Geral

Comentário esportivo

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 5 min

Em Confiança

Leonardo de Brito

NOTA ZERO

Das quatro últimas Olimpíadas em que esteve representado no torneio masculino de futebol, esta foi a pior participação do Brasil. Nas demais, conseguiu pelo menos o direito de disputar a medalha de bronze. Agora, a equipe do técnico Wanderley Luxemburgo foi eliminada nas quartas-de-final. Desde os Jogos de Los Angeles, em 1984, a Seleção Brasileira só não se classificou para o torneio de futebol das Olimpíadas de Barcelona, em 1992. Nas demais, conquistlou duas medalhas de prata e uma de bronze. Em 1984, perdeu por 2 a 0 a final para a França e ficou com a medalha de prata. A Seleção era treinada por Jair Picerni. Em 1988, em Seul, nova final olímpica e outra derrota: União Soviética, 2 a 1. Já nos Jogos de Atlanta, em 1996, o Brasil foi derrotado pela Nigéria por 4 a 3, na morte súbita. Nestas Olimpíadas de Sydney, a equipe de Wanderley Luxemburgo disputou quatro jogos. Venceu dois e perdeu dois. Não convenceu nos 3 a 1 contra a Eslováquia, e levou um tremendo sufoco na vitória sobre o Japão pela contagem mínima. E ontem, o Brasil, que era apontado como o principal favorito ao ouro, deu palhaçada. Pela primeira vez em minha vida, torci contra a Seleção do meu País - nos 10 minutos finais do tempo regulamentar. Veio o gol de Ronaldinho, esperança de volta, mas a equipe nacional acabou se desmoronando como um castelo de areia. O principal culpado é Luxemburgo, que não levou os melhores jogadores, nas substituições só fez besteira e não deu um padrão ao time. Cafu, Vampeta, Rivaldo e Romário: desses quatro, pelo menos dois deveriam ter disputado os Jogos de Sydney. Quanto ao jogo, o Brasil foi péssimo ontem, apesar das bolas na trave e dos erros da arbitragem. No primeiro gol dos africanos, não houve falta - Fábio Bilica matou a bola no peito -, e o gol anulado, marcado por Fabiano, foi legítimo. No entanto, os brasileiros não foram objetivos, usaram e abusaram das filigranas e individualidade. Foi uma derrota até certo providencial para os Leões Indomáveis, porque se o Brasil cruzasse com o Chile, com o futebol que estava exibindo, certamente levaria uma surra de bola. Maior ainda do que aquela em Santiago pelas Eliminatórias.

PARREIRA?

Apesar de o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, se manter em silêncio e se recusar a conceder entrevistas sobre o futuro de Wanderley Luxemburgo, crescem os boatos em torno da demissão do treinador, segundo informam as agências de notícias internacionais, que fazem a cobertura dos Jogos Olímpicos de Sydney. O nome de Carlos Alberto Parreira vem sendo comentado. O processo de fritura de Luxemburgo foi por causa, é claro, do vexame de ontem à na noite em Brisbane, de manhãzinha no Brasil. O que acho da volta de Parreira à Seleção? Não, não, mil vezes não. Prefeiro Luís Felipe Scolari. Acho que a galera toda quer Felipão.

BARBA E CABELO

Parece que os homens estão aprendendo com as mulheres. Os Estados Unidos passaram pelo Japão e avançaram para as semifinais. O futebol masculino dos EUA segue o sucesso do feminino, que também está na fase semifinal e

é o grande favorito para a conquista da medalha de ouro em Sydney. Os gringos podem fazer dobradinha no soccer.

CHEIRO DE OURO

Já classificada para as quartas-de-final dos Jogos de Sydney, a seleção brasileira masculina de vôlei vem jogando muito e precisa apenas ganhar um set do jogo contra Cuba neste domingo, para garantir a primeira posição do grupo A. O Brasil, que derrotou ontem a Espanha, por 3 sets a 1, é o líder da chave e forte candidato ao título

VAREIO

Na estréia de Gamarra no Flamengo, o Santos deu vexame, ao ser goleado no Maracanã. Com a derrota de 3 a 0, o Peixe poderá perder a liderança da Copa João Havelange, enquanto os cariocas chegaram aos 20 pontos ganhos em 12 partidas disputadas e se aproximaram das primeiras colocações. Para mim, o pênalti que originou o segundo gol não existiu, no entanto, o Rubro-Negro mereceu o triunfo. Empurrado por sua fanática torcida, o Flamengo começou a partida apresentando um futebol ofensivo e objetivo, marcando a saída de bola e segurando o Santos em seu campo de defesa. Encolhido, o Peixe raramente ultrapassava o meio-campo. E depois de tomar o segundo gol, o Alvinegro praiano ficou ainda mais apático e recuado - mal conseguia explorar os contra-ataques, já que o Fla marcava muito bem tanto no meio quanto na zaga. Não adianta a galera santista chorar. O Peixe levou um vareio de bola ontem à tarde.

HISTÓRIA

Inge de Bruijn, 27 anos, vem fazendo história nos Jogos Olímpicos de Sydney. A última proeza da nadadora holandesa foi a conquista dos 50m livre, prova mais rápida da natação, com o tempo de 24s32. Durante as eliminatórias, Bruijn quebrou o recorde mundial da prova, fazendo 24s13 - 26 décimos de segundo abaixo da marca anterior. E a terceira quebra de recorde mundial da holandesa em Sydney teve um detalhe interessante: o anterior, 24s39, foi estabelecido pela própria Bruijn, em prova realizada no Rio de Janeiro, em 10 de junho deste ano. Em Sydney, Bruijn começou a série de conquistas na prova dos 100m borboleta. Na ocasião, além do ouro e do novo recorde mundial (56s61), a holandesa deu a seu país o primeiro título olímpico na natação em 16 anos. Como forma de agradecimento e reconhecimento, a rainha Beatrix enviou uma carta de congratulações. De Bruijn seguiu vencendo nos 100m livre, já nas semifinais, quando quebrou ser próprio recorde mundial nadando a prova com o tempo de 53s77. Na final, o inveitável, com a holandesa conquistando sua segunda medalha de ouro nos Jogos. A consagração veio nos 50m livre, com mais um recorde, a terceira medalha de ouro e o título de nadadora mais rápida do mundo.

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