Para prefeitáveis, governo deve perseguir perfil social
Texto: Daniela Bochembuzo
Seis dos sete candidatos à Prefeitura de Bauru afirmam que, se eleitos, irão imprimir ao seu governo um perfil social. A promoção do cidadão, tendo como base a família, é o principal alicerce da proposta dos prefeitáveis. Alguns postulantes, no entanto, entendem a realização de obras como ação de caráter social, na medida em que gera empregos e promove a melhoria da qualidade de vida da população.
Esse é o caso de Tidei de Lima (PMDB). O candidato afirma que seu governo terá perfil eminentemente social, mas não descarta investir em obras, como é o caso do viaduto, iniciado em sua primeira gestão como prefeito, em 1996. "As obras geram empregos, está aí a sua função social. Mas não se pode investir em coisas sem necessidade", pondera.
Para manter o caráter social do seu programa de obras, Tidei de Lima pretende construir creches, prontos-socorros, pavimentar ruas, além de dar continuidade a construções atualmente paralisadas. O peemedebista quer dar atenção especial à saúde, garantindo sua excelência por meio da contratação de mais médicos, aprimoramento da infra-estrutura dos postos e implantação do Programa Médico de Família e da municipalização plena.
Tidei também enxerga a cultura e o esporte e lazer como problemáticas sociais. "Por meio dessas áreas, ampliamos a participação da sociedade nas atividades municipais e promovemos as pessoas. Vou valorizar essas secretarias", garante.
Nilson Costa (PPS) afirma que as políticas públicas que darão rumo ao seu governo serão determinadas pelo planejamento das ações, pela priorização da implantação de infra-estrutura urbana e pela continuidade de investimentos na saúde, educação e assistência social. Outra preocupação é garantir a durabilidade das ações. "Para isso,
é necessário fazer bem feito", afirma o candidato.
O prefeitável pretende iniciar seu programa de governo pela questão da infra-estrutura. Isso inclui construção de galerias, seguido de pavimentação e recapeamento das ruas, chegando ao tratamento das erosões. Nilson Costa também quer continuar a investir em construção de escolas, creches, postos de saúde e prontos-socorros, para garantir a descentralização da rede de atendimento
à população e dar continuidade ao Programa Saúde da Família.
O candidato enumera ainda projetos que priorizam a população de baixa renda, como programas de capacitação e qualificação profissional e geração de emprego e renda. "A família é minha prioridade, numa perspectiva de totalidade, em que todos os seus membros sejam beneficiados com programas, projetos e serviços, pois investir na assistência social é apostar no próprio desenvolvimento econômico e social, na medida em que se constrói cidadãos produtivos", opina Nilson Costa.
O perfil de governo de Pedro Tobias (PDT) caminha na mesma vertente de seu opositor, mas com uma palavra-chave diferente: ser humano.
"Tenho convicção que a população está entendendo nossa mensagem nesta campanha, que é a luta pela transparência das contas públicas, pelo fim do desperdício do dinheiro dos nossos impostos e dos privilégios a grupos poderosos. Por isso, nosso compromisso de governo é totalmente voltado à vida, aos seres humanos que vivem em Bauru e que vão voltar a se orgulhar de nossa cidade", garante o prefeitável.
Para garantir o resgate desse orgulho, Tobias diz ser necessário implementar uma política social séria e honesta, com soluções viáveis do ponto de vista orçamentário e sem desperdícios em sua execução. "Chega de priorizar o cimento, o ferro retorcido e as poderosas empreiteiras. A qualidade de vida dos moradores de Bauru será marca registrada em nosso governo", garante.
Para tanto, Tobias pretende implantar o projeto Médico de Família, as escolas em período integral, o programa de asfalto gratuito, o passe-integração, o terminal urbano de ônibus, programas de incentivo a micro e pequenas empresas, ativação do Distrito Industrial III, Banco do Povo, ações de valorização do servidor municipal e orçamento participativo. Em relação a grandes obras, como o viaduto inacabado, o pedetista diz ser necessário conseguir recursos externos.
Tuga Angerami (PSB) vê Bauru carente de soluções que passam do básico ao complexo. "As necessidades da cidade vão desde a substituição e instalação de focos de luz para aumentar a segurança dos cidadãos
às obras de pavimentação, com investimentos maciços em galerias de águas pluviais, guias, sarjetas, sem falar nos prementes trabalhos de estabilização e combate às erosões", prioriza.
Caso seja eleito, a primeira ação será a adoção de um plano emergencial, que terá como prioridades o término de obras com objetivos sociais, a operação tapa-buracos e pavimentação de bairros com equipes da Prefeitura, a manutenção as estradas rurais e a questão do tratamento de esgoto, que será tratada de maneira urgente. "Definitivamente, o DAE não será privatizado, nem o tratamento em si será terceirizado", garante.
Além das obras prioritárias, a administração de Tuga, ao longo de quatro anos, primará pela manutenção, ampliação e construção de novas unidades de saúde, escolas, creches, áreas esportivas e de lazer. "As respostas aos problemas de Bauru virão, obrigatoriamente, por ações conjuntas com os cidadãos, secretarias, DAE, Cohab e Emdurb para que alcancemos resultados dentro do menor espaço de tempo possível", propõe o prefeitável.
Estela Almagro (PT) também defende uma parceria da Administração com a população, tendo como base uma política social de direito à inclusão social, à cidadania e à justiça. "Redistribuir a riqueza social, garantir o acesso de todos os cidadãos aos bens, serviços e direitos conquistados, democratizar a relação Estado-Sociedade através da participação e do controle da população são os principais objetivos do nosso governo", cita a candidata.
De acordo com Estela, adotar essa diretriz significa reverter a lógica neoliberal que tem norteado as políticas sociais dos governos federal, estadual e municipal, as quais, afirma a petista, mantêm e ampliam a exclusão social.
"A proposta do PT se funda nos princípios da universalidade, integração e intersetorialidade. Na nossa concepção, a política social incorporará o princípio da participação da cidadania na gestão, no controle e na fiscalização dos serviços", diz.
Se eleita, a prefeitável pretende resgatar as experiências tripartites de funcionários, administração e usuários nos equipamentos sociais e nas instâncias da gestão. Isso, acredita, provocaria uma ruptura no modelo autoritário e focalizado das políticas neoliberais hoje vigentes. "Queremos, ao mesmo tempo, garantir um padrão básico de qualidade em toda a cidade e construir a universalidade das atenções a partir dos sujeitos e dos bairros com maior risco social, ou seja, com maiores índices de exclusão e vulnerabilidade", explica Estela.
Thomaz Zamonaro (PRN) considera difícil implantar uma política social sem melhorar a infra-estrutura disponível na cidade. Em razão disso, o prefeitável propõe construir postos de saúde, asfaltar gratuitamente toda cidade, tratar o esgoto com planejamento e mão-de-obra do DAE e criar novos núcleos habitacionais.
"Não quero fazer nenhuma obra faraônica, porque, como na minha vida pessoal, entendo que um administrador público não pode dar um passo maior que a perna. A população não vive sem infra-estrutura, tanto sei disso que pretendo acompanhar essa realidade de perto. Não vou ser um prefeito de gabinete, mas alguém que acorda cedo e acompanha as obras de perto", promete.
Paralelo às obras, Zamonaro pretende implantar o Colégio Integral Municipal (CIM), o projeto Esportes XXI, criar a Guarda Municipal, uma linha de ônibus especial para gestantes e idosos, aumentar a grade salarial dos servidores municipais, doar lotes para atrair novas empresas e sanear as finanças públicas.
Já Carlos Sandrin (PT do B) afirma que seu governo terá um perfil social, cuja linha de ação é composta por 33 projetos. Apesar do amplo plano de governo, o candidato prefere citar apenas um: a implantação de núcleos habitacionais nos vazios urbanos.
"Não vou fazer núcleos habitacionais lá no meio do mato, mas financiar quem já tenha o seu terreno nos bairros já urbanizados, cujas obras custarão bem menos, tendo em vista que não é necessário fazer amplas extensões de rede de água e esgoto, nem de asfalto. O interessado poderá, também, adquirir os terrenos onde tenha interesse. Com isso, teremos uma sociedade melhor, sem perigos de assaltos e com menor preço nas passagens de ônibus", afirma.
Com esse projeto, o candidato diz que o Município não terá a preocupação de asfaltar novas ruas, mas refazer a pavimentação das já existentes. A lógica de Sandrin se estende ainda para a educação e a saúde. "Ao invés de fazer novos grupos escolares, postos de saúde e segurança, mais fácil será melhorar a assistência aos já existentes", conclui.