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Saúde do trabalhador

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Saúde do trabalhador ainda não é prioridade para pequenas empresas

Texto: Gustavo Cândido

O mercado de trabalho tem mudado ao longo dos anos. Os trabalhadores hoje têm de produzir cada vez mais, a competitividade entre eles é cada vez maior, assim como a jornada de trabalho e a terceirização tem trazido segmentação, monotonia e pouco estímulo em algumas áreas. Nesse contexto, ainda é muito pequeno o número de empresas que se preocupa verdadeiramente com a segurança e a saúde do trabalhador, principalmente entre as pequenas e médias. A grande maioria, possui Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPAs) que funcionam somente no papel e só organizam eventos para a conscientização dos funcionários se a iniciativa vier do próprio trabalhador.

A solução para reverter esse quadro, segundo Andréia Garbin, psicóloga do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de São Paulo (Cerest-SP), órgão da Secretaria do Estado da Saúde voltado para a prevenção e assistência nos casos de saúde do trabalhador,

é descentralizar as ações de entidades como o Cerest e se aproximar, abrindo um diálogo com as pequenas e médias empresas, além da fiscalização constante.

Garbin esteve em Bauru na última semana, onde participou do primeiro evento do ciclo de debates "Saúde e Compromisso Social", organizado pelo Conselho Regional de Psicologia

- Subsede de Bauru, em parceira com a Secretaria Municipal da Saúde e o Serviço Social da Indústria de Bauru (Sesi-Bauru). Ela falou sobre o tema: "Saúde do Trabalhador: Perspectivas Atuais".

De acordo com a psicóloga, apenas as grandes empresas se preocupam em olhar o trabalhador para saber em qual ambiente de trabalho ele está inserido que pode causar (ou estar causando) alguma repercussão negativa, tanto no aspecto físico como no aspecto emocional, devido a má organização das suas atividades. "Nossa experiência no Cerest mostra que as empresas com muitos recursos e que dominam determinado setor, têm equipes de saúde e destinam uma parcela de seus recursos para campanhas e programas de prevenção", diz Garbin. Isso representa muito pouco, já que a maioria das empresas no País são pequenas e médias. Segundo a psicóloga, as empresas menores, em geral, não se preocupam muito com a saúde do trabalhador porque têm mais preocupação em se manter no mercado, "essa preocupação acaba desviando as atenções da empresa não só da área da saúde mas também de outros setores", afirma.

Além de não possuírem programas de prevenção da saúde do trabalhador, as pequenas empresas também não procuram orgãos como o Cerest para tentar implantar alguma ação preventiva, "as empresas que procuram são sempre as grandes", aponta Garbin. A única ressalva acontece quando pequenas empresas entram em contato com o Cerest em busca de profissionais para participar de semanas de prevenção de acidentes, "mesmo assim quem organiza essas 'semanas', são os trabalhadores que estão envolvidos com a questão da saúde, não a empresa", completa.

Aproximação

O descaso de pequenas e médias empresas com a saúde do trabalhador pode diminuir, ou acabar, através de um trabalho regionalizado de órgãos como o Cerest (que possui centros na capital e em algumas cidades do Interior do Estado), na opinião de Andréia Garbin. Segundo ela, primeiro é preciso fazer um mapeamento das empresas e saber quem está fazendo o quê, aonde e quais riscos isso pode causar no trabalhador. "É preciso descentralizar as ações para dialogar mais facilmente com as empresas", diz. Outra solução seria a existência de mais programas de conscientização e também de fiscalização do Ministério do Trabalho e do Ministério Público, que através de suas delegacias regionais têm o poder de fiscalizar. As Direções Regionais de Saúde (DIRs) também podem ser um importante elo entre a Secretaria do Estado da Saúde e os municípios nessa luta pela conscientização nas pequenas empresas, aponta a psicóloga.

O governo federal também tem incentivado os municípios a se organizarem na prevenção de saúde dos trabalhadores, lembra Andréia Garbin. O Ministério da Saúde já organizou oficinas na área de acidentes de trabalho e atualmente possui um projeto de capacitação de profissionais da saúde para antendimento de lesões por esforço repetitivos (Ler), que são uma das principais causas de afastamento de trabalhadores hoje em dia. Esse projeto está atingindo cinco estados - entre eles São Paulo

- que estão destinando verbas para a disseminação do projeto em dez cidades. "Ou seja, se o município mostra a necessidade de trabalho, de capacitação e recursos numa determinada área, há a possibilidade de receber recursos do governo federal", explica Garbin.

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