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Investimento

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

Lwarcel investe para elevar a produção e reduzir odores

Texto: Tânia Fonseca

A fábrica de celulose Lwarcel está reestruturando seu processo industrial e pretende elevar a produção de celulose das 90 mil toneladas/ano para 120 mil até 2002. O investimento para tanto é de R$ 45 milhões e visa também minimizar o problema do odor desagradável exalado no processo de fabricação que incomoda a população vizinha, como a de Bauru, por exemplo.

As obras estão previstas para começar até o final do ano e a montagem do equipamento deve ser iniciada em março na fábrica de Lençóis Paulista.

De acordo com o diretor industrial da Lwarcel, Carlos Renato Trecenti, o equipamento adquirido incorpora tecnologia de ponta e o conjunto resultará na auto-suficiência de energia da empresa. Com 43 metros de altura, a caldeira que substituirá dois fornos de recuperação química vai gerar vapor a 480C e pressão de 85 atmosferas, resultando em capacidade de geração de energia elétrica de 18 MW.

Quanto ao odor exalado pela fábrica, especialistas afirmam que o gás liberado pela Lwarcel não é toxico e, portanto não faz mal à saúde. O único problema é o cheiro que incomoda. O fator que mais altera a intensidade do odor na região é a condição climática, segundo Trecenti. Ele explicou que o clima, algumas vezes, é muito desfavorável à dispersão dos gases, principalmente em períodos de inversão térmica. A fábrica, de acordo com Trecenti, trabalha da mesma maneira 24 horas por dia, o ano todo. Ele explicou que o odor é sentido esporadicamente em momentos em que as condições climáticas são muito desfavoráveis, ou por eventuais problemas de controle, por falha humana ou de equipamentos.

A Lwarcel utiliza a madeira do eucalipto para produzir a celulose. De acordo com Trecenti, o eucalipto, que leva sete anos para crescer, possui uma excelente madeira para os tipos de papéis que mais se utiliza.

Trecenti explicou que recebe telefonemas quando o cheiro está mais forte e, quando isso acontece, os funcionários da fábrica realizam uma checagem em todos os equipamentos, se não encontram falhas, o procedimento da fábrica

é diminuir a produção com o objetivo de diminuir o cheiro. "É claro que com isso temos um certo prejuízo, porque cai a produção, mas esse também é o nosso trabalho, afinal de contas, nossa região acolhe nossa empresa há 13 anos", disse.

A Lwarcel utiliza o processo de fabricação chamado

"kraft". Esse processo é utilizado também pelos maiores produtores de celulose do mundo, segundo Trecenti. A etapa fundamental do processo é o cozimento da madeira em uma solução de soda cáustica e sulfeto de sódio. Esse processo, segundo Trecenti, é o melhor existente e garante a boa qualidade do papel, produto final feito através da celulose.

Faturamento

Fundada há 14 anos, como alternativa de diversificação de negócios do Grupo Lwart - que tem sua atividade principal no rerrefino de óleo lubrificante usado - a Lwarcel prevê para este ano, um faturamento de R$ 140 milhões, um crescimento significativo sobre os R$ 95 milhões de 1999. Segundo Trecenti, a produção cresceu em um ano de 84 para 90 mil toneladas; mas a recuperação dos preços da celulose tem colaborado para os resultados.

Os números positivos e o projeto de ampliação resultaram na adoção da tecnologia de caldeira de recuperação, que adicionalmente trará o benefício de reduzir a emissão de odores que resulta do emprego de sulfeto de sódio no cozimento da madeira.

Cerca de 200 empregados serão empregados na montagem dos novos equipamentos, adquirido em parte com recursos próprios e cerca de 50% com linhas do BNDES, principalmente Finame.

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