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Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Falha de segurança é admitida por fabricante de celulares

Texto: Patrícia Zamboni

A Motorola respondeu, ao JC, que lamenta que este procedimento criado dentro da empresa esteja sendo utilizado para fins ilegais

Uma falha de segurança etá permitindo que usuários da Telesp Celular que possuem alguns modelos de aparelhos fabricados pela Motorola do Brasil interceptem clandestinamente conversas telefônicas alheias. Ontem, o Jornal da Cidade recebeu denúncia de uma pessoa, que pediu para ter seu nome preservado, dizendo que chegou ao seu conhecimento uma espécie de código que, quando digitado em celulares da marca Motorola, rastreia ligações que estão sendo feitas por outros usuários do sistema de telefonia celular.

Consultada pela reportagem, a Assessoria de Imprensa da Motorola do Brasil disse, no primeiro contato, não ter conhecimento do assunto e pediu um tempo para averiguar a situação. Por volta das 19h20, foi enviada a resposta da empresa ao JC, via e-mail. No texto, a Motorola reconhece que o dispositivo técnico foi criado pela própria empresa, com a finalidade de ser utilizado em testes de qualidade dos seus produtos, e se limita a lamentar que esteja sendo utilizado para fins ilegais. Porém, em nenhum momento foi citada qualquer iniciativa a ser tomada para resolver o problema de imediato.

Na íntegra, o texto-resposta é o seguinte: "A Motorola lamenta o fato de que um dispositivo técnico, criado exclusivamente para a realização de testes de qualidade de produtos, esteja sendo usado para fins ilegais. A empresa esclarece que o procedimento somente deve ser utilizado em laboratórios autorizados pela companhia, quando conectados a equipamentos de manutenção de aparelhos celulares analógicos. Acreditamos que o uso indevido deste procedimento técnico será impossibilitado com a finalização do processo de migração da tecnologia analógica celular para a digital, atualmente em processo acelerado pelas operadoras brasileiras".

Porém, mesmo com essa resposta ainda fica no ar o questionamento sobre como esse código, criado para procedimentos internos da empresa, passou a ser conhecido por pessoas "não autorizadas", chegando ao ponto de se espalhar em grande proporção?

Na Telesp Celular, questionada sobre a falta de segurança dos usuários do sistema de telefonia celular, a resposta da Assessoria de Imprensa da concessionária foi de que a prática mencionada não é decorrente de qualquer falha operacional do sistema celular que atende a cidade e que isso não seria comumente verificado, já que se trata de um procedimento que a indústria de aparelhos se utiliza exclusivamente para testes de qualidade dos seus produtos, realizados em laboratórios.

A Telesp Celular não prestou qualquer informação sobre possíveis providências para garantir uma maior segurança e privacidade ao sistema de telefonia móvel que opera.

Numa tentativa de minimizar o problema apresentado, a Assessoria de Imprensa da concessionária disse à reportagem que, através desse código, só se consegue interceptar ligações de celulares analógicos. Além disso, ainda foi citado o fato de que a escuta é aleatória, ou seja, quem utiliza o "truque" não sabe a conversa de quem irá escutar. Nenhuma outra explicação foi dada.

De acordo com a pessoa que fez a denúncia ao JC, o assunto está se espalhando com rapidez, pois ela já foi procurada por duas pessoas diferentes, em uma semana, que lhe falaram sobre o código. "Não é possível saber onde essa história começou, mas o fato é que está se espalhando rápido e já tem um monte de gente ouvindo a conversa dos outros. Isso é muito ruim e sério", disse o denunciante.

Consultado pela reportagem, o delegado titular da DIG/Garra (Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos), J.J. Cardia, disse que esse "golpe"

é antigo e que a Polícia já sabe disso há bastante tempo. "Esse golpe é antigo. Quando esse código é digitado, você consegue ouvir a conversa de pessoas que estiverem próximas a quem faz isso. Mas isso começou há bastante tempo, na época dos celulares analógicos. Depois, com o lançamento dos celulares que utilizam tecnologias mais avançadas, essa situação diminuiu bastante. Porém, de posse desse código qualquer pessoa consegue fazer isso", disse o delegado.

Cardia destaca que essa prática é criminosa. "É crime ouvir a conversa dos outros. Se a pessoa for pega em flagrante fazendo isso, pode ser indiciada. Se a vítima que foi ouvida for identificada, quem ouviu a conversa poderá responder processo, com base no código brasileiro de telecomunicações", esclareceu o delegado.

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