Eleição "despeja" 500 t. de papel nas ruas
Texto: Fabiano Alcantara
Gráficas grandes deixam de fazer material impresso para políticos e o trabalho migra para médias e pequenas; quantidade "economizaria" 500 toneladas de madeira e produziria 2 milhões de cadernos
Pelo menos 500 toneladas de papel foram gastas para imprimir santinhos e jornais de candidatos a prefeito e vereador de Bauru. A estimativa
é das duas maiores gráficas da cidade, que aceitaram fazer trabalhos para políticos.
Só nestas duas gráficas, que pediram para não ter seu nome divulgado, um montante de 50 toneladas foram impressas. O Jornal da Cidade apurou que boa parte do restante foi produzido em gráficas quase caseiras, com algumas exceções. A maioria das empresas de porte no setor, não fizeram trabalho do tipo.
De acordo com o presidente da Abigraf-SP (Associação Brasileira das Indústrias Gráficas), Mário César de Camargo, nos últimos anos vem ocorrendo uma "migração" de trabalhos envolvendo eleição das grandes gráficas para as pequenas e médias.
"As grandes empresas que, no passado, faziam muita campanha, hoje preferem não se envolver", afirma.
De acordo com ele, existem vários fatores que contribuem para o fato. O principal é simples. O medo de ficar sem receber pelo trabalho. "O candidato que ganha não paga porque ficou importante e o que perde não paga porque perdeu tudo", diz.
A outra questão, segundo ele, é o "tiroteio" que os candidatos promovem. "Isso foi afastando as empresas da impressão de material eleitoral".
Segundo Camargo, devido à migração do trabalho para gráficas médias e caseiras, caso fosse feito um levantamento dentro do âmbito da Abigraf mostraria que o consumo está decrescendo, o que não é verdade, pelo menos no caso de Bauru.
A Abigraf-SP tem 470 associadas, enquanto no Estado existem 4.000 gráficas, segundo Camargo.
Campanha milionária
De acordo com o responsável por uma das gráficas, a campanha impressa deste ano foi "milionária". O investimento financeiro refletiu na quantidade de papel gasto com "santinhos" e jornais de políticos.
"De agosto para setembro nosso pedido de papel jornal aumentou 100%, o que já estávamos planejando. Mas, o pedido de sulfite, que é o que usamos para os santinhos surpreendeu. Foi de 2000%", afirma o responsável pela gráfica.
Estima-se que as 500 toneladas gastas na campanha lotariam 20 carretas de papel. Para produzir tudo isso, foram "gastas" 500 toneladas de madeira sem que ocorresse um desastre ambiental. As empresas de papel têm um esquema de replantio de árvores.
De três árvores, extrai-se uma tonelada de madeira. Ou seja, as 500 toneladas usadas na campanha "economizariam" 1.500 árvores.
Fora do âmbito ecológico, o investimento do montante de papel em cadernos escolares resultaria em nada menos que 2 milhões de cadernos simples, de 96 folhas. Nada mal para um país quem tem tantos analfabetos.