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Anemia

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Mielodisplasia é mais comum em idosos

Texto: Sabrina Magalhães

Anemia profunda é quando os níveis de hemoglobina estão excessivamente baixos. Pode ser necessário tratar com transfusão

"Outro defeito de produção é quando a medula produz, mas sem qualidade", destaca a hematologista Maura Valério Ikoma. "É a mielodisplasia, quando a medula produz muito até, mas fabrica células defeituosas.

É uma doença mais comum em pessoas acima dos 60 anos."

De acordo com Ikoma, a medula óssea é uma grande indústria que tem um controle de qualidade extremamente rigoroso. Ela não manda para o "comércio" nenhum produto que esteja ruim. Na mielodisplasia, a produção

é absurda em quantidade, mas as células são mal feitas, então, ela as destrói e aproveita a matéria-prima para outras coisas, sem mandar as células de reposição para o sangue periférico (o que chega até os menores vasos do corpo humano).

"Então, na mielodisplasia não tem outro fator causador. Porque a deficiência de vitaminas pode levar a uma displasia secundária, mas você corrige a falta de vitaminas, o sangue periférico volta ao normal. Na mielodisplasia não temos uma causa para atacar."

Nesse caso, o tratamento é feito com o uso de medicamentos ou suplementos alimentares que vão estimular a medula a produzir ainda mais, na tentativa de aumentar as chances de que saiam células perfeitas. "A pessoa consegue conviver com o problema, mas cronicamente, sempre com uma deficiência, com sintomas de anemia."

Investigando

De acordo com o médico geriatra Júlio Horta Filho, a anemia no idoso difere um pouco das anemias infantis e adultas. Dificilmente a anemia vai ser por carência alimentar, pois os idosos costumam manter uma dieta bastante equilibrada. "Então, se ela significa que há alguma coisa alterada no organismo, para o idoso a gente pensa logo em doenças de base mais sérias, como tumores e hemorragias, principalmente no trato digestivo."

O paciente pode também ter um divertículo sangrando, com um sangramento microscópico, que não é percebido nas fezes, mas que está fazendo baixar os níveis de hemoglobina.

"E na criança, no jovem, você percebe a anemia na pele. No idoso não. Muitas vezes, a anemia passa despercebida até que ele tenha um derrame, um acidente isquêmico por falta de glóbulos vermelhos. Ou então ele tem uma insuficiência cardíaca, porque o coração já está vivendo no limite, cai a hemoglobina, ele tem que trabalhar mais para garantir oxigenação periférica, ele descompensa e faz uma insuficiência."

Anemia profunda

Questionado sobre a freqüência de anemias profundas em idosos, Horta explicou que chama-se anemia profunda aos quadros em que a taxa de hemoglobina está excessivamente baixa, entre 7 e 8, quando o normal seria entre 12 e 16. Ou então, quando o número de hemáceas, que geralmente é superior a quatro milhões, fica abaixo de dois milhões.

"Muitas vezes, o organismo da pessoa vai se adaptando a essa queda de hemoglobina, vai se adaptando, e quando a gente descobre, chega a se perguntar como é que o paciente está conseguindo viver com uma taxa tão baixa. Algumas vezes o idoso chega ao consultório deprimido, a gente vai ver, descobre que ele está anêmico. Aí temos que investigar a causa desta anemia."

O médico explica que, quando a anemia é profunda e há risco de vida iminente, faz-se uma transfusão de sangue total ou de alguns componentes do sangue, como os glóbulos vermelhos. Fora isso, o tratamento tem que ir na causa. Se é uma úlcera, trata-se a úlcera. Se é um tumor, trata-se o tumor. Muitas vezes, mesmo que a doença de base seja um câncer, o tratamento adequado ajuda e minimizar os efeitos anêmicos sobre o paciente.

Medicamentos

Horta finaliza, dizendo que algumas vezes, a anemia é causada pelo uso de vários medicamentos. "E no idoso, é muito comum o que a gente chama de polipatologia, ou seja, ele quase sempre tem mais de uma doença. E ele vai a vários médicos. Então, o cardiologista prescreve um AAS infantil para afinar o sangue. Ele tem dores, o ortopedista receita um antiinflamatório. O estômago já não está tão sadio e ele tem uma gastrite, sangra, cai a hemoglobina, dá anemia. Então, no idoso, os fatores quase sempre são múltiplos."

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