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Daniela Bochembuzo
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PT enfrenta crise há 40 dias da eleição

Texto: Daniela Bochembuzo

Candidatos a vereador reúnem-se hoje com direção do partido; reclamação é que há centralização de recursos e falta de diálogo

Há 40 dias da eleição, o PT enfrenta nova crise. Os protagonistas do atual embate são um grupo de candidatos a vereador, os quais não concordam com a maneira como a campanha eleitoral vem sendo conduzida. Eles reclamam da ausência de coordenação, agenda e reuniões e do formato dos programas para o horário eleitoral gratuito. Por essa razão, a direção municipal do partido convocou para hoje uma reunião, às 18 horas, com os postulantes à Câmara Municipal.

Entre as propostas de debate a serem discutidas hoje está a renúncia de Estela Almagro como candidata à Prefeitura pelo PT. As justificativas para o pedido são de que a prefeitável está centralizando recursos, sem apontar a fonte dos mesmos, e tornando a campanha personalista. "Tudo foi construído em torno de uma vaidade pessoal. O eleitor não consegue aliar a imagem dela às propostas do partido", critica um dos insatisfeitos, que prefere não se identificar.

As críticas resvalam-se em José Carlos Pereira Batata, também candidato a vereador pelo PT e marido de Estela, e em Alessandro Cussola, coordenador das campanhas eleitorais do PT e da Frente Popular Muda Bauru.

O grupo de insatisfeitos diz que Batata vem sendo privilegiado na propaganda eleitoral do partido na televisão. Ao invés dos 10 segundos de fala previamente estipulados para cada candidato, Batata discursou por 20 segundos. Outra reclamação: por ser marido de Estela, ele estaria aparecendo ao lado da candidata nas inserções e no programa.

Os candidatos queixam-se ainda da qualidade do vídeo exibido na propaganda eleitoral das candidaturas proporcionais e da ausência de diálogo com a coordenação da campanha. De acordo com os reclamantes, Cussola não estaria realizando reuniões para definir o andamento do processo eleitoral e informar os eventos petistas.

A reportagem tentou entrar em contato com o coordenador nos telefones do comitê de campanha e do gabinete de Batata, do qual é assessor na Câmara Municipal, mas não o encontrou. Estela Almagro e Batata também foram procurados, mas afirmaram que não iriam comentar o assunto.

Autoritarismo

Para o grupo de reclamantes, a crise interna deve-se ao totalitarismo como Estela Almagro vem conduzindo o PT desde que foi eleita presidente municipal do partido e, posteriormente, candidata à Prefeitura. De acordo com eles, isso pode ser verificado na campanha eleitoral.

"Campanha não foi feita para projetar pessoas, mas para levar a público as idéias do partido", afirma um dos descontentes.

Tal personalismo, dizem os insatisfeitos, está emperrando a campanha na rua, que sempre foi o traço do PT. Segundo eles, os candidatos têm se negado a acompanhar Estela nos compromissos de campanha e a falar na prefeitável ao pedir votos.

Para o grupo, a reunião de hoje será propícia para rediscutir os rumos da campanha eleitoral e avaliar o papel desempenhado pela prefeitável no processo eleitoral. Eles avaliam que é preciso pensar o partido enquanto coletivo, não como um feudo. "Precisamos provocar a reflexão", avalia um candidato.

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