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Eleição

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Presos poderiam decidir uma eleição

Texto: Rita de C. Cornélio

Juntos, os presos da Cadeira Pública de Bauru, Penitenciárias I e II, IPA e Presídio Feminino de Cabrália são 2.529

Preso provisório ou condenado não tem direito a voto. Os direitos políticos deles são cassados automaticamente a partir da prisão. Em Bauru, o número de presos daria, em tese, para eleger um vereador e meio e decidir a eleição para prefeito. Porém, nem todos os presos que cumprem pena na cidade votariam aqui, já que 60% da população carcerária são de pessoas da Capital.

Na Cadeia Pública de Bauru, a população carcerária

é de 158 homens. Na Penitenciária I, são 851. Número semelhante forma a população carcerária da PII. No Instituto Penal Agrícola (IPA), o total de presos é de 609. O voto feminino concentrado no presídio de Cabrália Paulista é de 61.

Somados, o número de presos é de 2.529 que revertidos em votos poderia decidir uma eleição para prefeito numa cidade como Bauru. Ou mesmo eleger o prefeito de uma centena de pequenas cidades do Estado de São Paulo como Piratininga, Cerqueira César, Uru, Oriente, Coronel Macedo, Óleo e Itaberá.

No caso dos vereadores, o voto dos presos em Bauru elegeria um vereador e meio. Supondo que cada partido ou coligação precise de sete mil votos para conquistar uma cadeira na Câmara Municipal, os 2.529 votantes conseguiriam, em tese, eleger um vereador e sobraria alguns votos para a eleição de um segundo.

Os votos dos presos seriam preciosos demais numa cidade do tamanho de Piratininga, por exemplo. Com os 2.529 votos, se elegeria todos os vereadores e sobrariam votos, uma vez que são 9 cadeiras.

Eleitor ilustre

O ex-prefeito Antonio Izzo Filho, que na eleição passada foi o candidato mais votado recebeu mais de 60 mil votos não vai votar nesta eleição. Preso há mais de um ano, ele está com seus direitos políticos cassados.

De acordo com o diretor do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru, Gilberto de Assis Oliveira, o fato de não votar não preocupa muito os presos. "Eles nem falam no assunto. Estão conscientes de que perderam o direito ao voto."

Debutando

Se para o preso votar não tem muita importância, para a deficiente Renata Leonel Carvalho é motivo de orgulho. Ela vai votar hoje pela primeira vez, apesar de seus 26 anos.

Portadora da síndrome de down e aluna da Apae, ela tirou o título de eleitor e está pronta para praticar um dos seus direitos de cidadã, o voto.

Para votar, Renata se preparou junto com seus colegas. "Era o sonho de minha vida", comenta com seu jeito próprio de se expressar. Independente, a menina/mulher já escolheu seus candidatos e faz questão de dizer como vai votar.

"Eu vou apertar os números e depois a tecla verde, para confirmar."

A mãe, Vilma Leonel Carvalho, lembra que Renata sempre compareceu às urnas, mesmo antes de ser eleitora. "Ela sempre nos acompanhou na hora de votar. Ela queria muito poder votar. Eu e meu marido achamos ótimo a oportunidade dela votar."

Renata exibe com orgulho o título de eleitor e promete comparecer às urnas usando o seu mais novo "modelito", para comemorar a data. "Ela é muito vaidosa", explica a mãe.

Somos todos iguais

Partindo do princípio que "ser diferente" não pode servir de justificativa para a segregação das pessoas portadoras de deficiência, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru lançou um projeto para que seus alunos pudessem votar.

A psicóloga da Apae, Cássia Gisele de Oliveira, explica que o objetivo do projeto de auto-advocacia foi esclarecer e fazer com que os deficientes exercitassem seus direitos de cidadãos.

"Trabalhamos com 15 alunos deficientes mentais moderados para que eles tirassem seus títulos e pudessem votar."

O trabalho da psicóloga incluiu esclarecimentos e conscientização.

"Procuramos orientá-los sobre a melhor maneira de escolher seus candidatos. Fizemos simulação com a urna eletrônica para que eles não sintam dificuldades na hora de votar."

Segunda a psicóloga, a idéia foi dar oportunidade para que o deficiente escolha os administradores de sua cidade."Estamos garantindo a igualdade de oportunidades."

De acordo com a Justiça Eleitoral de Bauru, os deficientes poderão votar em duas seções, onde há urnas especiais, inclusive em braile.

Os eleitores da 23ª Zona Eleitoral terão como opção a seção 193 (agregadada a 182) localizada na rua Bandeirantes, 3-32, Centro/Preve.

Os eleitores da 300.ª Zona Eleitoral terão como opção a seção 54, localizada no Colégio La Salles, Praça Washington Luiz, 4-73/Centro.

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