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Greve

Patrícia Zamboni
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Correios de Bauru ficam fora da greve

Texto: Patrícia Zamboni

Decisão pela greve, a partir do dia 20, foi tomada em plenária nacional. Diretor local diz que cidade não vai participar

O diretor do Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de Bauru e Região, Francisco Theodoro de Souza Netto, disse que os trabalhadores de Bauru não irão participar da greve nacional da categoria, marcada para começar a partir de zero hora do próximo dia 20. Segundo ele, o sindicato continua em negociação com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e os trabalhadores temem ser demitidos se participarem do movimento de paralisação.

"Não vamos participar porque não somos filiados

à Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) e porque tememos demissões. Nós também somos contra a proposta que a empresa ofereceu aos trabalhadores mas, como o sindicato de Bauru é autônomo, estamos negociando com a direção dos Correios separadamente", informou Souza Netto.

De acordo com Ezequiel Ferreira Lima Filho, membro do Comando Nacional de Mobilização e Negociação da Fentect e diretor do Sindicato dos Empregados dos Correios de São Paulo, a decisão pela greve foi tomada após a plenária nacional da Fentect, que foi realizada nos dias 9 e 10 deste mês.

Segundo informações de Lima Filho, o evento contou com a participação de 65 delegados, representando 30 sindicatos de trabalhadores de todo o País. Na ocasião, foi debatida a contra-proposta da direção da ECT, considerada totalmente insatisfatória pela categoria, segundo Lima Filho.

"A contra-proposta da ECT deixou os trabalhadores totalmente insatisfeitos, por isso, decidimos pela deflagração de greve, a partir de zero hora do dia 20 de setembro. Nós sugerimos à empresa a retomada das negociações. Porém, se até o dia 20 nada mudar e nenhuma proposta decente for apresentada pela ECT, a greve irá começar", afirmou Lima Filho. Segundo ele, na contra-proposta da ECT consta o pagamento de reajuste salarial de 2%, retirada da cesta básica, reajuste de R$ 2,00 no vale-cesta e de R$ 0,50 no vale-refeição.

Se não houver novas negociações até o dia 20, Lima Filho disse que, nessa data, será paralisado o tráfego postal e telegráfico de todo o Brasil, que atualmente é estimado em 27 milhões de objetos por dia, postados em mais de 11 mil agências próprias da empresa e mil agências franqueadas.

"Ontem (terça-feira), nós nos reunimos com representantes da ECT para comunicar o resultado da plenária nacional e dissemos que estamos abertos ao processo de negociação. Para que isso aconteça, basta que a direção faça uma proposta que, de fato, contemple os interesses e necessidades dos trabalhadores e que seja compatível com a estimativa de alta lucratividade no ano 2000, que gira em torno de R$ 500 milhões. Se isso não acontecer, a greve será inevitável", disse Lima Filho.

A pauta de reivindicações dos trabalhadores da categoria tem como eixo a reposição das perdas salariais e aumento real de 10%, que totalizam 38,02%; piso salarial de cinco salários mínimos; não à privatização da ECT; isonomia de salários e benefícios; garantia de emprego; e manutenção dos direitos, inclusive os sindicais.

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