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Filmes

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Aprendendo com os filmes

Texto: Gustavo Cândido

Cinema não é apenas entretenimento e fonte de informação e cultura. Não é novidade alguma que os filmes também podem passar mensagens, provocar sensações e despertar desejos. Mas uma coisa que pouca gente se dá conta é que as obras cinematográficas não contém apenas influências negativas, como acreditam os críticos da violência e do excesso de nudez na sétima arte. Mesmo os filmes mais recheados de socos e tiros possuem uma parte útil, uma lição que pode servir de exemplo para várias pessoas. Os filmes menos violentos mais ainda, podem provocar reflexões profundas e até ter o poder de mudar vidas.

Da próxima vez que entrar em uma sala de cinema saiba de uma coisa: seu ponto de vista sobre a vida e tudo o que o cerca pode estar completamente diferente ao final da sessão. Sim, o cinema, em alguns casos, tem esse poder. É com base nesse poder que outras artes como a literatura também possui, que alguns psicólogos utilizam os filmes como técnica terapêutica com a finalidade de auxiliar os pacientes na compreensão e até mesmo na resolução dos conflitos emocionais. É a chamada cinematerapia.

Muito utilizada nos Estados Unidos há alguns anos, a técnica se baseia no fato de que as pessoas, diante da tela do cinema ou da TV, vivem, muitas vezes, com os personagens, as emoções, os conflitos e exteriorizam fisicamente esses sentimentos (choram, riem, roem unhas de nervoso ou ansiedade, vibram...), enfim, envolvem-se com o contexto do filme.

Isso acontece porque as histórias, apesar de serem ficção ou realidades romanceadas, possuem conteúdos emocionais de temas como conflitos familiares, amorosos, profissionais, fantasias e dilemas humanos que são vividos na realidade. O indivíduo pode sair aliviado, angustiado e até tenso depois de uma sessão de cinema, pois o dilema da história mexe com conflitos internos.

Segundo a psicóloga Luciana Maria Biem Neuber, o trabalho do profissional que utiliza a cinematerapia consiste em indicar o filme com um objetivo específico para o seu paciente, pedindo para que ele observe (os) personagem (s), situações, ou suas relações. A idéia é que o filme seja voltado especificamente para o conflito daquele momento ou daquela fase de vida do paciente. De acordo com a psicóloga, que faz uso da cinematerapia desde a época da faculdade, o filme ajuda até na hora da pessoa tentar explicar o que está sentindo ou o que está se passando com ela,

"eles dizem: 'você viu tal filme, então, lá tem uma cena...', usam o filme para colocar para fora o que está acontecendo", conta.

Depois que assistem ao filme, os pacientes são são questionados sobre os aspectos relevantes da história e sobre o que ele sentiu e que conclusões chegou sobre a similaridade da obra com a sua vida. "O objetivo é verificar como o paciente internalizou, elaborou ou não os conteúdos", explica Luciana Biem Neuber.

Bons resultados e mensagens úteis

Como a fantasia está em todas as idades, utilizar os filmes para lidar com as emoções, de acordo com Luciana Biem Neuber, geralmente, é satisfatório, uma vez que identificando-se com o personagem, a pessoa vive paixões, glórias, aventuras e se surpreende muitas vezes vendo a si mesma. Enfim, proporciona momentos de reflexão, alívio, angústia ou simplesmente diversão.

Mesmo se não aplicados durante um tratamento de cinematerapia, os filmes sempre trazem uma mensagem positiva, na opinião da psicóloga. Para ela todos os filmes possuem um conteúdo que pode ser usado como modelo, mesmo que pelo aspecto negativo. Por exemplo: um filme violento demais pode servir para mostrar o quanto aquele comportamento mostrado na tela não é adequado. "A maioria dos filmes possuem mensagens, mas existem alguns que não possuem tanto conteúdo, mesmo assim não é possível afirmar que sejam ruins por isso, depende da maneira como se a sua interpretação", diz Luciana Biem Neuber.

Para pais e filhos

Os filmes também podem desempenhar um importante papel na criação dos filhos. Para Luciana Biem Neuber, o processo educacional através dos filmes são excelentes, já que os gêneros infantis e de aventura trazem contextos para serem aproveitados pelos pais, professores, pois a criança também compreende situações assistindo filmes. Muitas obras infantis trazem mensagens educativas de união, amizade, relação pai-filho(a), mãe-filho(a), o bem e o mal. "É comum as crianças assistirem várias vezes o mesmo filminho, pois estão elaborando muitas vezes conteúdos internos. É fundamental questionar com elas as mensagens e não apenas deixá-las na frente da TV, pois atualmente o índice de desenhos e filmes violentos (com morte, luta guerra...), são os preferidos das crianças", alerta a psicóloga.

Segundo a psicóloga, os pais devem se preocupar com o que os filhos vêm e não deixarem que a criança assista somente aos gênero violentos da moda. A dica é não proibir, mas ficar atento, conversando sobre o assunto com os filhos, os filmes passam mensagens e nem sempre as crianças ou adolescentes conseguem entender. "Os pais precisam estar sempre atentos para que os filhos não distorçam ou entendam errado a mensagem que captaram no filme", explica Luciana Biem Neuber.

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