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Sem-terra

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Sem-terra ocupam horto como pressão

Texto: Adilson Camargo

Mais de cem famílias ocupam terras do horto florestal há um mês para pressionar o governo a fazer reforma agrária

Um grupo de pessoas integrantes do movimento "Agricultura Familiar" está acampado no horto florestal, em Pederneiras, desde o dia 15 de julho, como forma de pressionar o Governo a negociar área para fins de reforma agrária. Eles chegaram sem muito barulho e levantaram barracos de lona distante da rodovia João Ribeiro de Barros, a Bauru-Jaú.

Segundo informações dos próprios sem-terra, estão acampadas no local cerca de 104 famílias provenientes, na maioria, da região de Campinas. Eles fazem questão de deixar claro é que não fazem parte do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). "Nunca tivemos contato com o MST. A filosofia deles é bem diferente da nossa. O nosso objetivo é somente a terra. Nós não saímos para fazer baderna. Não quero dizer que eles estejam errados, apenas não aceitamos a maneira como eles trabalham", disse Maria Teresinha Pereira, 43 anos, uma das líderes do acampamento. O comando do movimento em Pederneiras

é dividido entre 12 pessoas.

Apesar de não ser do MST, os motivos apresentados para a ocupação da terra em Pederneiras são os mesmos usados pelo MST. Ou seja, terra para ser cultivada.

Antes de ocupar uma parte do horto, Maria Teresinha garante que foram feitas pesquisas para saber qual seria o local mais adequado para a ocupação. Depois de visitarem nove fazendas eles acabaram mesmo acampando em Pederneiras.

O fato das terras do horto florestal pertencerem ao Governo do Estado é encarado pelos integrantes do movimento como um ponto positivo. "Se a terra é do Governo, então ela é nossa. E também acreditamos que dá menos problemas ocupar essas terras do que as que pertencem a particulares".

Maria Teresinha disse que antes de ir para Pederneiras, eles foram até o Instituto de Terras do Estado de São Paulo

(Itesp) e pediram a liberação de um pedaço de terra, onde pudessem construir e plantar. "Eles pediram para que esperássemos dois meses. Nós esperamos muito mais do que isso. Como não saiu resposta nós viemos para cá." Porém, ela garante que caso haja uma ordem judicial para que desocupem o local ela será acatada pelo movimento. "Nós jamais vamos dizer que não sairemos. Aqui não é nosso. Nós ocupamos para tentar uma negociação com o governo", garante Maria Teresinha.

No entanto, a reintegração de posse já foi solicitada e determinada. Mas segundo a Procuradoria do Estado, sediada em Bauru, o cumprimento da liminar determinando a desocupação está suspenso até que seja providenciado transporte para a remoção de todos os integrantes do movimento assim como seus pertences. Uma nova reunião entre os sem-terra e o Governo estava marcada para esta semana. De acordo com o diretor do horto, José Carlos Nogueira, representantes do Itesp estiveram no local, conversaram com várias pessoas, fotografaram, fizeram um relatório de tudo que viram e ouviram e levaram ao governador.

Para Maria Teresinha, a esperança de um entendimento sempre existe. Porém, ela diz que cansou de esperar pela reforma agrária. Segundo ela, se a sociedade não se organizar e ocupar, o Governo não faz reforma. "A reforma agrária do Governo está no papel e na televisão e nós não aceitamos isso".

O movimento "Agricultura Familiar" existe há 16 anos aproximadamente, conta com a ajuda da Central Única dos Trabalhadores (CUT), de setores da Igreja Católica e Evangélica e de partidos políticos. A primeira ocupação realizada pelo movimento foi em Sumaré.

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