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Cadeião

Por Rita C. Cornélio | Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Menor morto na cadeia já havia cometido vários atos infracionais

Texto: Rita C. Cornélio/Ieda Rodrigues

O menor D.R.C., 17 anos, morto na Cadeia Pública de Bauru no domingo à noite, já tinha cometido vários atos infracionais graves. Porém, o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintingüer, alegando sigilo de Justiça, não revelou quais atos infracionais ele cometeu.

A irmã de D.R.C., Patrícia Aparecida Pereira, 24 anos, que conversou com o JC ontem, durante o velório, reclamou do fato de o adolescente ter ficado em uma cela com outros menores. "Ele não cometeu ato infracional. Ele era débil mental", disse. Maintingüer, por sua vez, nega que o menor tivesse problemas mentais. "Ele não era débil mental. Foi internado em um hospital, mas um laudo médico comprovou que ele não tinha este tipo de problema", frisou.

O adolescente, que pesava 90 quilos e tinha 1,82 metro de altura, dividia a cela com cinco rapazes, sendo três deles menores e dois maiores que cometeram delitos quando eram menores. Um deles, cujas iniciais não foi divulgada, apontado como o "líder" da cela, foi transferido ontem para a Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem).

O laudo do Instituto Médico Legal (IML), divulgado ontem, confirmou que D.R.C. foi morto por estrangulamento usando lençol, que foi amarrado ao seu pescoço e, em seguida, tracionado por trás. O adolescente também apresentava hematomas por todo o corpo, resultado de chutes e socos.

O laudo confirmou que uma caneta foi enfiada em um dos ouvidos de D.R.C. quando ele ainda estava vivo. Ao ser empurrada, a caneta quebrou e não ocorreu perfuração do tímpano, mas mesmo assim, houve hemorragia. O IML estimou que D.R.C. foi morto por volta das 23 horas e meia-noite de domingo.

Segundo o diretor da Cadeia Pública de Bauru, o delegado Ronaldo Divino, o menor teria sido morto na cama. "Segundo depoimentos dos demais ocupantes da cela, D.R.C. foi morto quando dormia. Os acusados o enforcaram com lençol e, depois de desferirem algumas pancadas, enfiaram uma caneta no ouvido dele", contou.

O delegado diz que não tinha notícia de que ele era débil mental. "Ele chegou (na cadeia) no dia 21 e ficou oito dias. Não houve nenhuma manifestação a respeito", frisou. Divino explicou que todos adolescentes que são apreendidos ficam na cela especial. "Temos uma cela só. Eles chegam com mandados de internação provisória, não vem especificado o tipo de infração que eles cometeram", afirmou.

O delegado seccional, Antônio Angelo Ciocca, disse que instaurou sindicância administrativa. "A príncipio, não temos informações de qualquer infração cometida por funcionário, mas para não pairar dúvidas, estamos apurando. Se houver culpa, o funcionário será punido", disse.

A irmão de D.R.C. considerou um descaso o corpo ter ficado até de madrugada no IML. "O corpo foi para o IML e ficou preso lá. Tivemos que procurar um delegado para conseguir abrir a porta. Os funcionários foram embora às 17 horas e ninguém tinha a chave. Só no início da madrugada é conseguimos retirar o corpo", reclamou.

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