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Estelionato

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Golpes preocupam financeiras do setor automotivo

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Ofertas irresistíveis podem esconder golpes de estelionato. De tempos em tempos, os golpistas mudam o golpe para conquistar mais vítimas

Estelionatários brasileiros estão sofisticando, cada vez mais, os golpes. O atrativo, como sempre, são vantagens financeiras. Nos mesmos moldes do golpe do carro-zero quilômetro, os golpistas estão colocando em prática o golpe do financiamento. O estelionato preocupa as financeiras do setor automotivo.

Os anúncios, em jornais de grande circulação, atraem cada vez mais vítimas. Levadas pelo sonho de fazer um "negócio" lucrativo, já que as taxas são as menores do mercado e a liberação do dinheiro é feita em 24 horas, elas caem no conto e só depois do fato consumado é que procuram a polícia.

Procurar a polícia somente depois que o golpe já foi consumado é auxiliar o golpista, alerta do titular da DIG/Garra, delegado J.J.Cardia. Segundo ele, se a vítima procurasse a delegacia, ou as empresas, antes de pagar taxas e efetivar o negócio, seria possível identificar os golpistas. "As vítimas só procuram a polícia, depois de terem pago as taxas e não receber o produto prometido."

Os golpes, segundo o delegado são aplicados por quadrilhas que diversificam as maneiras de atuar. "Eles mudam as formas e sofisticam os golpes. Em todos eles, a vítima é atraída por vantagens. "

A assessoria de Imprensa da GM/Brasil divulgou recentemente um comunicado sobre o assunto. Segundo eles, como nos golpes do carro zero quilômetro, onde o atrativo é o preço abaixo do mercado, no golpe do financiamento, as vantagens são a facilidade de crédito e as taxas bem menores do que as praticadas no mercado.

De acordo com o comunidado, os golpistas chegam à sofisticação de enviar para o interessado uma ficha cadastral, em nome do Banco GM e solicitar um depósito de uma pequena quantia para despesas cadastrais.

O gerente da área jurídica financeira do Banco GM alerta sobre a falsa sensação de legalidade. "Os estelionatários descobrem o número da conta do Banco GM, e quando o interessado daz o depósito para despesas cadastrais, recebe um comprovante no qual aparece o nome do Banco GM no respectivo comprovante, dando a falsa sensação de legalidade."

Com esta manobra o golpista consegue dar uma aparência "real"à negociação, pedindo um depósito numa conta poupança, geralmente aberta com um nome falso. A justificativa deste depósito segundo o golpista é o pagamento da comissão do banco ou do corretor, cerca de 10% do valor do financiamento pretendido.

Os financiamentos pretendidos variam de R$ 20 a R$ 400 mil, portanto o valor que vai para o golpista pode variar de R$ 2 a R$ 40 mil. Como no golpe do carro, a vítima não consegue localizar o estelionatário que usa telefone celular roubado ou clonado.

De janeiro a junho deste ano, a Central de Atendimento ao Consumidor do Banco GM já atendeu 506 ligações de consumidores interessados nesse tipo de financiamento, ou na compra de um carro zero. Desse total, os atendentes evitaram que 375 pessoas caíssem no golpe. Outras 131 delas acabaram sendo vítimas dos golpistas. O Banco GM calcula que o valor total depositado por essas pessoas foi de R$ 550 mil, ou seja, R$ 4.200,00 por golpe.

Pequenas alterações

Com pequenas alterações os golpes são aplicados sem muita dificuldades. A vítima se entusiasma com o "negócio" e se torna presa fácil. Em Bauru são inúmeras as pessoas que já cairam em golpes de estelionato.

O titular da DIG/Garra, delegado J.J.Cardia lembra que os estelionatário ficam por um tempo em uma cidade e após aplicarem alguns golpes vão embora, para não serem presos.

Segundo ele, semelhante ao golpe do financiamento, é o estelionato aplicado em pessoas que já tiveram um seguro de vida. "Os golpistas conseguem o cadastro e ligam para a vítima. Alegam que a empresa está em processo de liquidação e que ele tem resíduos para receber."

Os estelionatários pedem o número da conta da vítima e dizem que farão o depósito de determinada quantia, geralmente um valor entre R$ 18 e R$ 20 mil. Alegam que assim que o depósito estiver na conta, a vítima deve pagar 10% para a empresa tal, a título de honorários.

Entusiasmado com a possibilidade de ganhar dinheiro fácil, a vítima corre para o banco e observa que o depósito foi feito. "Mas, não observa que o depósito

é feito em cheque." O golpista entra novamente em contato com a vítima e pede que faça o depósito dos honorários. Depois do pagamento dos honorários, a vítima vai no banco e descobre que o depósito feito em sua conta era cheque furtado ou roubado."

O golpe do financiamento também pode ser aplicado por escritórios abertos na cidade do dia para noite, alerta o delegado.

Pirâmide Sofisticada

Além dos golpistas brasileiros, os estrangeiros também, estão descobrindo que é fácil aplicar golpes no Brasil. Segundo a polícia, uma empresa alemã, ainda não identificada, está promovendo uma pirâmide sofisticada. "Estamos investigando."

A pirâmide consiste em uma lista de nomes. "A última da lista faz depósitos na conta da penúltima etc. Cada um dos integrantes do grupo têm que arrumar mais tantos participantes. Se alguém cortar a corrente, ou seja, deixar de fazer o depósito, a pessoa não recebe. Este golpe já foi aplicado várias vezes, com pequenas modificações."

Cuidados para comprar um carro ou solicitar um financiamento

1 - Compare o preço do veículo anunciado com o preço de um revendedor autorizado

2 - A maioria das montadoras não efetua vendas de veículo diretamente ao público. A venda e entrega são feitas por meio de concessionárias

3 - Qualquer contrato de compra deve ser original, e não enviado por fac-símile

4 - Não existe cooperativa de funcionários na maioria das montadoras

5 - Não aceite contatos por telefones e celular em caso de financiamentos

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