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Ortomolecular

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 5 min

Ortomolecular como conduta terapêutica

Texto: Fabiana Teófilo

Desde 1983, quando os médicos Tuffik Mattar e Efrain Olszewer introduziram a Medicina Ortomolecular como terapêutica no Brasil, a ciência vem sendo proliferada. Atualmente, muitos médicos realizam o trabalho de acordo com o conceito que tem como objetivo básico, manter o equilíbrio das moléculas que compõem o organismo.

Em Bauru, o pediatra Oduvaldo Moreno Prado e o médico Júlio Horta são os precursores da Medicina Ortomolecular. De acordo com Prado, há muito ainda para evoluir dentro dessa ciência. "É o mesmo que aconteceu com a homeopatia, aos poucos, se vai provando a eficiência e as pessoas vão se adaptando", esclarece.

Ele explicou que a terapia ortomolecular, associada a oxidologia

(estudos dos radicais livres), já atingiu centros universitários, criando e motivando estudos científicos que determinam a importância dos conceitos ortomoleculares, assim como da correlação entre a produção de radicais livres e o aparecimento das doenças degenerativas.

"As doenças degenerativas ocorrem em conseqüência ao desequilíbrio entre a produção de radicais livres e a capacidade antioxidante natural do organismo", disse.

Várias situações, de acordo com Prado, podem levar ao aumento da produção de radicais livres, porém o que agrava a situação é o processo do auto-controle desses radicais livres (sistemas de enzimas) que, no envelhecimento, passam a funcionar com precariedade.

"É a deficiência de nutrientes, minerais, vitaminas e aminoácidos. Por outro lado, os radicais livres não são apenas vilões. Em quantidades fisiológicas eles funcionam como virucida, bactericida e fungicida", explicou Prado.

O estresse oxidativo ou excesso de radicais livres pode ser controlado de várias maneiras: através da melhoria dos sistemas antioxidantes endógenos (enzimas), corrigindo as deficiências de vitaminas e de minerais participantes desses sistemas enzimáticos. Para um perfeito funcionamento das enzimas são necessárias as coenzimas (vitaminas) e as apoenzimas (minerais); o suprimento de aminoácidos que também são indispensáveis ao funcionamento dos sistemas enzimáticos (antioxidantes); pela oferta de vitaminas, principalmente o beta-caroteno, vitamina E e vitamina C e, ainda, pelo uso dos bioflavonóides, que agem como antioxidantes, recuperando as vitaminas quando oxidadas.

De acordo com Prado, ter bons hábitos de vida também pode ser utilizado como antioxidantes. "É importante fazer uma alimentação correta com horários, freqüência, ou seja, realizar uma alimentação de sal duas vezes ao dia com uma variedade de alimentos, ingerindo bastante frutas, verduras e legumes. Horários corretos de sono também devem ser seguidos. Durante o sono REM (das 23 horas às 5 horas), é produzida a melatonina que também é antioxidante. É preciso também evitar o uso abusivo de bebidas alcoólicas e o fumo. Esse

último, diminui o zinco do organismo e libera milhões de radicais livres a cada tragada", explicou o médico.

Prado, que estará ministrando uma palestra dirigida a estudantes dos cursos de Farmácia e Bioquímica sobre o assunto, no próximo dia 28, na Universidade do Sagrado Coração

(USC), enfatizou que muitas pessoas associam a Medicina Ortomolecular como um tratamento contra o envelhecimento e isso não ocorre.

Doenças degenerativas

Em todas as doenças degenerativas crônicas, os radicais livres estão presentes, seja como causa ou como conseqüência do processo degenerativo. As doenças ou situações clínicas secundárias ao excesso de radicais livres ou agravadas por eles podem ser: doenças do coração e dos vasos sangüíneos (arteriosclerose), como enfarto, derrame e problemas circulatórios, as doenças reumáticas inflamatória (artrite reumatóide) e degenerativa

(artrose), além de outras doenças como mal de Parkinson, demência senil, efisema pulmonar, diabetes, glomerulonefrite, bronquite crônica, envelhecimento patológico (órgãos e sistemas), hipertensão arterial, câncer, catarata, degeneração macular da retina. Rugas e manchas senis são conseqüências do acúmulo de lipofucsina, que é o produto da peroxidação lipídica secundária à ação dos radicais livres.

Exames

Em Medicina Ortomolecular, os exames de biorressonância

(Vega Teste) e os exames de mineralograma do cabelo ( que não serve como diagnóstico, apenas como orientação) são mais valorizados porque os exames de sangue, por exemplo, mostram os metais tóxicos ou nutricionais circulantes e os exames de urina mostram os minerais que entraram no organismo e não ficaram retidos e estão sendo eliminados.

"Para sabermos o quanto de um mineral (tóxico ou nutricional) temos em nosso organismo, nada melhor que uma biópsia de um tecido. O cabelo é um tecido como qualquer outro e a sua coleta é indolor e sem riscos", explicou Prado.

Medicamentos

O mais importante para transcrever um tratamento, de acordo com Prado, é a história do paciente, suas queixas, seus hábitos e toda sua vida. Depois, se avalia os resultados dos exames e com isso em mãos, se chega a um denominador comum. "Assim teremos uma prescrição tão pessoal como a própria impressão digital do indivíduo e é impossível dois pacientes com as mesmas queixas receberem duas receitas parecidas", explicou.

Na Medicina Ortomolecular, se usa a manipulação de fórmulas e, raramente, os medicamentos padronizados. Além das fórmulas, a alimentação e os hábitos do dia-a-dia são bastante importantes.

"Eu me sinto melhor"

A professora, M.R.T.T., 47 anos, sofre de neurite, por dependência do álcool. Há sete meses ela está se tratando através da Medicina Ortomolecular e afirma que nunca um tratamento foi tão eficaz.

"Eu fui levada a um consultório médico por dois amigos, mas eu não queria ir porque já havia tentado outros tipos de tratamento que não me ajudaram muito. Mas como eles insistiram eu resolvi ir. Já me encontrava num estágio muito elevado. O álcool já interferia em todos os meus órgãos e eu era fraca, sentia dores por todo o corpo.

Iniciei o tratamento, tomando as fórmulas, mas mudar os meus hábitos foi muito difícil e eu pensava que não ia conseguir. Meus amigos me policiavam e eu ficava muito irritada, mas aos poucos, tudo foi mudando.

Hoje, eu me sinto muito melhor e acho que tudo isso me fez muito bem. Agora penso que sou uma pessoa normal e já não estou consumindo o álcool. Consegui parar e estou fazendo exercícios também. Sou mais feliz."

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