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Comentário esportivo

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 5 min

Em Confiança

Leonardo de Brito

CARTADA DECISIVA

O futebol brasileiro joga o seu futuro na partida contra Camarões: se vencer, avançará para as semifinais e manterá a esperança de conseguir o inédito ouro olímpico; se perder, voltará para casa com a certeza de que terá de conviver com uma crise que não tem tamanho. Eu não queria estar na pele de Wanderley Luxemburgo, que deve disputar o jogo da sua vida. Além da necessidade da vitória na madrugada brasileira deste sábado, o Brasil tenta afastar um trauma, por ter se machucado duas vezes contra africanos em Olimpíadas. Em Atlanta-96, a equipe nacional, que era dirigida por Zagallo, perdeu para a Nigéria nas semifinais. Em Sydney-2000, domingo passado, foi a vez da África do Sul aprontar em cima da nossa Seleção. Mas vamos ficar tranquilos, porque pelo discurso de Luxa e seus pupilos, não vamos deixar Camarões sequer respirar. As duas Seleções se enfrentam a partir das 6h, de Brasília, no Brisbane Cricket Ground, em Brisbane. Se o Brasil vencer, vai enfrentar nas semifinais, na próxima terça-feira, em Melbourne, o vencedor do confronto entre Chile e Nigéria.

SHOW DO VÔLEI

A seleção brasileira masculina de vôlei venceu por 3 a 0 os três jogos que realizou até aqui nas Olimpíadas: sobre a Austrália (parciais de 25/13, 25/14 e 25/21), sobre o Egito (30/28, 25/18 e 25/21) e sobre a Holanda (25/20, 25/17 e 27/25). Nesse aproveitamento de 100%, a equipe comandada por Radamés Lattari não perdeu um set sequer - é o principal destaque do Brasil até agora em Sydney. Contra a Holanda, atual campeã olímpica, o Brasil fez, na minha opinião, a melhor atuação nos Jogos. Há muito tempo a seleção brasileira não apresentava tanto volume de jogo e com o time certinho. A Holanda é sempre um adversário especial no vôlei masculino, porque foi contra esta equipe européia que o Brasil, sob o comando de José Roberto Guimarães, conquistou a medalha de ouro nos Jogos de Barcelona, em 1992. O torneio está muito equilibrado e várias seleções podem ficar com o título, mas estou muito confiante na conquista do ouro.

OS FORA DE SÉRIE

Depois de arrasar nos 100 metros, a nadadora Inge de Bruijn bateu o recorde olímpico dos 50m livre para mulheres. Ela superou a marca na décima série eliminatória para a prova, disputada na noite de ontem, manhã desta sexta em Sydney, com o tempo de 24s46. Se ela é a "Holandesa Voadora", seu compatriota Pieter van den Hoogenband é o "Holandês Voador", que já desbancou o então fenômeno australiano Ian Thorpe e o russo Alexander Popov. Outro fora de série na natação desses Jogos de Sydney é o americano de origem russa, Lenny Krayselburg.

DE SONHO A PESADELO

O Dream Team (time dos sonhos) dos Estados Unidos, que chegou a Sydney para manter a medalha de ouro no basquete e sua tradição de invencível, teve um verdadeiro pesadelo contra a Lituânia. Os norte-americanos venceram, avançaram para as quartas-de-final, mas não agradaram, chegando a dar sono no público que lotou o Super Dome de Sydney. Um pobre magro placar de 85 a 76 marcou a vitória dos EUA, enfeitado com percentuais pouco meritórios para uma equipe formada por jogadores da NBA, a melhor liga de basquete profissional do planeta. O time de Vince Carter & cia se classificou, mas deixou flutuando no ambiente, dúvidas em relação a seu real poderio e sobre o que poderá acontecer se num dia dos piores cruzar com a poderosa Iugoslávia, sua adversária na final dos Jogos de Atlanta-96.

MÉDIAS BAIXAS

Os 148 primeiros jogos da Copa João Havelange, em comparação com os de igual número da Série A do Campeonato Brasileiro do ano passado, apresentam médias inferiores, tanto de público quanto de gols. No último Brasileirão, a média de público chegou a quase 14 mil pagantes, enquanto na Copa João Havelange, o índice baixou para 8.956 nos 148 jogos iniciais. Nos gols, a médias foram de 2,68 no Brasileiro-99 e de 2,64 na Copa João Havelange. Nesta competição, que este ano está substituindo o Campeonato Brasileiro, os recordes de renda e de público pagante pertencem a Flamengo x Palmeiras, no Maracanã, com R$ 395.047,50, e 43.640 torcedores, respectivamente. Mas computando-se os pagantes e os não-pagantes, a partida de maior público foi Santa Cruz x Flamengo, no Estádio do Arruda, com a presença de 51.118 torcedores. Botafogo x Atlético Parananse, no Estádio Caio Martins, até o momento,

é o jogo de menor renda: R$ 4.590,00. E Botafogo x Ponte Preta, no Maracanã, tem o recorde negativo de público, com apenas 636 pagantes.

CORDA BAMBA

A direção da Portuguesa não cedeu às reclamações dos torcedores, por causa da derrota diante da Ponte Preta, e manteve o técnico Lula Pereira no cargo. Lula Pereira não é culpado por esta situação em função dos problemas que teve para montar o time, no entanto, está na corda bamba. Segundo os cornetas do Canindé, se a Lusa fracassar no próximo jogo, dificilmente o treinador continuará no clube.

CHUTEIRAS

O atacante colombiano, Faustino Asprilla, não apareceu mais no Palmeiras. Desde a partida contra o Independiente da Argentina, em Buenos Aires, o jogador não da as caras no Verdão. O mais curioso é que apareceu na Academia de Futebol, uma pessoa muito ligada ao jogador para buscar suas chuteiras. Asprilla está mesmo se transferindo para o Al Nasser, da Árabia Saudita, e levará consigo as chuteiras que ele errou o pênalti, na final da Libertadores, contra o Boca Juniors.

VALEU, MÁRIO

A preparação foi boa, fizemos aquela grande corrente, mas não foi possível Mário Sabino Júnior ganhar uma medalha olímpica. Mas o judoca bauruense está de parabéns e merece todo o nosso carinho por representar com classe e dignidade o esporte da cidade e do País. Perdeu para o israelense, mas lutando bravamente. Só o fato de competir em Sydney é a glória, porque Olimpíada reúne a nata do esporte mundial.

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