Famema cria ambulatório de combate ao tabagismo
A Faculdade de Medicina de Marília (Famema) criou, no final de julho, um ambulatório de combate ao tabagismo que funciona no Hospital das Clínicas. Inicialmente o atendimento beneficia funcionários do complexo Famema e da Direção Regional de Saúde (Dir). O objetivo do ambulatório
é ajudar as pessoas que sentem necessidade de parar de fumar e não conseguem.
Segundo o coordenador do ambulatório, o médico e docente da Famema, Carlos Rodrigues da Silva Filho, o atendimento no ambulatório é feito às quintas-feiras das 8h às 11h30. É realizada uma triagem pela assistente social para detectar o grau de dependência e a disponibilidade do paciente em relação ao tratamento. Na consulta médica é feita a detecção de algum problema físico em decorrência do tabagismo e o encaminhamento para o tratamento adequado.
Ele explicou que o grau de dependência pode ser leve (até 10 cigarros por dia), moderado (de 10 a 20 cigarros) e pesado
(acima de 20 cigarrros). Estudos apontam que 90% dos fumantes param de fumar apenas com as atividades em grupo, enquanto 10% precisam de terapia medicamentosa. Os selos patch e as gomas de mascar também são formas de tratamento alternativo.
Na terapia de grupo serão realizadas quatro seções sendo uma a cada semana abordando os seguintes temas "Deixando de Fumar Sem Mistérios", que explica porque se fuma e como o tabagismo afeta a saúde. A seguir é explorada a questão "Os Primeiros Dias Sem Fumar" com dicas para combater os sintomas da abstinência. Outro tema é
"Como Vencer os Obstáculos para Permancer Sem Fumar" e finalizando o ciclo os ex-fumantes vão conhecer os "Benefícios de Parar de Fumar."
Os participantes do grupo recebem material didático padronizado pelo Inca (Instituto Nacional de Combate ao Câncer) que treinou o grupo que coordena o Centro de Dependência Química.
Segundo o médico, Marília foi uma das três cidades escolhidas para a instalação do Centro. Os demais centros estão em São Paulo (USP, Hospital do Servidor Público e Unifesp - Escola Paulista de Medicina) e Campinas (Unicamp).
Também será dado apoio farmacológico para os pacientes com alta dependência. A coordenadora do Grupo de Controle de Doenças Crônicas Não Transmissíveis da DIR, Isabel Cristina Stefano Pellizzari, afirmou que em caso do paciente precisar de medicamento, será proposta uma troca para ele. Com o dinheiro que o paciente utilizava para a compra dos cigarros, ele poderá pagar o medicamento.
"Inicialmente o custo chega a ser duas vezes o valor gasto com o consumo do tabaco, mas após o período de dois meses o paciente passa a ter uma economia ", afirma o coordenador do ambulatório.
Ele explicou que o custo com o medicamento que gira em torno de R$ 80,00 poderá ser parcelado.
"O tratamento com medicamentos depende do grau de dependência do fumante e em alguns casos a gomas de mascar ou o adesivo podem resolver o problema", afirma.
Segundo o coordenador, será feito um acompanhamento pela assistente social durante um ano porque o maior problema do tratamento acontece quando a pessoa volta a fumar. "O nosso trabalho consiste em acompanhar o fumante durante um ano, já que 65% voltam ao vício. Com a ajuda dos profissionais os fumantes param em 35% dos casos e muitos tentam três ou quatro vezes até conseguirem." Ele explicou que em caso de recaída o paciente deve retornar à consulta médica.
A equipe que está envolvida com o ambulatório de combate ao tabagismo é composta também pelos enfermeiros Adalbarto Jesus Silva da Rosa, Luis Carlos Paula e Silva e Maria Angélica Vieira Carvalho, pelo psiquiatra Antônio Aparecido Tonhon, pela assistente social Ana Tereza Zuim e pela nutricionista Mércia Santana Rezende Mattos.
O coordenador do ambulatório informou que o atendimento inicial são para os funcionários para que os profissionais de saúde dêem exemplo para os fumantes que querem parar de fumar. "Para os que não tomaram essa decisão vamos estabelecer áreas específicas ao ar livre para o fumo." Ele disse que serão atendidos cerca de 400 funcionários fumantes e a intenção
é abrir o atendimento à população o mais rápido possível.