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Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Taxistas pedem aumento para driblar crise

Texto: Josefa Cunha

Os mais de 300 taxistas de Bauru estão reivindicando um reajuste de 25% no valor do quilômetro rodado, fixado em R$ 1,00 desde junho de 1995. A solicitação da categoria, decidida em assembléia, foi encaminhada no mês passado

à Prefeitura e já está sendo analisada pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb). O aumento, porém, dependerá única e exclusivamente do prefeito, que tem o poder monocrático de deferir ou não o pedido.

O principal argumento dos taxistas para requerer o reajuste está nos sucessivos aumentos aplicados aos combustíveis, que de 1995 até hoje, acumularam mais de 160%. Nem mesmo o reajuste concedido no início deste ano ao preço da bandeirada (o valor mínimo pago por uma corrida) teria sido suficiente para amenizar as perdas inflacionárias decorrentes dos combustíveis e a escassez de clientes advinda da concorrência com os mototaxistas.

Para quem acredita que os taxistas estão ganhando "rios de dinheiro" e que pleiteiam o reajuste para incrementar ainda mais os lucros, aqui vai a estatística oficial do Sindicato dos Taxistas, Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bauru e Região: a média diária de corridas de táxi na cidade é de cinco para cada motorista. Levando em conta outro dado oficial, que estima a média das corridas em 2.650 metros, verifica-se que cada taxista da cidade ganha por dia algo em torno de R$ 28,25 ou R$ 847,50 mensais. Vale ressaltar que esse lucro é bruto, ou seja, dele ainda são descontados os gastos com a manutenção do veículo e combustível.

É claro que o demonstrativo de ganho não reflete a situação de todos os taxistas da cidade. Tudo

é uma média. Há aqueles que cumprem 20 corridas diárias, como aqueles que não conseguem um único cliente no dia. Alguns pontos estão praticamente desativados por falta de demanda, como é o caso do localizado em frente ao supermercado Sé da avenida Cruzeiro do Sul. Nenhum dos taxistas que trabalhavam no local suportaram a falta de movimento e migraram para outros pontos, aumentando ainda mais a concorrência.

O aumento que se reivindica no valor do quilômetro rodado não traria grande impacto ao bolso do usuário e nem seria motivo para reduzir ainda mais a clientela. Esta, pelo menos, é a avaliação do presidente do sindicato da categoria, Waldir Faria Freitas, para quem o reajuste pleiteado

é "justo e necessário". Segundo ele, é preciso deixar claro que os 25% reivindicados serão diluídos no preço final.

Pelo preço atual do quilômetro rodado, o itinerário de um quilômetro custará ao usuário R$ 4,00, dos quais R$ 3,00 referem-se à bandeirada fixa. Com o quilômetro rodado a R$ 1,25, a mesma corrida sairá por R$ 4,25. "Os 25% não serão aplicados sobre o preço total. Se assim fosse, o usuário pagaria 25% sobre R$ 4,00, ou seja, R$ 5,00", explica Freitas. O ganho médio dos taxistas bauruenses, portanto, subiria de R$ 5,65 (valor médio das corridas) para R$ 6,31, num lucro a maior de R$ 0,66.

O preço cobrado pelos táxis de Bauru é compatível e até menor ao do de outras cidades da região (confira na ilustração). Em Marília e Presidente Prudente, a bandeirada também está fixada em R$ 3,00, sendo que na primeira, o quilômetro rodado já custa R$ 1,30. Já na vizinha Botucatu, o consumidor paga R$ 4,00 pela bandeirada e R$ 1,04 pelo quilômetro rodado. Das cidades pesquisadas, apenas São José do Rio Preto figura com valores abaixo da média. Lá, o usuário paga apenas R$ 2,10 pela bandeirada, ainda com o quilômetro rodado taxado em R$ 1,30.

De acordo com informações da Emdurb, a análise do pedido de aumento ainda não foi concluída por conta de alguns dados pendentes, mas já solicitados ao Sindicato dos Taxistas. A empresa quer informações sobre a quilometragem e número de passageiros atendidos para finalizar a planilha que será enviada ao prefeito Nilson Costa. Como inexiste prazo legal para a manifestação do chefe do Executivo, não se pode prever quando a questão será resolvida.

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