Condomínios de prédios: tendência em Bauru
Texto: Josefa Cunha
O número de condomínios de prédios residenciais em Bauru vem registrando um crescimento progressivo nas últimas duas décadas. Entre os anos 80 e 90, a cidade ganhou 673 novas construções, 429 delas seguindo a mesma característica: quatro andares ou menos e áreas verde e social comuns. A tendência do mercado para esse tipo de habitação
é incontestável pelos próprios números, mas as construtoras não têm dúvidas em afirmar que a preferência da população - cerca de 80% da procura - ainda é por casas térreas, mesmo que localizadas distantes dos centros urbanos.
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano
(Seplan), os empreendimentos aéreos no município tiveram um "boom" na década de 80, com mais de 600% de crescimento numa comparação aos anos 40, 50, 60 e 70 juntos. Os números, aliás, servem para contar a história do desenvolvimento habitacional na cidade. Entre os anos 40 e 50, foram erguidos 19 prédios para fins comerciais ou mistos (aqueles com alguns andares destinados à moradia). Já na década de 60, quando 20 prédios foram aprovados pela Prefeitura, surgiram os primeiros com finalidade exclusiva residencial. A maioria com mais de quatro andares e localizada na região central, que, por sinal, era a única da cidade com paisagem vertical. Os prédios só migraram de região a partir de 1979, com a construção do Edifício Vila Real e Rio Branco, próximos à Praça Portugal.
O que se viu a partir de então foi uma explosão da arquitetura verticalizada no município. Nos anos 80, foram 208 empreendimentos, sendo 191 residenciais. Grande parte deles surgiu após 1988, quando se inaugurou, com sucesso, a fórmula dos pequenos prédios - com até quatro pavimentos - e grandes áreas de convívio comum. Os parques Camélias e Flamboyant, bem como o Verde Sul, foram precursores de um modelo largamente utilizado posteriormente. A expectativa inicial era que esses condomínios viessem atender às classes de baixa renda, mas o que se viu foi a "invasão" da classe média em busca de segurança e qualidade de vida.
Além da inovação das áreas comuns
(salão de festas, playgrounds, área verde), esses três condomínios também romperam uma outra barreira: a localização. Até então, nunca se havia pensado no desenvolvimento habitacional de Bauru além dos viadutos que passam sobre a Marechal Rondon. "Quando nos apresentaram os projetos do Camélias e Flamboyant, achamos uma loucura", confessa a secretária municipal do Planejamento, Maria Helena Rigitano, sem imaginar o potencial residencial e comercial que a localidade desenvolveria a partir dali.
Os grandes edifícios de alto padrão também contribuíram com o "boom" da década, através dos planos de venda a preço de custo. Na época, muita gente apostou suas economias para adquirir apartamentos nas alturas, mas muitos também desistiram no meio do caminho. A promessa do preço de custo deixou a desejar em termos dos valores das prestações e do prazo de entrega, obrigando vários compradores a romper o contrato. "Me lembro muito bem que muitas pessoas não conseguiram levar a dívida adiante. Eu e meu marido nos apertamos, mas felizmente pudemos pagar", recorda a secretaria, que na ocasião adquiriu um apartamento no edifício Caiobá.
Nos anos 90, o número de prédios residenciais no estilo condomínio fechado de poucos pavimentos manteve crescimento acelerado. Foram 465 empreendimentos, sendo 308 deles no padrão "Camélias", ainda que bem menores em quantidade de apartamentos. Novos tabus de localização foram quebrados e as regiões distantes do centro deixaram, definitivamente, de ser um empecilho. Os parques Sabiás e Andorinha, Manoel Lopes, Monte Verde e Marilú são exemplos de que distância não mais impede o sonho de quem busca a moradia própria.
Tendência x demanda
Se por um lado, a evolução dos números em Bauru revela uma tendência para as habitações verticais com áreas de convivência comum, de outro, a realidade do mercado demonstra um quadro bem diferente. O diretor da SAT Engenharia, Artur José da Costa Sampaio, não tem titubeia ao afirmar que 80% da população ainda prefere morar em casas térreas e com terreno individual.
"Não importa qual seja a localização. A grande maioria, acredito que até por questões culturais, quer ter seu terreno, sua privacidade, longe ou perto das zonas centrais. São pessoas que querem ter espaço para realizar ampliações, o que é impossível num apartamento. Os outros 20% preferem os prédios por questões de segurança, mas o mercado habitacional tem que seguir a demanda. Não adianta ofertar um produto sabendo que não haverá comprador", avaliou o engenheiro.
O meio termo, entretanto, está em vias de ser apresentado
à população bauruense. Segundo Sampaio, a SAT já trabalha em dois projetos de condomínios
- um aberto e outro fechado - de casas térreas. Ambos os empreendimentos estão sendo concebidos dentro da nova lei municipal de habitação popular, que recentemente tornou obrigatória, como parte original do projeto, a construção de toda a infra-estrutura pública e social nos núcleos, a exemplo de escola, posto de saúde, posto policial e áreas verde e de lazer.