Verticalização é potencial de construção
Texto: Andréia Alevato
A verticalização é a multiplicação do potencial de construção dentro de um mesmo terreno, segundo o arquiteto e professor de Urbanismo do curso de Arquitetura da Unesp de Bauru, José Xaides de Sampaio Alves. Para ele, essa é uma forma de explorar mais um único terreno.
"A medida em que você constrói vários andares, está criando solo. É uma maneira de explorar mais um único terreno existente", disse Xaides.
O arquiteto afirmou que a não-distribuição da verticalização pode gerar marginalização econômica em alguns pontos da cidade. Porém, há a possibilidade de buscar-se um maior equilíbrio urbano. Ou seja, não deixar que a verticalização ocorra em apenas uma área da cidade, mas sim em todas.
A verticalização é uma característica da região Sul de Bauru. Essa característica simboliza o crescimento da cidade.
Bauru, ao contrário da maioria das cidades, tem uma verticalização menor na área central, em comparação aos bairros. Apesar dessa verticalização ser concentrada na Zona Sul, ela não é agrupada, mas sim espalhada, uma particularidade da cidade.
"Essa paisagem de verticalização, com frestas visuais, onde é possível enxergar o horizonte entre os prédios, é muito particular de Bauru. Essa qualidade tem que ser mantida. A verticalização tem que ser espalhada e não concentrada", afirmou o arquiteto.
Para ele, a concentração da verticalização privilegia apenas uma área da cidade. "A medida em que se verticaliza, se adensa pessoas na região, ou seja, coloca-se mais pessoas numa área bem menor. Essa maior concentração de pessoas na Zona Sul faz com que o Poder Público cuide mais da infra-estrutura, como rede de água, esgoto, escolas, postos de saúde, porque se tem mais pessoas. Em contrapartida, o capital público se concentra mais nessas regiões do que em outras, que são mais pobres. Todo esse fenômeno gera uma deturpação da qualidade de vida da cidade. Essa concentração deve ser repensada em Bauru", concluiu o arquiteto.