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Chuva

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Chuva continuada deixa 16 áreas em situação crítica

Texto: Ieda Rodrigues

A chuva continuada dos últimos dias já causou estragos em Bauru. Os buracos já existentes nas ruas pavimentadas aumentaram e novos, surgiram. Nas ruas de terra, a situação

é ainda pior: muita lama e erosões deixaram várias vias intransitáveis. A Secretaria das Administrações Regionais (Sear) fez um levantamento dos estragos ontem à tarde e contabilizou 16 pontos críticos na cidade.

Apesar dos estragos nas ruas, o rio Bauru não transbordou e não foi registrado casos de desabrigados e de feridos. A partir de hoje, a Sear desencadeia uma operação de recuperação dos estragos causados pela chuva abrindo oito frentes de trabalho, segundo Celso Donizetti, titular da pasta.

Ele disse que estarão nas ruas, já hoje pela manhã, 118 servidores que contarão com nove caminhões, duas pá-carregadeiras, uma moto niveladora e um trator de lâmina para fazer as obras de recuperação. Donizetti ressaltou que os pontos críticos são os que, tradicionalmente, mais sofrem com as chuvas e que a maioria dos problemas é causada por falta de galerias para escoar a água da chuva.

Um dos bairros mais prejudicados com as chuvas é o Parque Santa Edwirges. Lá, oito ruas de terra estão intransitáveis por causa de erosões e lama. Celso Donizetti disse que uma equipe da Sear trabalhou na terraplanagem de várias ruas do bairro no final de semana passado e todo o trabalho foi perdido com as chuvas.

O titular da Sear explicou que para resolver o problema do bairro

é necessário a implantação de galerias pluviais e a pavimentação das ruas. A operação da Sear faz apenas a recuperação, não resolvendo os problemas de infra-estrutura, que demandam obras maiores e mais caras.

Outro ponto crítico é o cruzamento das avenidas Elias Miguel Maluf com Waldemar G. Ferreira, no acesso de Bauru

à rodovia Bauru-Marília. Uma grande poça de lama formou-se na pista, o que representa risco de acidentes. Por isso, será um dos primeiros locais que a equipe da Sear vai trabalhar hoje.

A avenida Getúlio Vargas, na altura da rua das Festas, outra vez sofreu acúmulo de areia na pista. Também foram bastante prejudicados o Jardim Jussara (surgiu uma erosão na rua Fortunato Resta), Jardim Solange e Jardim Ferraz, que estão com as ruas bastante esburacadas.

No Núcleo Bauru 1, localizado atrás do Mary Dota, a enxurrada foi tão forte que arrastou por alguns metros até uma caixa de concreto destinada a receber a água da chuva na parte baixa do bairro, abrindo uma grande erosão. De acordo com titular da Sear, a caixa de concreto já estava comprometida e a Prefeitura está oficiando a empresa responsável pela construção do núcleo para fazer os reparos.

Moradores pedem soluções definitivas

Cansados de ver os problemas de erosão nas ruas de terra repetirem-se todos os anos, moradores dos bairros que normalmente são os mais afetados pelas chuvas, como Parque Santa Edwirges, Parque Jaraguá e Pousada da Esperança, querem soluções definitivas.

No Jaraguá, além das ruas esburacadas, mais de 80 barracos localizados na margem do córrego da Grama estão em situação de risco, podendo desabar a qualquer chuva mais forte. O presidente da Associação de Moradores do Parque Jaraguá, João Fedriz Filho, disse que é preciso resolver os problemas, fazendo a pavimentação das ruas e instalando galerias para escoar a água da chuva.

A antiga rua 1 do Parque Jaraguá, segundo moradores, está esburacada desde as chuvas do início do ano. Outras ruas com problemas são a Aparecida Batista e a Vitório Perini. Fedriz lembrou que só pavimentar não resolve.

Ele citou, como exemplo, a avenida Gabriel Rabelo de Andrade que, segundo ele, não tem galeria para escoamento da água da chuva no trecho da altura da quadra 6. O resultado é que a enxurrada acaba invadindo casas e estabelecimentos comerciais das regiões mais baixas.

Primeiros 13 dias de setembro somam 90 milímetros de chuva

Neste mês, até ontem, caíram cerca de 90 milímetros de chuva em Bauru, de acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas

(IPMet) da Unesp. O índice é maior que o registrado em todo o mês de setembro do ano passado, quando caíram 70,5 milímetros de chuva em Bauru.

No entanto, apesar da chuvarada do início do mês, o índice ainda está dentro da média. Em 1998, segundo dados do IPMet, caíram 168 milímetros de chuva em Bauru. A média histórica é 70 milímetros. Os meteorologistas do IPMet ainda não consideram anormal a quantidade de chuva dos últimos dias.

As chuvas dos últimos dias são decorrentes de uma frente fria que está atuando sobre o Estado de São Paulo. A previsão para hoje e próximos dias é de mais chuvas. A frente fria deve permanecer sobre o Estado de São Paulo, provocando chuvas e trovoadas até sábado. O tempo deve melhorar a partir de domingo, mas ainda há previsão para chuvas isoladas para o período da tarde.

Em função da chuva continuada, as lavanderias da cidade já começam a registrar aumento no número de serviços, principalmente de secagem de roupas. Mas o volume de serviços deve crescer mesmo é se a previsão de chuva até sábado for confirmada.

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