Poder de persuasão do jingle diminuiu, avalia publicitário
Para o publicitário Estevan Notolo Jr., proprietário do N e M Stúdios, o poder de persuasão dos jingles diminuiu há, pelo menos, 15 anos. Compositor de músicas publicitárias há 30 anos, ele avalia que essa mudança
é resultado da banalização da música.
"Até 15 anos atrás, o jingle segurava sozinho uma campanha eleitoral, hoje não. O apelo cada vez maior das músicas prontas e a preferência das agências em investir em sucessos garantidos vêm prejudicando o mercado de jingles", opina.
Essa tendência publicitária, somada à queda da qualidade da literatura da música e o advento da multimídia, tem levado políticos a optar por adaptações de composições. "O mercado político atual tem investido em semiplágios. As músicas de hoje são áudios, um conjunto de sons", comenta Notolo Jr.
Mas nem sempre foi assim. De acordo com o publicitário, até a implantação da televisão, o jingle era absoluto. "Como o rádio trabalhava com a memória do ouvinte, o poder residual do jingle era muito maior", explica.
Ainda no início da era televisiva, o jingle continuou a ser bastante usado como peça publicitária porque a linguagem do rádio ainda imperava. Depois, com a implantação da TV em cores, em 1974, a situação mudou. "A cor fez com que a imagem passasse a ser mais valorizada", comenta o publicitário.
Na década de 80, o mercado publicitário passou a equilibrar música e imagens. Essa situação durou até os anos 90, quando os recursos multimídia começaram a ser mais utilizados. Tecnologia, então, virou sinal de vanguarda.
"Apesar de todos os recursos disponíveis, uma coisa não vai mudar: a música, esta não vai acabar nunca. Seu formato, sim, pode se alterar, mas ela continuará a refletir o tempo, como sempre fez", garante Notolo Jr.