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Acidente

Ieda Rodrigues
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Trecho urbano da Bauru/Marília é ponto crítico

Texto: Ieda Rodrigues

O acidente na rodovia Bauru-Marília envolvendo um Tempra e um Opala, ocorrido na madrugada de domingo, e que causou a morte de todos os ocupantes dos veículos, num total de seis pessoas, aconteceu num ponto crítico da rodovia, o trecho urbano. Esse trecho, que vai do km 347 (entrada para Vila Dutra) ao km 353 (acesso ao Gasparini) tem um grande fluxo de veículos e é palco de constantes acidentes.

Neste ano, de 1 de janeiro a 30 de junho, a Polícia Rodoviária registrou 25 acidentes no trecho urbano da Bauru/Marília, sendo nove acidentes com vítimas (fazendo nove vítimas leves e duas vítimas graves) e 16 acidentes sem vítimas

- os números de julho e agosto ainda não haviam sido tabulados. A duplicação da rodovia, apontada como uma das maneiras de reduzir acidentes na via, está paralisada há muitos anos.

O comandante da 1.ª Cia. da Polícia Rodoviária, capitão Augusto Francisco Cação, disse que o trecho urbano da Bauru-Marília é um dos pontos críticos em relação a acidentes na região. Também são considerados críticos trechos da rodovia Bauru/Iacanga e da rodovia Bauru-Jaú. Ele afirmou que a duplicação da rodovia poderia ajudar na redução de colisões frontais, já que a via passará a ter duas pistas.

No entanto, Cação ressaltou que 95% dos acidentes em rodovia ocorrem por excesso de velocidade ou imprudência. Ele lembrou que a pista dupla não reduz os riscos de atropelamentos, já que não há como evitar que pedestres cruzem as pistas. O capitão ressaltou que, para coibir excesso de velocidade e outras infrações, que podem resultar em acidentes, são realizadas fiscalizações.

O JC procurou o Departamento de Estradas de Rodagens (DER) para saber sobre a duplicação da rodovia, mas até o fechamento desta edição a assessoria de imprensa do órgão não passou nenhuma informação. Em entrevista ao JC em 1998, o secretário estadual dos Transportes, Michael Zeitlin, disse que a duplicação da Bauru/Marília seria definida no ano seguinte, ou seja, em 1999, o que não ocorreu. Na época, a duplicação estava orçada em R$ 140 milhões.

Em 1997, um engenheiro do DER, a pedido do JC, fez uma análise do trecho urbano da rodovia Bauru/Marília, concluindo que a via apresentava problemas. Ele explicou, na ocasião, que o trecho foi construído em 1957 e passou por recapeamentos, o que resultou num desnível da pista em relação aos acostamentos. Na época, a solução apontada por ele, foi a pavimentação ou a reposição de terra nos acostamentos.

Inquérito

O 1.º Distrito Policial instaurou inquérito, ontem, para investigar as causas do acidente na rodovia Bauru/Marília que resultou em seis mortes. O delegado titular do 1.º DP, Marcelo Hadib Haddad, aguarda o laudo da Polícia Técnica, que deve demorar no mínimo 15 dias para ser divulgado, para dar prosseguimento à investigação do caso.

Aldeia de Araribá vive luto

A aldeia de Araribá, em Avaí, está em luto. Três das seis vítimas fatais do acidente envolvendo o Tempra e o Opala na rodovia Bauru/Marília eram índias: Maralúcia Sebastião, 18 anos, Rosemara Antônio, 17 anos, e Cleonice de Fátima Alves, 29 anos.

Maralúcia e Rosemara foram enterradas na aldeia, ontem pela manhã, após um ritual fúnebre, segundo Mário Camilo, filho do cacique da aldeia. Ele contou que as três moravam em Bauru, onde trabalhavam e estudavam, mas sempre que podiam retornavam à aldeia.

Quando sofreram o acidente, estavam retornando de um baile, em companhia de Juliano Aparecido de Oliveira, 22 anos, que conduzia o Tempra. Adão Munhoz, condutor do Opala, morava no Mary Dota. Maralúcia, conforme lembrou Mário Camilo, era muito conhecida na aldeia e em toda região por participar de competições esportivas. Ela foi a vencedora da São Selvagem realizada no dia 31 de dezembro do ano passado em Agudos.

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