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Agronegócio

Nélson Gonçalves
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Secretário Estadual aposta no agronegócio

Texto: Nélson Gonçalves

O secretário de Agricultura e Abastecimento, João Carlos de Souza Meirelles, abriu encontro estadual, ontem em Bauru

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado iniciou, ontem, em Bauru, no Obeid Plaza, o encontro que reúne os Conselhos Regionais de Desenvolvimento Regional em São Paulo. São 39 conselhos que serão responsáveis pelo diagnóstico, mapeamento e apresentação de prioridades para o desenvolvimento agrícola, sobretudo do agronegócio em todo o Estado, a partir dos próximos anos. Ao abrir o encontro, ontem pela manhã, o secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, João Carlos de Souza Meirelles, convocou os representantes dos Conselhos Regionais para o que considera "uma ação que vai revolucionar a agricultura no Estado de São Paulo". Entretanto, o secretário quer que o Governo do Estado seja cobrado pelos conselhos e que cada um assuma a responsabilidade de apontar as necessidades e potencialidades do setor em cada uma das regiões.

Além de empossar os membros dos 39 conselhos, entre eles o da região de Bauru, presidido pelo secretário municipal de Agricultura, Cynise Pereira Leite, o secretário falou para os seus representantes, em um encontro que será encerrado hoje no Obeid Plaza. O secretário estadual comentou que a oficialização dos conselhos também significa a inclusão da região em programas estaduais como o de microbacias hidrográficas, pontes metálicas na zona rural e programa pró-estrada. Também está inserido nos programas do Governo do Estado a Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro) e a instalação de parte da estrutura de pesquisas do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

Para que essas políticas gerem produção e, consequentemente, alimentos e fomento à atividade agrícola, o secretário João Carlos de Souza Meirelles chamou os representantes dos conselhos para a responsabilidade de, ao mesmo tempo, cobrar o Estado em relação à política agrícola e definir as potencialidades e prioridades de cada uma das regiões. Para tanto, alertou,

"o representante do setor agrícola, o produtor e o agente público não pode mais pensar em um mercado sem economia de escala, com cada pequeno produtor produzindo isoladamente".

Meirelles salientou que "a visão de cadeia produtiva exige uma modificação de comportamento no campo e os Conselhos Regionais de Desenvolvimento Rural é que

"vão definir, fomentar e apontar o futuro do agronegócio paulista. Os conselhos é que vão traçar aquilo que deve ser feito. A intenção é que vocês tirem deste encontro uma proposta, com começo, meio e fim, para estruturarmos uma ação em todo o Estado a partir das opiniões do setor privado. Desta reunião será formulada uma nova política para o agronegócio no Estado", advertiu.

O secretário lamentou que apenas seis consórcios intermunicipais tenham sido formados no Estado na área agrícola e que centenas de municípios sequer tenham formalmente uma estrutura voltada para o setor em São Paulo, apesar da grande maioria dos municípios ter na agricultura a principal atividade. Meirelles citou que a importância do agronegócio já é uma realidade, exemplificando que o setor gerou faturamento de US$ 13,4 bilhões somente no ano passado.

Para João Carlos de Souza Meirelles não dá para organizar o setor agrícola com o aparelho estatal distante do setor privado. Por outro lado, também "não dá para pensar em agricultura de escala com os municípios isolados, é preciso integração porque não se insere no mercado produzindo em pequenas quantidades e sem o credenciamento dentro do padrão de qualidade do mercado internacional, global", salientou.

Em matéria de infra-estrutura, o secretário estadual de Agricultura disse que a estrada rural é prioridade.

"Vamos manter e arrumar os 244 mil quilômetros de estradas, começando pelas prioridades que serão apontadas por vocês, ao longo dos próximos meses. Isso precisa ser feito e faremos. Vamos instalar 2000 pontes metálicas nos 500 municípios agrícolas do Estado. Em Registro já foi instalada a primeira. Mas são os conselhos regionais que vão apontar as prioridades para análise do Estado, não tem critério político nenhum,

é técnico e vem do setor privado, de quem lida com o campo, de quem está no campo", disse.

O secretário também anunciou que já foi concluída licitação para a compra de 320 máquinas até dezembro, como patrulhas, trator de esteira, motoniveladoras, pá-carregadeiras. "Abrimos concorrência e fechamos as compras por R$ 39,7 milhões. Começamos a receber as primeiras patrulhas e vamos entregar para os consórcios intermunicipais. É uma pena que dos 80 consórcios previstos no Estado apenas seis estejam estruturados, formados", disse Meirelles.

Meirelles ainda citou que as cerca de 50 mil propriedades rurais do Estado que não contam com energia elétrica terão oportunidade de extensão, até o final do próximo ano. "Não é possível que o Estado mais rico da Nação ainda tenha esses problemas. Não se pode falar em produção sem energia, é vital e vamos implementar esse programa. Se não houver infra-estrutura, com estradas bem conservadas, municípios integrados física e estruturalmente, treinamento e planejamento não há agronegócio e nós queremos exatamente isso", enfatizou.

No final, Meirelles afirmou que "há apenas 90 dias o FGTS do trabalhador rural passou a ser utilizado para financiar a casa rural. Não havia a possibilidade do trabalhador do campo ter uma fonte de financiamento para construir sua casa no campo antes. Agora há financiamento para cesta básica de material em regime de mutirão".

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