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Excesso de exercício

Redação
| Tempo de leitura: 7 min

Excesso de exercício eleva radicais livres

A prática regular de atividade física é, sabidamente, uma das condições fundamentais para a manutenção da qualidade de vida. Mas, de acordo com o cardiologista Ronaldo Leão Abud, pessoas que se exercitam freqüentemente precisam estar atentas ao aumento de suas necessidades vitamínicas: o maior consumo de oxigênio requerido pelo esporte resulta, também, em maior liberação de radicais livres, conhecidos como vilões do envelhecimento e que precisam ser equilibrados pela ingestão de substâncias antioxidantes (vitaminas, enzimas e minerais).

Abud afirma que todo ser humano, ao metabolizar o oxigênio, libera uma determinada quantidade de radicais livres, que são substâncias químicas importantes ao organismo em diversas atividades, como o combate de bactérias e a dilatação dos vasos sangüíneos. Porém, quando produzidos em excesso, eles podem acelerar a oxidação das células,

"enferrujando-as" e prejudicando o bom desempenho de suas funções.

"Com o tempo, o organismo não consegue se defender desse excesso e começa a envelhecer. E não importa se o indivíduo é considerado saudável ou não. Se você considerar como exemplo um atleta, que teoricamente é saudável, ele pode vir a apresentar esse desequilíbrio (por carência de substâncias antioxidantes) e diminuir seu rendimento, apresentando sintomas como cansaço e desânimo."

O especialista ressalta que esse processo de oxidação pode dar origem a uma infinidade de doenças degenerativas, conforme a tendência genética e os hábitos de vida de cada um: "Se na história familiar desse paciente existem cardiopatas, o coração pode ser o órgão-alvo dos radicais livres excedentes. Se a pessoa tem tendência à artrite, o órgão-alvo passa a ser a articulação. Não importa que tipo de patologia esse indivíduo padeça. O processo vai ser mais ou menos o mesmo. E quando a doença se manifesta,

é porque o desequilíbrio já existe há muito tempo".

Por isso, Abud explica que não existe uma idade adequada para se começar um trabalho de prevenção.

"O organismo deve estar em harmonia desde que somos gerados, ainda no útero. Em Medicina Ortomolecular, não estamos falando em tratar uma doença, mas em manter a saúde, corrigindo os fatores de estresse, os hábitos de sono, a alimentação e a atividade física. Lembrando que o exercício físico só é bom quando bem dosado, feito com regularidade e sob orientação. O excesso acaba sendo ruim. Tanto que os animais que vivem por mais tempo são também os mais lentos, como a tartaruga e o bicho-preguiça", conclui.

Controle

Todos os processos básicos da vida ocorrem no interior das células. Muitos desses processos, como a respiração e a conversão de alimentos em energia, necessitam de oxigênio, utilizado em sua maior parte pelas células, convertido em água. Parte do oxigênio, entretanto, vai para reações paralelas, geradoras de moléculas agressivas e instáveis chamadas radicais livres, que podem atacar substâncias lipídicas (gorduras), inclusive as localizadas nas membranas celulares, deixando-as oxidadas.

É essencialmente o que acontece quando a manteiga fica exposta ao ar e torna-se rançosa. Ao reagir dessa forma, os radicais livres geram outros radicais livres e, se essa reação em cadeia não for interrompida, eles podem danificar e destruir as membranas celulares, os constituintes vitais das células

(inclusive o DNA), as próprias células ou até mesmo os tecidos.

Nocivos ao organismo

Em circunstâncias normais, os radicais livres são produzidos como parte do sistema de defesa do organismo. Alguns leucócitos (glóbulos brancos do sangue) produzem radicais livres para matar vírus e bactérias, ajudando, dessa forma, a defender o organismo de invasores. Os radicais livres, entretanto, podem também ser produzidos em doses excessivas devido a substâncias tóxicas contidas no ar poluído, na fumaça de tabaco ou pela ingestão de elevadas quantidades de ferro (como ocorre nas transfusões de sangue). O excesso de radicais livres produzidos em grande número podem originar doenças como câncer, doenças cardiovasculares, artrite, catarata, etc, além de acelerar o processo de envelhecimento.

No processo biológico normal, as enzimas presentes nas células eliminam os radicais livres, neutralizando sua parte ativa e impedindo-os de continuar a causar danos. O organismo também pode proteger-se contra as lesões causadas pelos radicais livres por intermédio de nutrientes antioxidantes

(vitaminas C, E e betacaroteno, entre outras), que podem ser aumentados para fazer frente ao excesso de radicais livres, ao contrário do que acontece com as enzimas, que são limitadas.

Benefícios dos antioxidantes no envelhecimento

Apesar de não ser possível barrar a degeneração progressiva do organismo, a Medicina Ortomolecular está garantindo o envelhecimento com mais qualidade e menores taxas de morbidade e mortalidade.

Estudiosos de vários centros de pesquisa do mundo estão avaliando a possibilidade de se interferir na qualidade de vida dos idosos com a redução do chamado estresse oxidativo. A afirmação é do geriatra Clineu Almada, um dos palestrantes que participou do evento Medicina Ortomolecular 2000 - VIII Simpósio da Sociedade Brasileira de Medicina Ortomolecular e do II Curso do Departamento Científico do CAOC - Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo.

De acordo com o médico, apesar dos benefícios serem percebidos na rotina de atendimentos, ainda não foi possível determinar até que ponto o uso das substâncias antioxidantes pode interferir no envelhecimento. No entanto, a Medicina Ortomolecular vem sendo usada no intuito de se reduzir os riscos de morbidade e mortalidade entre os idosos, ou seja, garantir que o ser humano viva por mais tempo e em condições de manter suas atividades habituais, sem chegar ao um estado de dependência, por exemplo.

"Vários estudos experimentais sugerem a importância do estresse oxidativo (desequilíbrio entre radicais livres e antioxidantes) no processo de envelhecimento, especialmente quando doenças e incapacidade estão presentes. Aparentemente, os antioxidantes podem agir neutralizando ou 'varrendo' as espécies reativas de oxigênio e nitrogênio e impedindo seu ataque à célula. E também podem ser importantes na reparação da célula já lesada", informa Almada.

Ele comenta, no entanto, que os antioxidantes mais importantes nesse processo são as vitaminas C e E, o beta-caroteno, o selênio e a coenzima Q10, entre outras, mas que tais substâncias precisam ser usadas em conjunto, "como se estivessem ligados numa grande rede. Para se otimizar sua função, necessitam dessa combinação. E é exatamente nesse ponto que a maioria dos estudos peca".

Preservação de órgãos

Estudos feitos com cobaias permitiram a redução de edemas, inflamações e necroses em fígado e pâncreas no combate aos radicais livres.

Pesquisas realizadas recentemente na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo mostraram que o combate aos radicais livres em órgãos e tecidos de animais poderia prevenir o aparecimento de lesões e aumentar a sobrevida desses órgãos. Se isso for confirmado em humanos, significará uma redução considerável dos casos de transplante. A informação é do professor Emílio Elias Abdo, coordenador de um estudo que ganhou o prêmio de primeiro lugar no 4.º Congresso Mundial da International Hepato-Bilio-Pancreatic Association, em Brisbane (Austrália), em maio deste ano.

Segundo Abdo, a circulação sangüínea de metade de cada fígado de 12 cães e dez ratos foi cortada por aproximadamente meia hora. Em seguida, exames mostraram sérios prejuízos químicos e lesões gravíssimas no tecido agredido. Então, foi formado outro grupo, também com 12 cães e dez ratos, que receberam uma substância antioxidante (N2-Mercaptopropionilglicina) antes do corte de circulação do sangue ao fígado e os exames mostraram uma diminuição relativa das alterações graves verificadas no grupo anterior, como edemas, inflamações e necroses. Mais que isso, houve a sobrevida do órgão.

"Isso mostrou a existência de radicais livres nesse tipo de agressão orgânica e que existe um meio de inibí-los, com substâncias que servem para essa finalidade", afirma o professor. E ele prevê: "Uma vez que a substância usada no estudo já é aprovada pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão controlador de drogas para o mercado norte-americano, poderemos, num futuro breve, aplicá-la em seres humanos. Poderemos fazer estudos - devidamente controlados e aprovados - em diversas doenças em que haja a presença de radicais livres, como nos transplantes de fígado e outras cirurgias que impliquem em corte provisório da circulação de sangue, bem como no traumatismo desse órgão".

Segundo Abdo, há cerca de cinco anos, ele coordenou outro estudo em que dez ratos foram submetidos a uma pancreatite aguda. Em outros dez ratos, foi administrado o antioxidante (N2-Mercaptopropionilglicina) antes da indução da doença. Para o professor, são os primeiros passos de um tratamento que reduziria a necessidade de transplantes em humanos.

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