Plebiscito começa debaixo de chuva
Texto: Andréia Alevato
No horário marcado, população que passava pelo Calçadão votou no Plebiscito da Dívida Externa
Mesmo debaixo de chuva, foi lançado oficialmente ontem, o Plebiscito da Dívida Externa em Bauru, no Calçadão.
A população, que poderá participar do Plebiscito até o dia 7 de setembro, começou a votar às 10 horas, no horário previsto.
Os votantes responderam a três perguntas, impressas na cédula de votação: "O governo brasileiro deve manter o atual acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional)?".
"O Brasil deve continuar pagando a dívida externa, sem realizar uma auditoria pública desta dívida, como previa a Constituição de 1988?". "Os governos federal, estaduais e municipais devem continuar usando grande parte do orçamento público para pagar a dívida interna aos especuladores?".
Adriano Albino foi um dos primeiros votantes. Para ele, o Plebiscito
é importante para que a população saiba o que é dívida externa e pressione o governo para rever esse problema.
"Nós vivemos numa democracia e temos que opinar sobre o problema da dívida externa, se é que ela ainda existe", disse Albino.
Para Rafael Gomes Jesus, presidente da União da Juventude Socialista e que também votou, é importante que toda a sociedade participe do Plebiscito e exija mais explicações do governo sobre o pagamento da dívida externa.
"Esse plebiscito é importante porque estará orientando as pessoas a respeito do que se passa no Brasil. Essa dívida externa é uma das maiores chagas do nosso País. É importante que as entidades se unam e mobilizem a população para ela vote no plebiscito e exija cada vez mais do governo", afirmou Jesus.
O presidente do Conselho Diocesano de Leigos, Rodney José Bastos, explicou que a votação do Plebiscito continuará até 7 de setembro. As votações poderão ser feitas em igrejas católicas, Associações de Moradores, Sindicatos, na Unesp, além de escolas de ensino médio, Shopping e Rodoviária, onde estarão passando as urnas volantes.
O Plebiscito será encerrado no dia 7 de setembro, no desfilo cívico, no Sambódromo. Uma equipe da organização do Plebiscito em Bauru estará percorrendo as arquibancadas e recolhendo votos.
O objetivo do Plebiscito, segundo Bastos, é mobilizar toda a população e fazer com que o governo tome providências, baseado no resultado deste plebiscito, em relação a dívida externa.
"Não estamos pregrando o calote e sim uma auditoria da dívida externa, para sabernos quanto foi pago, o que ainda é devido, se é que ainda se deve alguma coisa para os governos estrangeiros. Não temos força legal para obrigar que o governo faça alguma coisa, mas temos a força moral", completou Bastos.
Qualquer pessoa, maior de 16 anos, pode votar, desde que ela apresente documento de identidade ou Título de Eleitor.
O plebiscito está sendo organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), Central Única dos Trabalhadores
(CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE), entre outros
órgãos.