Unimed de SP é expulsa da cooperativa
Texto: Josefa Cunha
A Unimed de São Paulo, um dos vários braços atuantes da cooperativa médica, foi excluída do sistema e nenhum de seus usuários terá mais atendimento dentro do Estado de São Paulo. A decisão foi tomada no último dia 25 pela Confederação das Unimed, mas a notícia tornou-se pública somente agora, depois que vários usuários começaram a reclamar o problema. Em Bauru, pelo menos mil pessoas são conveniadas
à Unimed de São Paulo, através do Uniplan.
Neste último final de semana, a Unimed-Bauru comunicou, via imprensa, a expulsão e o conseqüente cancelamento dos atendimentos, mas o procedimento não evitou que usuários particulares fossem surpreendidos ontem ao tentar recorrer ao plano de assistência. O psicólogo Ricardo Mokdici, por exemplo, estava revoltado com o tratamento dispensado frente a tão séria situação (leia mais no boxe). "Se a Unimed de Bauru já sabia do problema, por que não nos alertou com antecedência? Não tenho obrigação de adivinhar as coisas. Minha obrigação
é pagar em dia e isso eu sempre fiz. É diante de situações desse tipo que acabamos tendo a certeza de que a saúde realmente não é prioridade para eles", indignou-se.
O presidente da Unimed-Bauru, Carlos Eduardo Sacomandi, reconheceu a dificuldade de avisar o ocorrido a todos os conveniados. Segundo ele, o único controle sobre quanto e quem eles são só é possível no final de cada mês, quando os serviços são faturados. "A área de cobertura do Uniplan é nacional; mal temos o número exato de quantos são os usuários de Bauru. Para os órgãos coletivos conveniados, foi fácil comunicar, mas seria impossível localizar os particulares", reforçou.
A Apeoesp (sindicato dos professores estaduais) e a Assojuris
(associação dos juízes) são duas das entidades de Bauru que mantinham convênio com o Uniplan da Unimed de São Paulo. Ambas foram avisadas do rompimento com a confederação e já providenciaram transferência dos planos, que podem passar à gestão de qualquer outro braço da cooperativa sediado no Estado.
Os usuários do Uniplan que residem em Bauru podem optar pelo convênio com a Unimed local, mas se desejarem uma área mais ampla de atendimento podem escolher entre a Confederação e a Unimed Paulistana. Sacomandi garantiu que o conveniado não sofrerá prejuízo seja qual for sua decisão. Na transferência, não haverá carência
- desde, é claro, que o assistido não estivesse em período de carência no Uniplan - e as diferenças de preço e cobertura seriam imperceptíveis. "A Lei 9.656 impôs um certo nivelamento, ou seja, não pode haver grandes diferenças de um plano para o outro. Nessa mudança, os usuários da Unimed de São Paulo não terão perdas", assegurou.
A decisão da Confederação romper com a Unimed de São Paulo vem amadurecendo há anos e tornou-se irreversível a partir de sucessivos acordos não cumpridos. No caso de Bauru, por exemplo, a Unimed de São Paulo vinha há seis meses sem fazer um único repasse de verbas pelos atendimentos aqui realizados, acumulando uma dívida superior a R$ 1,2 milhão. Em dezembro, a diretoria da Unimed-Bauru quase decidiu pelo rompimento, mas um acordo de pagamento - que não foi cumprido - suspendeu a intenção na
época.
Bauru, entretanto, não é caso isolado dentro do rombo provocado pela Unimed de São Paulo, que estima-se ser devedora de aproximadamente R$ 100 milhões para todo o sistema no Estado. Além dos expressivos débitos, a unidade também teria mais de 40 inclusões no Serasa, outros 100 títulos protestados e seus dois hospitais da Capital, penhorados. Na opinião de Sacomandi, a péssima situação financeira da ex-cooperada foi gerada por questões de má administração.
Os usuários da Unimed de São Paulo estão orientados a transferir seus planos o mais rápido possível a fim de garantir a continuidade dos atendimentos pelas outras unidades. Além disso, podem cobrar seus direitos na Justiça, uma vez que a cooperada recebeu pelos convênios, sem, contudo, destinar regularmente o dinheiro aos pagamentos.
Na tarde de ontem, a reportagem do JC fez contato telefônico com a Unimed de São Paulo para ouvi-la a respeito da exclusão. Após longo tempo de espera na linha, foi informada por uma funcionária do Departamento de Intercâmbio que qualquer informação dependeria de prévio agendamento com o setor jurídico ou de visita in loco para fins de entrevista.
Usuário se revolta
A notícia do rompimento da Confederação das Unimed com a Unimed de São Paulo chegou ao conhecimento do Jornal da Cidade por conta de uma denúncia feita pelo psicólogo Ricardo Mokdici, 32 anos. Autorizado a realizar exames desde o último dia 31, ele foi pego de surpresa na manhã de ontem, quando ficou sabendo que estava impedido de usar o plano de assistência pelo qual paga, sem atrasos, R$ 92,00 mensais.
No setor de intercâmbio da Unimed-Bauru, Mokdici foi informado que a unidade à qual estava diretamente conveniado não estava repassando as faturas em dia e que, por isso, não poderia ser atendido. A notícia só trouxe mais angústia ao psicólogo, que tem pressa no teste de sangue que só pode ser feito em Belo Horizonte.
Assim como milhares de pacientes de outros pacientes, Mokdici depende de tratamento permanente e um dia de atraso, como ontem, pode ser fatal. Há três anos, o psicólogo descobriu que é portador do Mal de Crohn, uma doença rara que não tem dia e nem hora para se manifestar. O estado emocional, por exemplo, é fator de agravamento nos sintomas e pode causar ulcerações internas que sobem do reto
à boca.
Mokdici procurou a Unimed de São Paulo tão logo ficou sabendo que estava impedido de ser atendido. Informaram-lhe, porém, que procurasse seus direitos caso estivesse incomodado com a situação. Em Bauru, foi orientado a transferir o plano para a assistência local, mas em virtude de suas constantes viagens até a Capital, acha inviável que a cobertura seja tão restrita.
O JC informou o caso de Mokdici ao presidente da Unimed-Bauru, Carlos Eduardo Sacomandi, que lamentou a impossibilidade de reverter a situação. Sacomandi, no entanto, disse que o melhor caminho a ser seguido pelo psicólogo é optar pelos planos oferecidos pela Confederação ou pela Unimed Paulistana, que têm área de cobertura maior. "Não
é preciso cumprir carência e os preços são praticamente os mesmos", tranqüilizou.