Pequenas empresas contratam mais
Texto: Paulo Toledo
Os bons resultados da economia no primeiro semestre deste ano tiveram reflexos diretos na micro e pequenas empresas (MPEs). Em julho, o pessoal ocupado nessas empresas teve um crescimento de 5,1%, quando comparado com o mesmo mês de 1999, atingindo o mais alto patamar de contratação de funcionários desde o início da realização da Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Pecompe), em janeiro de 98.
A Pecompe, realizada em parceria pelo Sebrae-SP e pela Fundação Seade, apontou, também, desempenho favorável no item folha de salários, que, em julho, registrou um crescimento de 8,6% com relação ao mesmo período do ano anterior. Descartando-se o efeito sazonal dos meses de novembro e dezembro (quando ocorre o pagamento do 13.º salário), essa é a maior taxa desde janeiro de 98. A alta de julho neste item foi puxada pelo Interior, que teve índice de 20,6%.
Comparando-se o mês de julho com igual período do ano anterior, o faturamento médio das MPEs ficou 7% acima. Vale destacar que, em julho de 99, a atividade econômica encontrava-se bastante deprimida. A indústria apresentou um faturamento 9,9% acima de julho de 99, o comércio ficou 3,8% acima de igual período do ano anterior e o setor de serviços registrou um nível de faturamento 12,1% acima do obtido em julho de 99.
O economista e consultor de empresas Carlos Roberto Sette diz que a análise da Pecompe mostra que o setor de serviços vem sendo o que melhor apresentou resultados em todos os níveis da análise, seguido pela indústria e comércio, respectivamente.
Ele ressalta que o Interior de São Paulo vem puxando essa recuperação das MPEs. O Interior é responsável pelo maior incremento tanto no faturamento, como nos outros dois indicadores. O setor de serviços, decomposto para análise, demonstra que os serviços prestados às empresas e os de transportes, armazenagem e distribuição lideram o segmento e no setor industrial observa-se um grande avanço do segmento de bens de capital e duráveis, o que mostra que as micro e pequenas também estão se beneficiando do crescimento verificado na economia como um todo.
O economista destaca que os campeões do crescimento industrial são ainda as empresas que produzem bens de consumo imediato.
"Mas, sem dúvida, verifica-se um crescimento constante e firme das MPEs", coloca.
Sette lembra que, no setor comercial, que teve no último ano, uma performance bem melhor que a dos anos anteriores, o segmento atacadista supera o varejista em termos de desempenho. Ele diz que, na realidade, é o segmento atacadista que vem sustentando os resultados do setor comercial.
Para o economista, com o aumento da massa de rendimentos é previsto para o comércio um final de ano superior ao ano passado.
Sette ressalta que, apesar desse cenário relativamente favorável, recomenda-se para as micro e pequenas empresas uma gestão cautelosa dos seus custos, com atenção especial aos custos financeiros e ao impacto que os aumentos de combustíveis e serviços públicos trouxerem, devido aos últimos reajustes desses itens no contexto da economia.
Na análise de cenário, Sette afirma que as taxas de juros, com tendência de queda lenta, continuam tendo peso significativo para os tomadores. Isto porque, as empresas não estão conseguindo repassá-las em seus preços finais.
De acordo com Sette, a demanda para os produtos ou serviços dessa categoria de empresa tende acompanhar o crescimento da economia do País - o que pressupõe um avanço lento, mas sustentado. O crescimento da massa de rendimento vai auxiliar a consolidar essa previsão. "Recomenda-se, também, que os novos investimentos que poderão ser realizados pelas MPEs, tenham que ser com recursos financiados a longo prazo e não de curto prazo", destacou.
Algumas linhas de crédito à longo prazo que o mercado oferece são as ligadas aos convênios do Sebrae com Banco do Brasil e CEF, bem como do Finame, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "O que não se recomenda em hipótese alguma são as MPEs retirarem recursos do capital de giro para realizar investimentos de longo prazo. Isso seria o início de um processo de desequilíbrio financeiro", afirma o economista.
Segundo
Na análise dos técnicos do Sebrae e da Seade, o segundo semestre do ano começa confirmando a tendência de recuperação da atividade econômica nas pequenas e micro empresas paulistas também com relação ao faturamento. O levantamento continua registrando tendência de alta quando a comparação é feita com o mês anterior. Em julho deste ano as MPEs faturaram 1,3% a mais que em junho, resultado bastante influenciado pelo setor de Serviços que fechou com um crescimento significativo de 8,7%. A indústria e comércio apresentaram um comportamento mais tímido, respectivamente, alta de 0,1% e queda de 0,4% no faturamento.
Na avaliação da gerência de Pesquisas Econômicas do Sebrae-SP, a expectativa para os próximos meses é de manutenção da trajetória de crescimento.