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Ieda Rodrigues
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Menor é morto em cela da Cadeia de Bauru

Texto: Ieda Rodrigues

O adolescente D.R.C., idade não informada pela polícia, apreendido por ato infracional e que aguardava pronunciamento judicial na cela especial da Cadeia Pública de Bauru desde o último dia 21, foi achado morto ontem pela manhã pelos carcereiros. O crime teve requintes de crueldade.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) ainda não havia sido divulgado até o final da tarde de ontem, mas colegas de cela da vítima confessaram que o mataram por estrangulamento, usando um lençol, de acordo com o delegado seccional Antônio Ângelo Ciocca. Antes, segundo disseram em depoimento, enfiaram uma caneta em um dos ouvidos do adolescente.

Há informações de que os menores pisaram na caneta até que ela quebrasse-se no ouvido da vítima. D.R.C. dividia a cela com cinco rapazes - três deles menores de idade, os que assumiram o crime, e os outros dois maiores, que estavam na cela especial porque cometeram ato infracional antes de completar 18 anos.

Pelo que a Polícia Civil apurou até ontem, segundo Ciocca, o crime foi cometido por motivo banal. Os menores ouvidos, usando muita gíria comum no mundo do crime, disseram que mataram D.R.C. porque ele não seguia as regras da cela impostas por eles mesmos. Um dos menores que assumiu o crime disse que D.R.C. "pertubava os demais" e por isso foi morto.

Os menores também disseram que D.R.C. morreu porque não pedia autorização para passar pelos outros ocupantes da cela, que defecava enquanto os demais faziam refeição e que havia abusado sexualmente de um deles no banheiro. A vítima teria sido surpreendida pelos colegas de cela anteontem à noite.

Provavelmente, sua boca, que apresentava um ferimento, foi tapada para que não gritasse. A televisão também estaria ligada na hora do crime, para que o carcereiro não ouvisse nada. O corpo só foi descoberto ontem pela manhã. Os outros cinco ocupantes da cela são: A.M.M.C.; D.A.L.; F.L.L.; J.C.H. e M.R. (só inicias dos nomes divulgadas pela polícia).

O caso está sendo investigado pela Delegacia Seccional, que abriu inquérito para apurar as circunstâncias da morte e os autores do crime. Ontem, todos os cinco colegas de cela da vítima foram ouvidos. A Delegacia Seccional também abriu sindicância, para averigüar se houve alguma falha por parte de funcionários da Cadeia.

D.R.C. estava na cela especial da Cadeia de Bauru desde o último dia 21, por ordem do juiz da Vara da Infância e Juventude, um dos últimos dos seis do grupo a chegar. A infração cometida por ele não foi informada pela polícia, mas há informações extra-oficiais que seria tentativa de homicídio e que ele teria problemas mentais.

O delegado responsável pela Cadeia de Bauru, Ronaldo Divino, não foi localizado pela reportagem no final da tarde de ontem para falar sobre o crime. Os três menores que em depoimento assumiram o crime ontem ainda estariam na cela especial. A cela especial abriga menores apreendidos por ato infracional até que a Justiça determine uma medida sócia-educativa a ser cumprida.

Como teria acontecido

1 - Três dos cinco colegas de cela de D.R.C. enfiaram uma caneta em um dos seus ouvidos.

2 - Em seguida, usando um lençol, o mataram por estrangulamento. O corpo ficou na cela.

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