com a construção de uma ponte, mas com anos de investimento público e privado. Barra Bonita aproveitou sua vocação turística para atrair recursos em benefício da cidade. Além de contar com a instalação de uma sólida indústria produtora de açúcar e álcool em suas terras.

Isso fez com que a cidade tivesse um desenvolvimento maior na

área da saúde, educação, lazer e serviços. Mas o desenvolvimento mais visível ficou mesmo na área de turismo. Os empregos gerados por essa área favorecem não apenas os moradores de Barra Bonita mas também os da vizinha Igaraçu do Tiete. O mesmo acontece com as usinas de açúcar. Os empregos podem até ser divididos entre as duas cidades mas os impostos arrecadados ficam mesmo em Barra Bonita. O que acaba favorecendo sobremaneira o seu desenvolvimento.

O Jornal da Cidade ouviu pessoas ligadas as duas cidades para saber como vivem as duas comunidades que na verdade acabam formando uma só. E o que ficou evidente foi que uma delas, no caso Igaraçu do Tietê, realmente leva uma certa desvantagem em relação a outra. Ouvindo os moradores, nota-se que em Barra Bonita, há mais chance de emprego, um comércio mais forte, um sistema de saúde melhor estruturado, mais escolas e mais opções de lazer.

Juliana Aparecida Fávero, 17 anos, disse que estuda em Igaraçu do Tietê mas vai passear no lado de lá do rio. Aliás, o lazer é o motivo citado por quase todos os entrevistados como a razão principal para se atravessar a ponte. A secretária Marta Regina Poiano Moreti, 30 anos, diz que faz as compras em sua cidade, mas quando quer passear vai até Barra Bonita. No caso da funcionária pública Edilaine Gimenes Borge, 28 anos, ocorre exatamente o contrário. Por ser casada, não sai tanto em busca de lazer. Mas quando

é preciso fazer compras, ela diz que prefere ir a Barra Bonita. "Lá o comércio é melhor".

Isso acaba gerando um certo descontentamento entre os comerciantes de Igaraçu do Tietê. Valdecir Azevedo, 29 anos, dono de um estabelecimento, procura dar prioridade ao comércio de Igaraçu. "Só compro na Barra o que eu não encontro na minha cidade". Segundo ele, na véspera de datas comemorativas, como a de hoje (Dia dos Pais), os ônibus que vão para Barra Bonita "descem lotados". "Às vezes comprar aqui é mais barato. Mas, mesmo assim, o pessoal prefere ir a Barra."

Vânia Frasson, 26 anos, vendedora em uma ótica de Igaraçu do Tietê concorda com Valdecir e dá exemplos práticos dessa fuga de recursos de uma cidade para outra. Segundo ela, a ótica onde trabalha também tem uma loja em Barra Bonita. "Os preços são os mesmos, mas muita gente deixa de comprar aqui e vai comprar na loja da Barra."

Outro detalhe a ser acrescentado nessa questão é em relação ao atendimento. De acordo com a estudante Eliane Gomes, 17 anos, o atendimento das lojas de Barra Bonita estão melhor equipadas. Sua irmã, Cristiane Gomes, 14 anos, vai além. "Eu considero Barra Bonita melhor em todos os aspectos."

As reclamações dos igaraçuenses não param por aí. Eles dizem preferir a cidade co-irmã porque além do comércio, ela oferece também mais opções de lazer. Segundo a dentista Luciani Valéria Vinchi, 26 anos, praticamente não há diversão em Igaraçu. "Na Barra, temos cinema e shopping, aqui não." O funcionário público Silvan Silva Santos, 22 anos, freqüenta aulas em academia de ginástica. Para isso, ele precisa atravessar o rio e ir até a cidade vizinha.

Mas há quem não se importe muito com as compras, ou com as variadas opções de lazer que Barra Bonita possa oferecer. A estudante Daiane Cristina Vasconcelos, 15 anos,

é um exemplo. Ela diz que está mais acostumada com as pessoas da sua cidade. "Para me divertir vou ao clube da cidade. Gosto mais daqui."

Outros dois quesitos que também pesam a favor de Barra Bonita é a oportunidade de emprego e de educação que a cidade oferece. Por tudo que a população de Igaraçu tem reclamado, é natural que os empregos fiquem também do lado de lá do rio. Para isso, a secretária Tânia Mara Iazbek Risatti, tem uma explicação lógica. "Onde o comércio e o turismo são mais desenvolvidos é natural que as ofertas de emprego sejam maiores. Os trabalhadores rurais são de Igaraçu, mas o ICMS produzido pelas usinas de açúcar fica com a Barra." Mesmo assim, Tânia garante que o povo das duas cidades se dão muito bem e que não há nenhum tipo de bairrismo.

Quando o assunto é educação mais uma vez Barra Bonita leva vantagem. Além da faculdade de educação física, existem escolas de idiomas e de informática que atraem muitos alunos de Igaraçu. A estudante Natália Castilho, 15 anos, além de cursar o ensino médio em Barra Bonita também freqüenta aulas de inglês naquela cidade.

Atravessando a ponte e indo para a cidade de Barra Bonita, nota-se que a disposição da população local em cruzar o rio é bem menor. Só acontece quando há algum baile ou brincadeira dançante em clubes de Igaraçu. Porém, numa intensidade bem menor. Esse

é o caso das amigas Gláucia Talita Catto, 16 anos, e Renata Marinho, 15 anos. Elas disseram que só saem de Barra Bonita apenas para ir a um clube e a um bar com música ao vivo. De acordo com a professora Elisângela Pestana Benedita, 21 anos, é mais comum ir a Jaú em busca de diversão do que ir a Igaraçu.

A família do radialista Maurício Fusco, 32 anos,

é de Igaraçu do Tietê, mas ele trabalha em Barra Bonita. Para ele, a qualidade de vida da cidade onde trabalha

é melhor. Maurício também engrossa a fileira daqueles que apreciam a cidade por causa das opções de lazer e do setor de serviços.

Barra Bonita é como se fosse o primo rico da história. Essa infra-estrutura mais sólida da cidade é resultado de investimentos alcançados à custa da boa arrecadação de impostos, gerada principalmente em razão da forte indústria canavieira presente na cidade.

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